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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Minimalismo – você poderia ser uma pessoa mais minimalista?

O minimalismo é sobre ter menos coisas e aproveitar a liberdade de ter menos, acreditando que o menos significa mais felicidade, contentamento e alegria.

Olá amigos!

O minimalismo vai contra a tendência geral da nossa sociedade ocidental. Desde pequenos, recebemos diversas informações do meio que nos cerca. Uma destas informações diz que seremos felizes quanto mais coisas tivermos e melhor ainda se estas coisas forem as mais novas e modernas e cobiçadas. Em síntese: quanto mais você tiver, mais feliz você vai ser.

Eu sei que você já ouviu também o contrário disso, que o ter não importa, que o que importa é ser. Mas a tendência é que você (e eu) escute isso, ache bonito para logo em seguida começar a ter vontade de comprar uma outra coisa, seja um novo sapato – para completar a coleção de cores ou para não ficar fora da moda – ou o último objeto de desejo tecnológico, uma nova TV, um carro, mais um livro para não ler ou qualquer objeto que pareceria preencher uma falta interna apenas para o surgimento do próximo objeto de desejo.

Nesse sentido, não importa o tamanho: pode ser um chaveiro ou uma nova moto, um celular ou um apartamento com mais uma garagem para o mais novo carro, um esteira elétrica, um liquidificador, um vestido para aquela festa, um chinelo que todos usam, um colchão mais confortável, óculos 3D, aquilo que é melhor porque é mais caro, a roupa que é de qualidade porque tem uma etiqueta, comidas que vão estragar pelo prazo de validade e serão jogadas fora, tudo isso e muito mais para preencher uma necessidade imaginária.

O minimalismo, como disse, vai na contracorrente. Ao invés de acumular e acumular (vemos como temos coisas desnecessárias quando precisamos fazer uma mudança de casa), o minimalismo defende que as pessoas deveriam ter o mínimo. Dizendo desta forma pode parecer que perderíamos, certo?

Porém, para o minimalismo, o que perdermos é o peso psíquico de ter demais. Ao deixarmos tantas coisas irem embora (seja para o lixo, seja para doação, seja para venda para terceiros), ficamos mais leves, mais em paz, mais felizes.

A diferença com pensamentos religiosos de abandono total dos bens materiais, dos votos de pobreza, é que a pessoa que adota o minimalismo como filosofia de vida não precisa ter uma crença religiosa para fazê-lo. Ela apenas descobre que não precisa trabalhar mais para ter algo que não vai fazer a menor diferença em sua felicidade, ela não precisa se amontar em dívidas no cartão de crédito, ou ostentar bugigangas para pessoas que não importam.

Como aquele que diz que “Status é comprar coisas que você não quer, com o dinheiro que você não tem, a fim de mostrar para gente que você não gosta, uma pessoa que você não é”.

Exemplos de pessoas minimalistas

Bem, dizer tudo isto pode parecer por demais abstrato. Fica mais fácil de entender o princípio se você imaginar a estudante Jéssica, que diz que tudo o que tem cabe em uma mochila e, paradoxalmente, ela tem uma vida de uma pessoa milionária, quer dizer, pelo menos tem a liberdade de ir e vir e fazer viagens para onde quiser, a qualquer hora. Ela define o minimalismo da seguinte forma:

Em seu blog (em inglês), ela escreve: O minimalismo é tudo sobre ter o suficiente. É sobre ter apenas o que você precisa, não mais, e especialmente não menos. O que você precisa pode se referir especialmente às suas posses, mas também pode incluir seus compromissos, relacionamentos, trabalho e estilo de vida”.

Quando ela menciona que vive como uma pessoa milionária (sem ter os milhões em sua conta bancária), ela quer dizer que qualquer pessoa quer ter um milhão de dólares, mas não pelo dinheiro em si. As pessoas querem ter mais dinheiro para usufruir o que o dinheiro pode oferecer, por exemplo, viagens, felicidade, satisfação pessoal, reconhecimento, liberdade de ir e vir. Ora, olhando estas característica, Jéssica afirma que vive, então, como uma milionária.

Lisa, por sua vez, não se considera uma pessoa minimalista no extremo de ter todas as suas coisas em uma mochila, mas ela concorda com a filosofia por trás do minimalismo e acredita que é mais feliz mantendo os seus bens em uma quantidade que possa controlar e manejar tranquilamente. Segundo ela: “isto faz a vida mais fácil, menos estressante, e até parece que te dá mais horas no dia”.

Afinal, você não precisa perder tempo limpando, organizando, cuidando de tantas coisas, se você não as tem. Outro benefício levantado por Lisa em seu blog (também em inglês) é que quando você pára o “vício” de comprar você poupa dinheiro – que pode ser utilizado de muitas outras maneiras, como realizando viagens, cuidando das pessoas que você ama, doando, trabalhando menos.

O ponto principal, entretanto, para Lisa é como ela escreve: “Estou contente com minha vida. Eu conheço a natureza humana, e parte da busca do estilo de vida americano (American dream) sempre quer mais e mais, mas na verdade é muito melhor conseguir ser grato pelo que você já tem. Nós somos uma família com apenas um carro, mas ter apenas um carro torna tudo mais fácil do que ter dois, além de ser mais barato, o que vale o sacrifício. Eu vivo em um apartamento pequeno, sem jardim ou garagem, e sem muito espaço, mas eu estou feliz aqui. Eu não estou mais impaciente com o pouco espaço como eu estaria se as minhas coisas estivessem amontoadas e minha casa ficasse bagunçada com muitas coisas”.

Conclusão

Bem, o minimalismo, portanto, é sobre ter menos, se desfazer do que já foi comprado e parar de comprar o desnecessário. Imagino que muitos podem pensar que é uma ideia legal, porém, muito difícil de ser colocada em prática.

Então, a sugestão dos minimalistas é a seguinte:

1) Perceba de uma vez por todas que não há uma relação de longo prazo entre a felicidade e a compra de um objeto novo. O objeto pode te dar uma alegria momentânea, mas não mais do que isso.

2) Comece dando uma olhada no seu guarda-roupa, nas suas gavetas, nos seus armários e separe tudo em três itens:

a) objetos que você não usa e nunca mais vai usar

b) objetos que você usa às vezes

c) objetos que você usa sempre e são úteis para você

Pegue os objetos classificados em a) e desfaça-se deles: vendendo ou doando para quem pode vir a utilizar estas coisas. Se for difícil para você se saber se vai usar ou não vai usar no futuro (critério b), volte a fazer a avaliação daqui a um mês. Se não tiver usado nem uma única vez, é provável que não use em 12 meses ou 12 anos.

3) Antes de comprar qualquer coisa nova, se pergunte:

a) Isto vai ser útil de verdade?

b) Isto é só para ter? Para satisfazer uma falta? Apenas por consumismo? Apenas porque está barato?

Se você responder sim para b) significa que você estará apenas adquirindo uma quinquilharia (tudo bem, pode ser bom, bonito e barato), mas se não for útil vai ser só mais uma coisa a se acumular a toa. Melhor seria poupar o dinheiro e fazer melhor uso dele.

