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quinta-feira, 17 de março de 2011

Entenda o que está ocorrendo na usina nuclear de Fukushima





Não se pode negar que a usina nuclear de Fukushima passa por um momento crítico desde o terremoto ocorrido na última sexta-feira. Já ocorreram quatro explosões e dois incêndios, além de existir o risco de danos nos reatores.


A Tokyo Electric Power Company (Tepco), que administra a usina, tem tomado medidas para evitar uma tragédia nuclear, mesmo que isso implique na liberação de vapores radioativos na atmosfera em quantidade que, segundo o governo, não prejudica a saúde.

Na terça-feira 15, índices anormais de radiação foram registrados na região Kanto. Em Ibaraki, que fica ao sul de Fukushima, o nível chegou a 5 microsieverts por hora (ou 0,005 milisieverts), uma quantidade 100 vezes maior que o normal. Considerando que em um exame de raio-x o paciente absorve 4 milisieverts, trata-se de um número irrisório.

Mesmo assim, muitas pessoas têm demonstrado medo por causa de uma possível contaminação. A companhia aérea Lufthansa, por exemplo, está desviando todos os voos com destino a Narita para aeroportos de Aichi e Osaka.


Nas proximidades da usina nuclear de Fukushima, o nível chegou a 400 milisieverts (4 mil microsieverts). Apesar de ser um número bem superior ao normal, a radiação se espalha pela atmosfera e reduz de nível conforme vai se distanciando do foco.

O primeiro-ministro Naoto Kan determinou que todos os moradores de regiões ao redor da usina desocupem o local. Ele pediu também que aqueles que estão em um raio de 20 a 30 quilômetros de distância da usina permaneçam dentro de suas casas.

A usina é composta por duas unidades, sendo uma (Daiichi) com seis reatores e outra (Daini) com quatro. Veja abaixo a situação atual de cada um deles.

Usina Daiichi

Reator 1
Após o terremoto, o sistema de resfriamento foi danificado. Normalmente, o resfriamento é feito pela injeção constante de água no interior do reator. O nível de água baixou, deixando à exposição as barras de combustível (urânio). Para evitar um superaquecimento, parte do vapor que se forma no interior do reator foi liberado na atmosfera. Esse vapor contém uma certa quantidade de radiação, mas a usina alega que esse é a única saída para evitar uma tragédia maior. No dia 12, houve uma explosão na estrutura superior de proteção do reator por causa do acúmulo de hidrigênio. O governo disse que o reator não foi danificado. Para fazer o resfriamento, a usina está colocando água do mar no reator.

Reator 2
Assim como no reator 1, o sistema de resfriamento foi danificado e o combustível, que adquire alta temperatura, ficou exposto, acima do nível da água. Na manhã do dia 15, ocorreu uma explosão no compartimento de controle da pressão, com a possibilidade das barras de urânio terem derretido por causa do baixo nível de água. Esse material pode danificar a estrutura do reator. O nível aumentou com a injeção de água do mar.

Reator 3
No dia 13, o sistema de resfriamento parou de funcionar, com a possibilidade do combustível ter derretido. Vapores radioativos foram eliminados na atmosfera, ao mesmo tempo que a usina bombeou água do mar para evitar o aquecimento do reator. No dia 14, a estrutura superior de proteção do reator explodir por causa do acúmulo de hidrogênio. No dia 15, houve registro de um alto índice de radiação, de 400 milisieverts. Na manhã do dia 16, uma torre de fumaça saía do reator. O porta-voz do governo, Yukio Edano, disse que existe a possibilidade do reator ter sido danificado.

Reator 4
No momento do terremoto, estava parado para vistoria de rotina. No dia 15 de manhã, ocorreu um incêndio, provavelmente causado pela reação de combustível usado com hidrogênio. Por falta de meios para medir o nível de água dentro do reator, o trabalho de injeção de água do mar não está sendo feito. No dia 16, um incêndio foi registrado e existe a possibilidade de uma fissão nuclear (reação). Para evitar maiores riscos, a usina planeja derramar ácido bórico sobre o reator, de helicóptero. O ácido bórico tem a capacidade de absorver o nêutron liberado na fissão.


Reatores 5 e 6
No momento do terremoto, estavam parados para vistoria de rotina. Um aumento da temperatura da água ao redor do reator foi verificado.

Usina Daini

Reatores 1, 2 e 4
Após o terremoto, a sistema de desligamento automático foi ativado, mas a máquina de resfriamento parou de funcionar. Com a liberação de vapor radioativo na atmosfera, a temperatura caiu e os reatores estão sob controle.

Reator 3
Após o terremoto, a sistema de desligamento automático foi ativado. Sem sofrer danos, o resfriamento foi obtido com sucesso.


Os efeitos da radiação

2,4 milisieverts - equivale a uma quantidade de radiação que uma pessoa absorve naturalmente durante um ano

4 milisieverts - um exame de raio-x

100 milisieverts - aumenta o risco de produção de células cancerígenas

150 milisieverts - risco de infertilidade entre os homens por alguns instantes

500 milisieverts - redução na produção de glóbulos brancos, responsáveis pelo sistema de defesa do organismo

650 milisieverts - risco de infertilidade entre as mulheres por alguns instantes

1.000 milisieverts - causa de ânsia de vômito, tontura e outros sintomas, com necessidade de internação

2.000 milisieverts - possibilidade de morte

Fonte: Alternativa Online

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