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terça-feira, 23 de agosto de 2011

23 de agosto de 2006 - A jovem austríaca Natascha Kampusch é libertada após dez anos sequestrada.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Natascha Kampusch (Viena, 17 de fevereiro de 1988) é uma garota austríaca que foi sequestrada quando tinha dez anos de idade em 1998, permanecendo sob custódia de seu raptor por mais de oito anos, até sua fuga em 23 de agosto de 2006. O caso foi descrito como um dos mais dramáticos da história criminal da Áustria.

Natascha deixou sua residência no distrito vienense de Donaustadt dia 2 de março de 1998 para ir à escola, mas não voltou para casa. Inicialmente foi levantada a hipótese que o desaparecimento fosse fruto de discussões da criança com sua mãe, Brigitte Sirny. Todavia, testemunhas declararam ter visto Natascha subir num microônibus de cor branca. Intensas buscas foram levadas a cabo em seguida, não obtendo êxito.

Em 2001, um político da região da Estíria, Martin Wabl, acusou a família da menina de cumplicidade no caso. A polícia federal austríaca, entretanto, não encontrou nenhuma prova para tal afirmação.


Em agosto de 2006, Natascha aproveitou-se de um momento de distração de seu seqüestrador para escapar; na fuga, pediu ajuda a uma mulher, que avisou as autoridades. A garota foi identificada por uma cicatriz no corpo, bem como por seu passaporte, deixado no porão do cativeiro, onde ficou, durante todos os anos, em poder do criminoso.

Assim que o raptor, de 44 anos de idade, Wolfgang Priklopil, soube que a polícia o estava buscando, matou-se, saltando na linha de um trem de subúrbio em Viena.

Após a fuga, Natascha recebeu acompanhamento psicológico, demonstrando fortes sinais de simpatia e afeto por seu sequestrador, o que foi diagnosticado como síndrome de Estocolmo.

Diário

A jovem disse que Priklopil "não era meu dono, apesar de ele querer ser - eu era tão forte quanto ele". Ela disse que "a morte dele não era necessária". "Ele era parte de minha vida, por isso estou de luto, de certa forma". Kampusch está em um local seguro, onde conta com apoio psicológico. A polícia diz que ela não pediu para rever os pais após o breve reencontro que eles tiveram.


Natascha escreveu um diário contando todos os seus momentos no cativeiro subterrâneo, revelou o site do jornal inglês "The Times".

Rupert Leutgeb, porta-voz da família, confirmou que Natascha guardou centenas de páginas com o registro de seu tempo presa no subterrâneo. Ele acrescentou que nenhum detalhe será revelado até que ela decida o que fazer com o diário.

Televisão

Ainda se adaptando à vida em liberdade depois de ter passado mais de oito anos em cativeiro até fugir em 2006, Natascha Kampusch começou no dia 2 de junho de 2008 uma nova carreira como entrevistadora na tevê austríaca, com o programa "Natascha Kampusch Conversa...", do canal fechado Puls4. O primeiro convidado do programa mensal foi o campeão mundial de Fórmula 1 Niki Lauda.

Reabertura e encerramento do caso

Em 2009 Natascha Kampusch perdeu o programa de entrevistas que tinha e a solidariedade da opinião pública austríaca, que passou a criticá-la por ter enriquecido graças à história do seu sequestro. Kampusch afirmou que sua vida “mudou radicalmente” no dia em que escapou, mas que ainda não se sente “realmente livre”. Ela disse à Austrian Press Agency que as expectativas do público em relação a vítimas de crimes são “surpreendentes”. Segundo ela, se as vítimas tentam se esconder, recebem críticas porque o público teria o direito de saber o que aconteceu. Mas, se cedem às pressões e contam suas histórias, são acusadas de buscarem os holofotes e são consequentemente vistas como figuras públicas com pouco direito a privacidade.


Em 14 de setembro do citado ano as autoridades austríacas reabriram o caso Natascha Kampusch. O novo inquérito incomodou Kampusch, que se viu passar da condição de vítima à de suspeita. A nova investigação aconteceu a pedido de uma comissão parlamentar que considerou haver demasiadas questões por responder na versão da própria Kampusch sobre o sequestro e sobre a fuga de casa do raptor, Wolfgang Priklopil. Entre os pontos obscuros da história está, por exemplo, o alegado encerramento numa cave. Testemunhas contrariam esta versão, afirmando que Natascha passeava com Priklopil e terá chegado a passar férias com ele nos Alpes. Membros da comissão, incluído o chefe da Corte Constitucional austríaca, Ludwig Adamovich, levantaram a possibilidade de que mais de uma pessoa pudesse estar envolvida ou ciente do sequestro.

O Caso Kampush só foi declarado oficialmente encerrado pela justiça austríaca em 8 de janeiro de 2010, com a conclusão que Wolfgang Priklopil foi o único autor do sequestro e que não houve mais cúmplices nem envolvidos.

Hoje, Natascha Kampusch vive em reclusão voluntária no apartamento que comprou no centro de Viena. Raramente sai à rua, para evitar ser reconhecida e, eventualmente, insultada. Ela passa o tempo estudando, pintando e tirando fotografias.

Livro

Em setembro de 2010 lançou o livro 3096 Tage (3096 Dias), descrevendo como viveu durante os oito anos em que esteve cativa. O livro chegou ao Brasil em janeiro de 2011, ocasião em que Natasha foi entrevistada pelo programa Fantástico. Ela disse que há anos não fala com o pai e que pretende destruir parte da casa em que ficou cativa - a qual ganhou judicialmente - para evitar que se transforme num museu macabro. Um filme sobre o caso deverá sair em 2012.

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