4) Fique sempre atento para áreas de compras que podem ser particularmente tentadoras. Para uma pessoa, pode ser sapatos. Para outra, itens de cozinha. Para outra, pode ser tecnologia, livros, etc. A pergunta: isto vai ser útil ou é apenas consumismo deverá resolver a maior parte das dúvidas em novas compras.

Como diz Joshua Becker: “Tenha menos coisas. Aproveite a liberdade. É tão simples quanto isso”.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Por Gentileza!!!



Tenho observado que com o passar dos anos, as pessoas tendem a cada vez mais dar menos explicações à terceiros sobre suas escolhas, suas atitudes.
Vejo também que isso acaba muitas vezes trazendo conflitos para ambas as partes...
Eu mesmo, com meus 41 anos, me pego fazendo isso...
Mas, tento ao máximo não o fazê-lo, porque muitas vezes acabamos atraindo problemas desnecessários com essa atitude.
Penso eu assim né?
Não é que temos que dar satisfação aos outros, mas sim, que devemos explicar certas atitudes que tomamos para manter uma convivência mais saudável!
Afinal, não vivemos numa ilha deserta... rs
E ao decorrer da postagem, vocês irão entender o porque que estou escrevendo isso...
Como muitos sabem, eu tinha três cachorros (Cão, Bel e Pingo) e dois gastos (Hiro e Dengo).
O Dengo foi o último a chegar aqui em casa. Adotei ele de uma ONG da Província de Shizuoka.
Quando ele chegou aqui em casa, eu notei que os pelos de suas orelhas era bem ralinho e tinha algumas falhas, mas não comentei nada, porque se a dona da ONG não comentou nada, deveria ser normal.
Mas, não era... Ele estava com fungo, uma doença bem complicada de se tratar e que passa para outros animais facilmente e até mesmo para seres humanos.
Quando comentei com a dona da ONG, ela me disse que não tinha percebido e eu acredito. Já uma amiga me disse que era pouco provável que uma pessoa que tem uma ONG, lida com gatos à anos, não soubesse.
Eu ainda prefiro acreditar que ela não sabia, porque seria muita "sacanagem" se soubesse e mesmo assim ter me dado o gato.
Enfim, ela sabia que minha situação financeira naquele momento era complicada e ficou de arcar com as despesas do gato e da segunda vacina que ele tinha que tomar.
Uma semana depois ela veio me dizer que tinha atropelado um cachorro e que teve que pagar as despesas do veterinário etc e que poderia apenas me ajudar. Me mandou uma quantia que não pagava nem a metade da primeira consulta do Dengo.
Eu só posso dizer que deixei pra lá, porque pensei assim, eu adotei, ele é meu filho e a responsabilidade é minha.
Enfim, o fungo passou para os outros quatro...
Olha, foi complicado... Como a clínica que vou fica longe de casa e tem que pegar ônibus (ainda bem que aqui no Japão pode levar gato e cachorro dentro de ônibus e metro), eu levava um por vez...
Estava na época trabalhando das 8PM às 8AM. Uma correria...
Cada consulta saia na faixa de ¥ 15.000 (R$ 400.00). Imaginem 5 consultas....
Minha sorte é que como frequento a Clínica Veterinária a anos e eles me conhecem bem, esperavam eu fazer as 5 consultas para só ai me cobrarem, pois assim eu passava no cartão e dividia em vezes à perder de vista... rs
Mas, durante dois meses minha vida era um dia dar banho nos 5 com o shampoo especial e detalhe, tinham que ficar pelo menos 5 minutos com ele no corpo..
Ai depois de banho dado, era a vez de secar com o secador... Um por vez... Depois lavar todas as toalhas.
No outro dia (era inverno quando isso aconteceu), trocar toda a roupa de cama. lençóis, cobertores e etc. Lavar tudo e também passar água sanitária em todo o chão do apartamento...
Agora imagem trabalhar das 8PM às 8AM, chegar em casa, dar banho na tropa toda, depois lavar as coisas, enquanto isso fazer e dar a janta deles, a minha, meu banho e dormir para trabalhar depois.
No dia seguinte, trocar toda roupa de cama e etc...
No outro dia voltar a dar banho na tropa toda etc...
Durante dois meses...
Eu vou ser sincero, foi barra, mas se for necessário, faria tudo novamente e com muito amor e dedicação, sendo que em dois meses consegui acabar com esse fungo bendito!!! rs
Mas, agora, sendo bemmmmm sincero, nesse tempo todo, muita gente sabendo o que eu estava passando, não podia ter dado um ajuda?
Será que custava muito alguém "perder" algumas horas de seu dia e nos levar de carro na Clínica?
Ou me ajudar na hora do banho com as crianças?
Não estou cobrando (de verdade)  ninguém, estou apenas comentando e vocês vão entender mais para o fim da postagem...
Um mês depois de tudo voltar ao normal aqui em casa, o Cão precisou fazer uma cirurgia de emergência... Digo isso, porque o levei para uma simples consulta e ele ficou para fazer uma cirurgia...
Nem preciso dizer que financeiramente falando, eu estava quebrado...
Sendo assim, fiz uma rifa de  ¥ 500 (R$) 13,00).
Graças à Deus e aos bons amigos, vendi todos os nomes, o que me ajudou bastante.
Teve um casal de amigos (DETALHE: que conheço apenas pelo facebook) que chegou  a mandar ¥ 10.000 (R$ 268,00) à mais só para ajudar, pois também tiveram uma cachorrinha com câncer e sabem muito bem o custo do tratamento...
Enfim, teria tudo sido perfeito se uma certa pessoa não tivesse feito um belo "rolo" por causa dessa rifa. Chegou a me chamar de "vagabundo", mas claro que não na minha frente.
E eu fiquei puto sim, porque se tem algo que não sou é vagabundo! Sempre trabalhei e muito e ajudei muita gente nessa vida!
Mas, enfim, juntando tudo isso que escrevi aqui e as outras coisas que vim passando ao longo desses anos, tomei algumas decisões.
Uma delas, foi não ter mais nenhum outro amigo de quatro patas!
Custei muito a tomar essa decisão, porque, como sabem, AMO AMO AMO de paixão esses pequeninos, mas devido à tantas coisas que aconteceram e a situação financeira atual do Japão e principalmente minha, quero ficar apenas com o Pingo e Hiro.
E fazer o máximo possível pela saúde e bem estar deles!
Pingo tem hérnia de disco e sua alimentação é controlada. 
Conversando com um amigo que tem duas cachorras de porte médio, ele me contou que gasta de ração por dois meses o que gasto com o Pingo em um mês!
Então, eu peço por gentileza que não mandem posts de gatos ou cachorros que estão para adoção, porque eu não vou adotar.
Se for para compartilhar, tudo bem, mas não quero e não vou adotar outro animal.
Até mesmo porque, eu fico revoltado com as desculpas idiotas que este povo usa para se desfazer do gato ou cachorro...
Sim, eu sei, o bichinho não tem culpa... Mas, que é revoltante é!
E justamente por isso, por ter RESPONSABILIDADE, coisa que esse povo que se desfaz de um amigo que quatro patas NÃO TEM, é que não quero adotar um novo amiguinho.
Não por falta de vontade, mas realmente porque acredito que financeiramente falando, não terei condições.
E para não parecer antipático, resolvi fazer esta postagem...
Agradeço desde já a compreensão!!!

Abraços!!!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Incêndio no Edifício Joelma

 O edifício em 2014. Foto de André Luiz Pereira Nunes

Incêndio no Edifício Joelma foi um incêndio ocorrido em 1 de fevereiro de 1974 em um edifício em São Paulo, que provocou a morte de 191 pessoas e deixou mais de 300 feridas.[1]

O incêndio

Concluída sua construção, em 1972, o Edifício Joelma foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos[2] . No começo de 1974 a empresa ainda terminava a transferência de seus departamentos quando, no dia 1 de fevereiro, uma chuvosa sexta-feira às 8h45 da manhã, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12° andar deu início a um incêndio que rapidamente se espalhou pelos demais pavimentos.[1] As salas e escritórios do Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos acarpetados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condição que contribuiu sobremaneira para o alastramento incontrolável das chamas.[3]

Quinze minutos após o curto-circuito era impossível descer as íngremes escadas que, localizadas no centro dos pavimentos, não tardaram a serem bloqueadas pelo fogo e a fumaça[2] . Os corredores, por sua vez, eram estreitos. Na ausência de uma escada de incêndio, muitas pessoas ainda conseguiram se salvar ao contrariar as normas básicas e descer pelos elevadores, mas estes também logo deixaram de funcionar, quando as chamas provocaram a pane no sistema elétrico dos aparelhos e a morte de uma ascensorista no 20° andar[3] .

Nos braços da mãe, que saltou para a morte no 15° andar, uma criança de um ano e meio foi salva em um dos episódios mais dramáticos do incêndio. A multidão acompanhou o salto bem em frente ao prédio. O choro da criança, levada imediatamente ao Hospital das Clínicas, foi ouvido logo após o impacto da queda. No último andar do prédio, segundo o depoimento de Ivã Augusto Pires, coordenador do Serviço de Transportes da Câmara, um rapaz jogou-se ao chão e aproximou-se de gatinhas da borda do terraço. Mas uma labareda fez com que ele escorregasse e ficasse suspenso no ar, segurando no parapeito até não mais aguentar e despencar na rua[4] .

Sem ter como deixar o prédio, muitos tentaram abrigar-se nos banheiros e parapeitos das janelas[3] . Outros sobreviventes concentraram-se no 25° andar que tinha saída para dois terraços[5] . Lembrando-se de um incidente similar ocorrido no Edifício Andraus, dois anos antes, em que as vítimas foram salvas por um helicóptero que pousou em um heliporto no topo do prédio, elas esperavam ser resgatadas da mesma forma.


Na rua os bombeiros tentavam agir em meio à confusão estabelecida pela Polícia Civil, curiosos, PMs, médicos, enfermeiros, soldados do Exército e até escoteiros. Homens e mulheres, alguns em trajes menores, os rostos escurecidos pela fuligem, agitavam-se freneticamente nas janelas tentando chamar a atenção. Mas os helicópteros não conseguiam pousar no terraço escaldante e seus cabos de aço pendiam inutilmente. As escadas Magirus, de 40 metros, não chegavam aos andares mais altos.

No 20° andar, seis pessoas equilibravam-se em um pequeno patamar. Quase não havia lugar para todas. Um rapaz de terno azul agarrava-se muito precariamente a uma parte saliente, uma das pernas já do lado de fora do edifício, como se fosse saltar. Embaixo, os bombeiros acenavam e pediam calma. O fogo acabou, só um pouco mais de paciência, gritava um policial por um megafone. Outros pintaram num amarelo muito vivo, sob grandes faixas de pano - O fogo já apagou! e Coragem, vamos salvá-los! O som do megafone aparentemente não chegou a eles, mas ao ver as faixas um dos rapazes fez um sinal positivo com o polegar, puxou um lenço verde e acenou[6] .

Resgate

O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03 da manhã. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido a condições adversas no trânsito só chegaram no local às 9h10, quando as chamas já atingiam o 20° andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio[3] .

O socorro mobilizou 1.500 homens, entre bombeiros e tropas de segurança, as equipes de cinco hospitais estaduais e outros particulares, quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede hospitalar. Todos os carros-pipa da Prefeitura e vários particulares, além de um grande número de voluntários que antecederam os pedidos das autoridades para doação de sangue. Afim de garantir o livre acesso de ambulâncias e de veículos dos bombeiros ao prédio incendiado, convocaram-se tropas de choque do Regimento 9 de Julho, do Exército e da Polícia Militar, além da Companhia de Operações Especiais e do Departamento do Sistema Viário. Um esquema de emergência foi armado nas imediações do prédio onde se concentraram milhares de curiosos.

Aos 250 bombeiros da capital, juntou-se o reforço de um destacamento de Santo André. Policiais Militares especializados, da Companhia de Operações Especiais (COE) também participaram do trabalho de socorro. Quando a primeira guarnição chegou, comandada pelo sargento Rufino, o fogo consumia só o centro do prédio, mas avançava rapidamente para tomar toda a estrutura. O sargento lamentou não ter podido vir de helicóptero para lançar cordas e escadas pelas laterais ainda intactas do edifício. Como estavam de carro-tanque e as escadas Magirus ainda não haviam chegado, começaram a atirar cordas para subir. O sargento conta que ao chegar ao 12° andar, sua primeira providência foi apagar três corpos em chamas. Logo que uma das quatro escadas Magirus foi instalada, organizou a descida.


Ele carregava pela escada uma menina desmaiada quando uma pessoa se jogou do 19° andar e bateu no corpo de uma outra, que também se jogara do 16°. O peso dos dois arrancou a garota de suas costas e ele só não caiu porque seu pé se enganchou num dos ferros laterais da escada. Na queda morreram dois, mas o que pulou do 19° andar se salvou com ferimentos graves. Os bombeiros usaram quatro jatos de água combatendo o fogo, mas logo de início tiveram problemas, pois os hidrantes da região estavam com defeito. A solução chegou quando a Prefeitura enviou ao local trinta caminhões-pipa. A exemplo do que ocorrera no incêndio do edifício Andraus, faltavam equipamentos, embora desta vez tenham podido usar duas novas escadas de 45 metros que foram anexadas às menores para chegar ao 16° pavimento[7] .

Enquanto um grupo de bombeiros tentava penetrar no prédio, outros procuravam salvar pessoas que se encontravam nas janelas pela parte externa com as Magirus. Um helicóptero do SAR, da FAB, fazia o resgate dos sobreviventes que se encontravam no telhado e que eram auxiliados por homens do COE e pelos tripulantes. Outros treze helicópteros do Governo e de empresas particulares não puderam aproximar-se muito, mas atiraram cordas, sacos de leite e água e tubos de oxigênio aos que se achavam no teto. Depois participaram do transporte dos feridos para os hospitais.

De acordo com o testemunho de um bombeiro, passava das dez da manhã quando os corpos começaram a cair como moscas. Todos queriam sair do edifício de qualquer maneira. Alguns chegaram a pular três andares, com o risco de despencar, para alcançar os andares inferiores onde chegavam as Magirus. O primeiro a se atirar estava no 15° andar. Durante mais de uma hora ele gritou por socorro, desesperado, as vezes encoberto pela fumaça. Pessoas apavoradas tentavam fazer cordas com tiras de pano, que acabavam arrebentando, não resistindo ao peso do corpo humano. Uma mulher, só de calcinha e sutiã, morreu assim, a cabeça esmigalhada na calçada[6] .

Os cadáveres se amontoavam na rua cobertos por cobertores, jornais e capas de chuva. Vários minutos depois, um caminhão da polícia e algumas ambulâncias recolheram os primeiros cadáveres e os levaram ao Instituto Médico Legal. No 8° andar os bombeiros encontraram pelo menos onze cadáveres abraçados. O fogo tinha praticamente soldado os corpos[6] .

No 12° andar, dezessete pessoas que o capitão Mazzelli, comandante do COE, pretendia salvar, já estavam mortas quando ele chegou. O oficial subiu com um destacamento especializado. Diante do quadro trágico, cinco mortos no banheiro e doze no saguão, o batalhão começou a sentir-se mal e teve que ser retirado pelo helicóptero. Em outra tentativa de salvamento pelo pessoal da FAB, os bombeiros não conseguiram descer no telhado, não somente pelo intenso calor, mas pelo forte cheiro de carne incinerada. Em volta do edifício a multidão rompia os cordões de isolamento e os militares precisaram muitas vezes usar da força para conter os curiosos. As operações eram orientadas pelo próprio Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Teodoro Cabette, e pelo Secretário de Segurança Pública, General Sérvulo Mota Lima, que foram para a área logo que tomaram conhecimento da tragédia. Policiais e bombeiros lamentaram que muitas pessoas tenham morrido por falta de calma ao se atirarem do prédio[7] .


Apenas uma hora e meia após o início do fogo é que o primeiro bombeiro conseguiu, com a ajuda de um helicóptero do Para-Sar, o único potente o suficiente para se manter pairando no ar enquanto era feito o resgate, chegar ao telhado[2] . Já então muitos haviam perecido devido à alta temperatura no topo do prédio, que chegou a alcançar 100 graus celsius[1] . A maioria dos sobreviventes conseguiu se salvar por se abrigar sob uma telha de amianto[2] . Quinze bombeiros ficaram intoxicados pela fumaça e muitos fizeram críticas por conta do parco equipamento que dispunham, além dos regulamentos então vigentes de prevenção a incêndios na capital. O Código de Obras do Município de São Paulo, datado de 1934, não dispunha da obrigação de instalações de equipamentos contra o fogo e nem exigia a construção de escadas de emergência. Os recursos concedidos ao Corpo de Bombeiros eram insuficientes, assim como o efetivo da corporação era bastante diminuto[6] .

Por volta de 10h30 da manhã o fogo já havia consumido praticamente todo o material inflamável do prédio. O incêndio foi finalmente debelado com a ajuda de doze autobombas, três autoescadas, duas plataformas elevatórias e o apoio de dezenas de veículos de resgate[3] .

Apenas às 14h20, todos os sobreviventes haviam sido resgatados[3] .

Sequência da tragédia

8h45 - Início do incêndio no 12° andar. Um curto-circuito no ar condicionado seguido de uma explosão inicia a tragédia. Em pouco mais de 5 minutos as chamas chegariam ao 25° andar.
8h49 - As chamas atingem o 13° andar. Tem início o pânico.
8h55 - Os grandes rolos de fumaça são vistos em todo o centro da cidade. Correria geral. Os bombeiros são informados do incêndio pelos porteiros do Hotel Cambridge.
9h - As chamas tomam conta de praticamente todo o miolo do prédio e a fumaça é geral.
9h05 - No topo do edifício inúmeras pessoas se aglomeram, enquanto outras conseguem sair pelo andar térreo. As chamas continuam subindo e chegam ao 20° andar. Ao longe se ouvem as sirenes dos bombeiros e das ambulâncias.
9h10 - As duas primeiras viaturas do Corpo de Bombeiros chegam quando algumas pessoas já se atiram do alto do edifício.
9h15 - As primeiras ambulâncias chegam e começam a remover alguns corpos estendidos no asfalto.
9h20 - Inúmeras pessoas se jogam do alto do edifício.
9h25 - Chegam mais ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros. Os primeiros carros-tanque aparecem.
9h30 - A confusão é total na área e a polícia coloca cordões de isolamento. A multidão fica nas proximidades do Viaduto do Chá, Vale do Anhangabaú, Praça da Bandeira, Avenida 9 de Julho, Rua Xavier de Toledo e Viaduto Maria Paula. Na Ladeira da Memória as pessoas se ajoelham para rezar.
9h35 - Chegam as unidades móveis de saúde da prefeitura. Os helicópteros da Prefeitura, do Estado, da FAB e de firmas particulares se aproximam, sendo aplaudidos pela multidão. Algumas explosões, talvez de botijões de gás, aumentam o pânico. Caem vitrais do prédio na Rua Santo Antônio. Bombeiros e policiais empurram a multidão. Algumas pessoas improvisam uma corda, com uma cortina, e descem até a escada Magirus. Do 14° andar um corpo cai na Rua Santo Antônio.
9h40 - Diversas pessoas se jogam dos andares e os bombeiros lançam quatro grandes e longos jorros d'água sobre o prédio já totalmente tomado pelas chamas. Os primeiros destroços caem no asfalto, misturando-se aos corpos estendidos. O trânsito da cidade está completamente engarrafado e já pode ser calculado em torno de 500 mil o número de pessoas que se aglomeram no centro para ver o incêndio. Uma mulher que descia por uma corda improvisada, cai, escorregando de cabeça para baixo, até atingir o primeiro grupo de pessoas que trabalham no resgate e que detêm sua queda. Um estrondo no centro do edifício produz uma luz azulada. Outro corpo cai.
9h45 - A confusão é total e o Corpo de Bombeiros coloca uma escada Magirus, conseguindo salvar do 13° andar pelo menos treze pessoas que descem rapidamente. Uma garota se joga do alto do edifício.
9h50 - No local já se encontram o Secretário da Segurança Pública do Estado, o Comandante da Polícia Militar e o prefeito Miguel Colasuonno. Um corpo de homem cai na calçada da Avenida 9 de Julho junto às viaturas do bombeiros. A seguir, outro corpo, justamente quando três helicópteros sobrevoavam o local, tentando o salvamento.
9h55 - No topo do edifício a confusão é total. A multidão implora e frases são escritas no asfalto pedindo calma, muita calma. Algumas pessoas ameaçam se jogar. Outras atiram roupas e sapatos. Alguns são vistos nas janelas dos banheiros de alguns andares à espera de socorro. Uma mulher, no 13° andar, ao lado de mais três pessoas, faz o sinal da cruz, e salta para a escada dos bombeiros que chegava apenas ao 12° andar. É salva.
10h - Os bombeiros começam a retirar através de escadas alguns sobreviventes nas janelas do prédio e nos vãos dos andares. As operações de salvamento duram entre 20 e 30 minutos. Os helicópteros tentam encostar-se mais nas paredes para salvar pessoas nas janelas e no topo do edifício. Um rapaz, no 16° andar, tira as roupas e faz uma corda para chegar ao 13°. Por ela descem outras pessoas. Quando chegou sua vez, despencou para a morte. No asfalto, em letras enormes, brancas e amarelas, lê-se: "Deitem-se e esperem o salvamento".
10h05 - Chegam helicópteros particulares, do Governo do Estado e da Força Aérea Brasileira que usam como base de operações o heliporto da Câmara Municipal, distante cerca de 100 metros do local da tragédia.
10h10 - Um rapaz, que tinha tentado descer pela corda improvisada do 16° ao 13° andar, despenca-se por cima da Magirus, e derruba na queda mais três pessoas, inclusive um bombeiro. Todos morreram. Os bombeiros tentam levar a Magirus até o 19° andar, onde se encontram quatro pessoas. Não conseguem. Jogam água e pedem calma.
10h15 - Chegam ambulâncias do INPS e de instituições particulares. Litros de leite, medicamentos e cobertores chegam também para atender aos pedidos feitos pelos médicos que assistem os feridos no heliporto da Câmara. Soros, antibióticos, seringas hipodérmicas são recebidas. Junto ao marco da Bandeira é instalado um posto ao ar livre para doadores de sangue. Centenas de pessoas formam duas grandes filas. Mais duas pessoas se atiram do alto do edifício.
10h20 - Os helicópteros se movimentam rapidamente, enquanto a Praça da Bandeira é transformada num campo de feridos, sobreviventes e pessoas que são medicadas e depois levadas aos hospitais e pronto-socorros. A escada Magirus chega ao 19° andar, retirando 12 pessoas. O helicóptero da FAB transporta, pendurado num cabo, o oficial Caldas, da Polícia Militar. Não consegue resgatar ninguém, mas chega junto às janelas ocupadas por pessoas, no lado da Rua Santo Antônio, e procura encorajá-las.
10h25 - Árvores são derrubadas a machadadas para permitir o pouso de helicópteros na praça. Bombeiros, com megafones, gritam para os que estão descendo pela Magirus: "Atenção! Atenção! Segurem-se bem na escada! Desçam com firmeza!" Nesse momento, com o fogo já reduzido, outro corpo cai.
10h30 - Bombeiros intoxicados são recolhidos pelas ambulâncias. No 19° andar, cinco pessoas começam a se desesperar. Tentam-se atirar pela janela porque o fogo se aproxima. Bombeiros pedem calma. Surgem problemas com as mangueiras, pois muitas delas estavam furadas.
10h40 - Um helicóptero pousa no prédio vizinho, o San Patrick e salva duas pessoas. A multidão aplaude.
10h50 - O fogo diminui, mas ainda é intenso, principalmente no interior do edifício. Do 18° andar em diante. Os bombeiros continuam jogando água. O chão do topo do edifício arrebenta. Mais uma pessoa salta da laje.
10h55 - Há muita gente ainda no 19° e no 20° andar. No 14°, um rapaz, Celso Bidinger, evita que uma moça se atire. Foram salvos pela Magirus.
11h - Os bombeiros conseguem penetrar até o 11° andar. O médico, Vanderlei Peixoto, do Hospital das Clínicas, que atendia às vítimas no local, é removido para o próprio hospital, intoxicado pela fumaça.
11h10 - Alguns bombeiros por cordas descem no terraço do edifício para acalmar algumas pessoas. Mas é tarde demais. Dezessete pessoas estão mortas no topo do Joelma. Um reforço de 50 homens da cavalaria é acionado para afastar a multidão.
11h30 - O edifício é um imenso rolo de fumaça e já não se veem mais chamas. A preocupação maior é salvar os sobreviventes, operação que começa logo depois com os bombeiros entrando no prédio para retirar as vítimas fatais.
11h35 - Bombeiros tentam retirar no 19° andar um senhor de terno marrom que estava encostado à janela, demonstrando tranquilidade.
11h40 - Surgem rumores de que o edifício vai desabar. Correria geral.
11h45 - Os primeiros corpos carbonizados aparecem e são levados para o Instituto Médico Legal (IML).
11h50 - Mais um carro funerário sai do local, com sete corpos. Correm rumores de que mais de 30 pessoas saltaram do prédio.
11h55 - Um grupo de seis pessoas é retirado das janelas.
12h00 - Continua o esforço dos bombeiros em resgatar, no 19° andar, o isolado sobrevivente.
12h30 - Somente o helicóptero da FAB consegue se aproximar do prédio devido ao forte calor.
12h35 - Outras sete pessoas, que ainda estavam no 19° andar, são salvas. Até agora o número de salvos é de 80.
12h40 - Enquanto os corpos continuam sendo retirados, outro homem é salvo.
13h - A fumaça só é intensa quando os helicópteros sobrevoam o edifício. Novos corpos saem.
13h45 - Joel Correia afirma ter visto de seu escritório, localizado no 31° andar do edifício Conde Prates, na Rua Libero Badaró, 239, algumas pessoas com vida, no 21° andar do edifício.
14h - Os dois últimos sobreviventes são retirados das janelas pelos bombeiros. O fogo já está sob controle e continua a operação de retirada dos corpos queimados que vai até o início da noite. Os bombeiros afirmam não haver mais ninguém com vida no prédio.
14h10 - Bombeiros resgatam mais três pessoas no 21° andar, confirmando-se as declarações de Joel.
14h15 - Dezessete pessoas mortas são encontradas no 12° andar.
14h30 - Mais nove mortos são retirados do 15° andar.
15h - Os bombeiros dão por encerrada a remoção de sobreviventes.
15h45 - Os bombeiros chegam ao topo do edifício, encontrando mais de 20 mortos, na maioria carbonizados.
16h45 - Um padre chega ao topo do Joelma e administra a extrema-unção. A seu lado, policiais, médicos e bombeiros iniciam a remoção e identificação dos cadáveres.
17h - Os bombeiros retiram os dezessete corpos no telhado e descobrem sessenta mortos sob o telhado na ala da Rua Santo Antônio e mais trinta e cinco sob a cobertura da ala voltada para a Avenida 9 de Julho[7] . Os carros são retirados das garagens do edifício.
17h30 - Carros-guincho chegam ao local para auxiliar na limpeza da área.


Personagens

A ampla cobertura da imprensa tirou do anonimato muitas das vítimas do incêndio e pessoas envolvidas diretamente nas operações para seu salvamento. Diversos veículos de comunicação reproduziram seus relatos e histórias da tragédia, que reunidos ajudaram a reconstruir os momentos dramáticos do incêndio.

Capitão Hélio Barbosa Caldas - Comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros, um veterano de muitos incêndios e coragem que ele mesmo acreditava próxima da loucura, rodopiou longos minutos preso a uma corda de 12 metros pendente de um helicóptero, na tentativa de repetir o feito de há dois anos, quando foi o primeiro a descer no terraço do Edifício Andraus para organizar o salvamento dos refugiados. Não foi possível, pois o pequeno helicóptero da FAB não teve condições de se aproximar do prédio, o qual não contava com heliporto. Portanto, teve de providenciar a colocação de um cabo, ligando o terraço do Joelma ao Edifício Saint Patrick, na rua Santo Antonio, para finalmente chegar ao terraço. Faleceu a 20 de junho de 1999.
Joel Correia - Instalado com seu telescópio numa das extremidades do Viaduto do Chá, comunicou à rádio Jovem Pan a existência de sobreviventes no edifício, mesmo com o incêndio dominado e os pilotos de helicóptero não avistando mais feridos a serem resgatados. Foi o responsável pelo fim do pavor em que se encontravam José Ferreira Couto Filho, Ivan Bezerra, Ibar Rezende, Mauro Ligeli Filho, Hiroshi Shimuta e Luiz Carlos Gonzalez. Ele tinha ido visitar um amigo, o gerente da construtura Ferreira Guedes, no 31° andar do edifício Conde Prates. Com o início do incêndio, passou a acompanhar a operação de salvamento com um telescópio. Ao ouvir no rádio a informação de que não havia mais ninguém no prédio, entrou em contato com a Jovem Pan e a informação chegou ao comandante do Corpo de Bombeiros que deu o alarme. O comandante ligou para o escritório onde Joel estava, e ele orientou a localização dos seis homens, no 20° andar, usando o telescópio. Mais tarde o comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros reconheceu a ajuda, afirmando que as vítimas estavam realmente vivas e foram salvas[2] .
Idek Butchi - 34 anos, nissei, sobrevivente do incêndio anterior no Edifício Andraus, não só salvou a sua vida como também evitou a morte de mais sete pessoas. Ficou na sacada do 22° andar durante quase cinco horas orientando e acalmando aos que se encontravam com ele, pois esse foi o seu principal ensinamento de sua primeira experiência quando foi salvo por um helicóptero da FAB. Estava no Departamento de Produção e Ações, da Crefisul, no 17° andar, quando ouviu os primeiros gritos. Pensou em descer rapidamente, mas percebeu que o fogo vinha debaixo para cima. Então, começou a subir as escadas e quando chegou ao 22° andar, percebeu que não dava mais para prosseguir. Segundo ele, duas pessoas tentaram descer para o andar inferior, mas ele as convenceu de que isso iria provocar a morte para eles. E todos ficaram incentivados por uma placa escrita Coragem, nós estamos com vocês! mostrada por pessoas que estavam no asfalto. Às 14h20 todos foram resgatados e seguiram para o Hospital Municipal. Embora sem quase poder falar, os oito comemoraram o salvamento dentro da ambulância com abraços e lágrimas.
Rolf Victor Heuer - Gaúcho, então com 54 anos, passou mais de três horas sentado em um dos parapeitos do edifício esperando para ser resgatado. Enquanto aguardava fumava vários cigarros, e sua imagem de aparente tranquilidade foi captada pelas câmeras dos noticiários de televisão e amplamente reproduzida. Antes de ser salvo, ainda conseguiu subir ao 19° andar, onde acalmou uma mulher que ameaçava se jogar de uma janela. De terno e gravata, dono de uma calma absoluta, ficou em pé do lado de fora do edifício, perto de uma janela. De vez em quando secava o suor do rosto com um lenço. A certa altura o Capitão Caldas, pendurado por um cabo, que por sua vez pendia de um helicóptero, aproximou-se para salvá-lo, mas não conseguiu. Alguns minutos antes de ser resgatado, não aguentou mais o calor e tirou o paletó, a gravata e a camisa. Não se perturbou um só instante, mas quando pisou o chão, começou a chorar. Levou 25 minutos para descer a escada Magirus até chegar à rua[2] .
José Roberto Viestel - Gerente do estacionamento do edifício, estava em casa quando foi acordado com a notícia do incêndio. Tentou chegar ao local e, impedido pelo trânsito caótico, deixou as chaves de seu carro com um guarda e seguiu a pé. Lá chegando, ajudou os manobristas na retirada dos veículos guardados para evitar o risco de mais explosões, e quando as mangueiras dos bombeiros começaram a falhar providenciou as do estacionamento, que ele mesmo testava uma vez por semana, para o combate ao fogo.[8]
Augusto Carlos Cassaniga - Sargento do Corpo de Bombeiros. Pulou de uma altura de quatro metros de um helicóptero sobre o telhado, quebrando as telhas de amianto e o tornozelo. Conseguiu fixar uma corda no telhado e a lançou até o prédio vizinho, por onde atravessaria o capitão Hélio Caldas, que já tinha sido herói no incêndio anterior do Edifício Andraus.
Celso Bidinguer - 22 anos, estava no 16° andar quando se refugiou no banheiro com outras seis pessoas. Todas as que estavam com ele morreram, mas Celso conseguiu salvar-se porque ao ver da janela do 13° andar, sozinha e amedrontada, a funcionária Tarsila de Souza, que ameaçava se jogar. Ao se aperceber do risco, decidiu salvá-la. Ele amarrou um pedaço de cortina, que levara para o banheiro, na janela e pelo lado de fora do edifício conseguiu descer três andares até chegar junto a Tarsila, com quem ficou mais de duas horas à espera de socorro, vendo as pessoas se jogarem. A escada dos bombeiros só chegava até o 12° andar, portanto, os dois tiveram que descer por cordas. Ambos sobreviveram[4] .
René Contieri - 56 anos, gerente administrativo da Crefisul, conseguiu evitar que algumas pessoas se matassem, simplesmente mantendo o sangue frio e observando a lógica elementar de que, jogando-se pelas janelas, eliminariam qualquer possibilidade de sobrevivência. Estava no 12º andar, quando recebeu o alerta do detector de fumaça. Ao invés de descer, subiu para pegar o paletó e alguns documentos importantes. No meio do caminho, ainda encontrou com o eletricista que tentava consertar a fiação. Só deu tempo de pegar seus pertences e avisar as nove meninas que trabalhavam no andar para que descessem. Mas a labareda já tomava conta da escada. Recuaram e conseguiram se proteger do lado de fora da janela, em uma laje de dois palmos de largura. O vidro protegia do fogo. Por sorte, o vento estava contra e a janela não estourou. Só faltava a eles a chegada dos bombeiros. Por ser um grupo grande, foi o primeiro a ser resgatado. Cavalheiro, desceu a escada Magirus depois das moças. Faleceu aos 93 anos a 18 de abril de 2010.
Benedito Ferreira França - Fazia uma visita a um amigo que trabalhava no banco Crefisul quando começou o incêndio. Conseguiu descer três andares carregando uma moça. Declarou que quando passou pelo corredor viu várias pessoas encostadas na parede e apenas rezando, sem fazer nada. Queimado nos braços e no rosto e cansado de levar a moça, desmaiou e acordou apenas no hospital.
Antonio Carlos Capobianco - Atribui a sua sobrevivência ao karatê. O mineiro alegou que a filosofia da luta marcial o ensinou a encarar tudo, mesmo a morte, com naturalidade, embora se deva aproveitar todas as oportunidades para viver. Ele aconselhou os circunstantes a não falar muito para não desperdiçar oxigênio. Foi resgatado com mais cinco rapazes no 21° andar.
Carlos Trafaniuc - 23 anos, salvou-se descendo dois andares pendurado em cortinas.
José Flávio Gouveia - Chegou atrasado ao serviço, às 9 horas, quando o fogo já havia começado. O atraso pode lhe ter salvado a vida. Horas depois, no Hospital Municipal, doou sangue para os feridos.
Nílton Antonio de Oliveira - Estava na tesouraria do banco Crefisul, no 13° andar, com mais onze colegas. Todos ficaram espremidos numa marquise por mais de duas horas, mas conseguiram se salvar.
João Alberto Moretti - Se notabilizou nas filmagens do incêndio por ter escalado a marquise e descido do 17° andar até o 12°. Neste, aguardou até que fosse encostada a escada Magirus. Feriu-se apenas levemente e foi levado ao Hospital das Clínicas.
Vítor Manoel Gonçalves Teixeira - Liderou um grupo de nove pessoas quando a permanência na sala do 13° andar em que trabalhavam ficou impossível. Ele abriu o banheiro, quebrou os vidros da janela e, quando a água das torneiras havia esgotado, e já estavam se confortando mutuamente, surgiu uma escada Magirus a 25 centímetros de suas mãos.
Deise Previato - Assessora jurídica da Crefisul. Salvou-se por conta do rompimento da rotina. Ao invés de chegar às 8h30, chegou uma hora mais tarde, quando o fogo já havia começado. Viu a secretária do seu chefe, Linda Passaro, saltar para a morte da Avenida 9 de Julho. O chefe, Attilio Corigliano Jr., era procurado pela mulher, Elizabeth, em vão.
José Gomes Ferreira - 49 anos, motorista de táxi e ex-bombeiro. Parou o carro no momento do incêndio e com boa vontade, sem camisa e com um lenço encharcado cobrindo o rosto, ajudou os seus ex-companheiros de profissão no socorro às vítimas.
Rodolfo Manfredo Júnior - 20 anos. Estava datilografando em um escritório do 21° andar quando soube do incêndio. Subiu com dezenas de pessoas para o terraço do prédio, pois os elevadores já não mais funcionavam. Havia cerca de duzentas pessoas comprimidas e aterrorizadas. Ele conta que viu várias se jogarem, outras tirarem a roupa, pois não suportavam mais o calor, além de cerca de trinta que se contorciam em chamas. Ele conta que teve que dar tapas na cara de alguns que pareciam paralisados, incitando-os a se salvarem. Quando a situação ficou mais dramática surgiu um helicóptero da FAB que pairou no terraço. Rodolfo pulou e agarrou-se à aeronave. Ficou com as pernas ao ar, mas foi salvo ao ser puxado para dentro[4] .
José dos Santos - 20 anos, residente no Jardim Peri, foi o penúltimo funcionário da Crefisul a ser resgatado e salvo pelos bombeiros. Estava no 18° andar quando ocorreu o incêndio e foi para a janela, onde teve que esperar por cerca de quatro horas. Para resgatá-lo os bombeiros tiveram que estender a escada de 45 metros até o 12° andar e prosseguir depois com uma pequena até o 16° andar. Depois, o próprio José amarrou uma corda nas travas da janela e desceu do 18° ao 16° andar, chegando então à escada dos bombeiros numa operação que durou meia hora[4] .
João Aparecido Frutuoso - 24 anos, analista de contas do Banco Crefisul, tinha organizado o grupo que deixou o 15° andar improvisando cortinas para a descida até o 13°, de onde todos passaram à escada com a ajuda dos bombeiros. Ele conta que viu muita gente cair do patamar do 14° andar, além de muitos que perderam os sentidos por conta da inalação da fumaça. Ficou com as mãos e pés queimados[4] .


Consequências

A parte do edifício que compreendia os escritórios da Crefisul foi totalmente destruída, mas estava segurada na Companhia Seguradora Santa Cruz. Os sete primeiros andares, de garagens, não foram atingidos pelas chamas. Essa parte, administrada pela Joelma, formava um bloco quase isolado do restante do edifício, tendo portas de emergência e de interligação. Todos os dezessete empregados do estacionamento se salvaram.[7] . Dos aproximadamente 756 ocupantes do edifício, 191 morreram e mais de 300 ficaram feridos[1] . A grande maioria das vítimas era formada por funcionários do Banco Crefisul de Investimentos[1] .

Segundo o vice-presidente do Crefisul, Garrett Bouton, 1.016 funcionários trabalhavam no edifício. Desse total, 861 ficavam nos andares superiores à garagem e cerca de 600 já haviam chegado quando o incêndio começou. A firma de limpeza Continental tinha 77 funcionários no prédio.

Até as 18 horas do dia da tragédia 125 dos 179 mortos no incêndio do edifício Joelma já tinham sido retirados do Instituto Médico Legal depois de identificados por parentes e amigos. Restaram 54 corpos, dos quais 12 identificáveis e o restante completamente carbonizado. Em 30 horas, do meio-dia até às 18 horas, aproximadamente 8 mil pessoas foram ao local, no bairro de Pinheiros, para reconhecer os cadáveres. O ambiente era de tristeza e até os funcionários não conseguiam esconder a emoção. Cinco mulheres desmaiaram enquanto faziam a identificação. O IML comprou 200 caixões e 50 coroas de flores para facilitar a retirada dos corpos. As vítimas foram colocadas no chão de quatro salas e pela manhã já exalavam um mau cheiro que os funcionários tentaram aliviar colocando incenso. O secretário dos Serviços Municipais, engenheiro Werner Zalouf, afirmou que cerca de 30 pessoas que morreram no incêndio e permaneceram no prédio não foram identificadas. Acredito que o calor durante o incêndio tenha superado 900 graus e nessa temperatura um corpo fica totalmente destruído, restando no máximo um quilo e meio de cinzas. A água que os bombeiros jogaram pode ter transformado tudo em lama[9] .

A tragédia do Joelma, que ocorreu apenas dois anos após o incêndio do Edifício Andraus, reabriu a discussão popular com relação aos sistemas de prevenção e combate a incêndios nas metrópoles brasileiras, cujas deficiências foram evidenciadas nas duas grandes tragédias. Na ocasião, o Código de Obras do Município de São Paulo em vigor era de 1934, um tempo em que a cidade tinha 700.000 habitantes, prédios de poucos andares e não havia a quantidade de aparelhos elétricos dos anos 70[10] .

A investigação sobre as causas do acidente, concluída e encaminhada à justiça, em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima, empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado. Além disso, os registros dos hidrantes do prédio estavam inexplicavelmente fechados, apesar do reservatório contar na ocasião com 29.000 litros de água[11] .

O resultado do julgamento foi divulgado a 30 de abril de 1975. Kiril Petrov, gerente-administrativo da Crefisul, foi condenado a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno, e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de dois anos[12] .

Após o incêndio, o prédio ficou interditado para obras por quatro anos. Com o fim das reformas, em outubro de 1978, foi rebatizado edifício Praça da Bandeira.


Repercussão na mídia

Pouco depois da tragédia, uma pequena produtora norte-americana produziu o curta-metragem Incendio, contando as causas e consequências do fogo, utilizando técnicas de animação gráfica e imagens da cobertura da imprensa.

Em 1978, foi lançado o filme norte-americano Catastrophe, um documentário de Larry Savadove, narrado por Willian Conrad, o qual versava sobre tragédias mundiais conhecidas, entre elas, a do edifício Joelma[13] .

Em 1979, foi rodado o filme Joelma 23º Andar, baseado no livro Somos Seis, do médium Chico Xavier, no qual é narrada a história de uma moça que morreu no incêndio chamada Volquimar Carvalho dos Santos. Contudo, no filme ela era intitulada Lucimar. O papel da protagonista foi interpretado por Beth Goulart.

A 30 de junho de 2005, o programa Linha Direta, da Rede Globo, exibiu o quadro Linha Direta Mistério, cujo tema era o edifício Joelma[14] .

A 5 de julho de 2008 foi transmitida no Jornal da Record uma reportagem da série Bombeiro: Herói de Todos que relembrou o acontecimento, mostrando várias cenas e o difícil salvamento. Nessa mesma reportagem foi abordado o incêndio do Edifício Andraus, ocorrido em 1972, o desastre do Bateau Mouche, barco que afundou na Baía de Guanabara, a 31 de dezembro de 1988, além da queda de parte do Elevado Paulo de Frontin, o qual desabou sobre carros e ônibus em 1971, matando mais de 40 pessoas.


Bibliografia

Henry Russell: Feuer – die grössten Katastrophen. Gondrom 1998, ISBN 3-8112-1671-6

Referências

1 - "Tragédia do Joelma foi a pior da cidade" - Folha Online
2 - "O fogo contra a cidade" - Veja, Edição 283, 6 de fevereiro de 1974
3 - "Incêndio Edifício Joelma" - Bombeiros Emergência
4 - Jornal do Brasil de 2/02/74, página 13
5 - "Revista: Cenas de NY lembram incêndio no Joelma" - Folha Online
6 - O Estado de S. Paulo de 2/02/74, pág. 10
7 - Jornal do Brasil de 2/02/74, página 12
8 - "Lugares 'mal-assombrados' viram lenda em SP" - G1
9 - Jornal do Brasil de 3/02/74, página 26
10 = "O incêndio do Edifício Joelma" - Jornal do Brasil
11 - "A culpa no Joelma" - Veja - Edição 307, 24 de julho de 1974
12 - "Notas" - Veja - Edição 348, 7 de maio de 1975
13 - Catastrophe, de 1978
14 - "O Enigma do Edifício Joelma" - Linha Direta


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Belinha Parte para o Plano Espiritual

 
Como algumas pessoas já sabem, Belinha não estava nada bem.
Estava com dor de barriga, não comia e quase não conseguia andar...
E se comia, acabava vomitando...
Na sexta quando acordei, estava bem pior, então fomos correndo para a Clínica Veterinária..
Fez raio X, exame de sangue e os resultados não foram nada animadores.
Em vez de melhorar, ela estava pior, principalmente o coração, que estava bem maior...
Tomou soro e medicamentos através dele.
Segundo a Médica Veterinária, o que a fez melhorar nos últimos dias, foi um tipo de esteroide que ela estava tomando.
Existem vários tipos e no caso da Belinha, era para dar forças, um "up".
Mas, é um medicamento que não deve ser a longo prazo e também, com o tempo, ele vai perdendo o efeito.
Lembrando que ele "não cura", apenas faz com que o paciente se sinta com mais energia...
Nos exames, principalmente no raio X, pude ver o quanto o corpinho dela estava pior...
Voltamos para casa, mas ela nada melhorou.
No sábado, ela estava pior... Continuava só bebendo água, mas quase não conseguia se manter em pé.
Por volta 17:30 ela começou novamente a ter diarreia e depois da segunda defecação, parou de se locomover completamente.
Coloquei-a em cima de um cobertor dobrado várias vezes, como se fosse uma caminha.
Ela começou a uivar de dor, defecar água e se urinar...
Só se mexia na hora de uivar, pois acredito que tinha muitas dores.
Não sei quantas vezes se urinou e defecou, perdi as contas de quantas vezes a limpei...
Tive que trocar o cobertor e coloquei tapetes higiênicos abaixo da cintura dela, para a urina e fezes, pois seria mais fácil de trocar...
Liguei para uma amiga que sugeriu que levasse ela a clínica, mas sábado de noite, está tudo fechado.
E na verdade, não sei explicar exatamente como, mas senti que era chegada a hora de sua partida e transportá-la num carro traria mais estresse, além de que, na clínica, com certeza a manteriam longe de mim...
Não foi fácil... Ela uivava de dor, se sujava toda, mas comecei a orar muito à Deus para que nos amparasse naquele momento. Principalmente, minha filha, que não a deixasse sofrer muito...
Eu nunca tinha passado por nada parecido na minha vida...
Você ver alguém que ama sofrendo e você não podendo fazer nada...
É um sentimento horrível, de impotência... Eu não saberia descrever em palavras quantas coisas se passaram por minha cabeça...
A única coisa que me deu forças, foi minha fé em Deus! 
Eu fiquei ali, deitado ao lado dela, massageando sua barriguinha, conversando com ela, orando à Deus, até que às 19:34 ela deu seu último suspiro...
Chorei... Chorei de dor, mas chorei também por saber que ela estava livre daquele corpo que estava fazendo-a sofrer..
Mas, não vou mentir, naquele momento deixei minhas lágrimas correrem livremente... Deixei extravasar toda angústia e sofrimento de todos estes dias, semanas...
Se há algo que aprendi quando o Cão partiu, é que devemos colocar tudo para fora!!!
E foi o que eu fiz...
Fiquei ali com minha filha, fazendo carinho, chorando e agradecendo à Deus por ter colocado ela em minha vida por tantos anos...
Depois, mais calmo, peguei uma caixa que já tinha providenciado a dias atrás, coloquei uma tolha, deitei-a, cobri seu corpinho com outra toalha, mas só do pescoço para baixo.
Coloquei seu brinquedo predileto e pela manhã sai para comprar flores para colocar junto.
Parecia que minha menina estava dormindo...
No domingo à tarde, minha amiga e seu amigo vieram nos buscar e nos levar para o crematório...
Uma hora depois, eles ligaram avisando que ela tinha sido cremada às 16:05...
No dia 7 de outubro, a médica achava que ela não tinha um mês de vida...
Eu não sabia quando ou onde a passagem da Bel ia acontecer.
Então, providenciei uma caixa e a embrulhei com um papel que tinha folhes com vários tons de rosa...
Deixei a caixinha preparada, justamente se acontecesse como aconteceu, em casa e longe do horário de cremação, porque o corpo enrijece rapidamente e eu queria que minha filha ficasse linda, mesmo que ali só estivesse o corpo.
Como pai, me senti na obrigação de pensar em tudo e estar preparado para tudo.
Quero agradecer em especial à algumas pessoas muito queridas que me ajudaram muito: Erika, Mari, Kelly e Akito-San.
Agradeço de coração à vocês por toda ajuda!!! Podem ter certeza que jamais esquecerei!!!

Bom, talvez algumas pessoas achem estranho eu ter entrado em tantos detalhes, mas como eu sempre escrevo, o principal objetivo deste blog é poder ajudar através de minhas experiências, outras pessoas.
E eu creio que é em alguns detalhes que as pessoas aprendem mais, pois quando passamos por algo do tipo, muitos "pulam" os detalhes e nos deixam "às cegas"....

Vou ficando por aqui...
Abraços.

Wilson, Pingo e Hiro.