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sábado, 15 de janeiro de 2011

Os exemplos de Chico Xavier


Mauro Reis Pumar leva a mensagem do médium a brasileiros de várias partes do Japão
Antônio Carlos Bordin

Neste ano estão sendo comemorados os 100 anos de nascimento daquele que foi considerado o maior médium do Brasil, Francisco Cândido Xavier, ou simplesmente Chico Xavier.

Em sua homenagem, o cinema brasileiro lançou e ainda lançará filmes que têm alguma relação com o médium ou com as obras deixadas por ele. Pode-se citar títulos como Chico Xavier – O Filme, As cartas, As mães de Chico, E a vida continua e Nosso lar.

Em algumas destas obras é possível visualizar muitos dos exemplos deixados pelo médium. Chico Xavier costumava encarar os agressores com muito jeito e bondade, muitas vezes até com certa dose de bom humor. Para se ter uma ideia, os céticos, que não davam sossego a ele, diziam que o médium seria desmascarado e que iria cair. Ele, porém, dizia que não iria cair, pois nunca havia se levantado.

Para quem não conheceu muito sobre Chico Xavier, um engenheiro que se dedica ao Espiritismo desde 2008 tem dado palestras em várias regiões do Japão, nas quais destaca os exemplos de vida do médium. Mauro Reis Pumar, 52, vive em Tóquio e tem levado a mensagem de Chico através da Comissão de Integração do Movimento Espírita do Japão e da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Japão. Veja nesta entrevista alguns dos tópicos citados por Pumar em suas palestras.

Revista Alternativa: Quais são os exemplos deixados por Chico Xavier?

Mauro Reis Pumar: Um dos exemplos deixados pelo Chico foi a aceitação e a resignação. Muitas pessoas confundem esta última qualidade, achando que a resignação nos impede de lutar contra as dificuldades e vencer, o que não é verdade. A aceitação das limitações que a vida nos impõe é uma arte importante e pedra fundamental para a felicidade, assim como a luta como objetivo para as coisas que podemos mudar. A habilidade que temos de desenvolver é saber quais são as coisas que podemos mudar e quais as que não podemos e temos que nos resignar. Chico enfrentou desde cedo a ausência de sua mãe (Maria João de Deus), que faleceu quando ele tinha 5 anos apenas. Sofreu os maus-tratos de sua mãe de criação (dona Ritinha), enquanto aguardava a chegada do anjo que sua mãe lhe prometera, e que viria a ser sua madrasta (ou melhor, “boadrasta”, Cidália Batista). Nesta infância repleta de dificuldades, quando a sua mediunidade tão forte o levava a ser considerado como louco e que o levou a abandonar os estudos e a trabalhar muito cedo para não ser internado em um manicômio, Chico encontrou sempre nas conversas com sua mãe já desencarnada e na esperança de um futuro melhor, forças para se resignar diante da estrada espinhosa, e caminhar adiante determinado. Ele enfrentou vários problemas de saúde (nos olhos, desde criança; dois enfartos; cinco cirurgias de alto risco etc.), que fizeram com que vivesse sempre resignado com as limitações, mas retirando delas todo o potencial que poderia ser utilizado em prol dos menos afortunados e sofredores.

Alternativa: Que outros exemplos poderia citar?
Mauro: Disciplina foi tudo o que lhe pediu seu mentor espiritual Emmanuel, e foi a base de sua vida. Atendia as pessoas religiosamente, trazendo-lhes mensagens de esperança, independente das suas próprias aspirações pessoais. Soube encontrar alegria no auxílio aos semelhantes. Ele também foi exemplo de solidariedade. A dor do outro sempre encontrou eco em seu coração. Um exemplo que marcou muito foi quando, não tendo dinheiro para ajudar a enterrar o seu ex-patrão, Chico vai esmolar na rua para arrecadar fundos para, no mínimo, lhe comprar um caixão digno. Chico também viveu exemplificando o desapego à matéria. Sempre se recusou a receber qualquer auxílio pecuniário pelos trabalhos mediúnicos realizados, tanto nas mensagens no Centro em Pedro Leopoldo e posteriormente em Uberaba, quanto nos mais de 420 títulos publicados. Muito pelo contrário, em geral doava quase a totalidade da sua aposentadoria de funcionário público para instituições de caridade.

Alternativa: Fala-se que ele tinha poucas roupas para usar.
Mauro: É verdade. Ele possuía apenas dois ternos, pois enquanto usava um, o outro era lavado. Uma vez lhe roubaram o terno reserva e ele ficou em apuros, e como seus irmãos prepararam uma armadilha para prender o recalcitrante quando este voltasse para roubar mais, Chico ofereceu-se para ficar de guarda e preparou uma trouxa de roupas como isca. Acontece que ao ver o viciado a pegar coisas alheias, ele deixou-o fugir antes de dar o alarme. Seus irmãos ficaram muito chateados com o episódio e resolveram não se preocupar mais com o Chico. Mas o que eles não sabiam é que Chico havia deixado dentro da trouxa um bilhete para o ladrão, escrito assim: "Vá com Deus". Muito tempo depois esta pessoa o reencontra, lhe pede perdão e lhe diz que ao ler seu bilhete entendeu que não mais poderia roubar e que havia modificado sua vida desde então. Enquanto a sociedade moderna discute temas como pena de morte e trabalhos forçados, Chico nos dava aulas de como recuperar pessoas.

Alternativa: Existe uma palavra que possa descrever o Chico?
Mauro: Sim, se tivéssemos que usar apenas uma palavra para descrever o Chico Xavier, penso que utilizaríamos humildade. Ele soube sempre se colocar como intérprete dos espíritos e nunca como autor da obra. Soube ser respeitoso diante até mesmo dos que mais lhe combateram, granjeando a amizade de todos, independente até mesmo das diversas religiões que possuíam.

Alternativa: Por que o Chico tem tanto impacto sobre o povo brasileiro?
Mauro: O povo brasileiro sempre teve o Chico com muito amor e respeito, inclusive o indicando em 1981 para o Prêmio Nobel da Paz, com mais de 10 milhões de assinaturas em abaixo-assinados. Ora, não temos ainda hoje este número de espíritas no Brasil, o que demonstra que o apoio e o reconhecimento emanavam de pessoas de outras religiões, reconhecendo o homem de bem Chico Xavier, e não o médium espírita. Acho pessoalmente que o povo brasileiro sempre se caracterizou pela solidariedade. Nas visitas fraternas que tive oportunidade de fazer em minha vida, em hospitais, leprosários, orfanatos, asilos etc., sempre encontramos grupos de outras religiões e a união e alegria de compartilharmos o ideal da caridade sempre nos uniu e fortaleceu. Para quem sofre não faz diferença se a ajuda vem de um espírita, católico, evangélico, budista ou ateu. Acho que é assim que o brasileiro enxerga as pessoas que devotam as suas vidas em benefício do próximo: sem preconceitos.


Alternativa: Neste ano há várias produções cinematográficas prontas ou em fase de produção que tratam de Chico Xavier. Por que há esse foco tão grande nos temas relacionados ao médium?
Mauro: Estamos comemorando o centenário de nascimento de Chico Xavier (2 de abril de 1910), daí os diversos filmes e livros sobre ele. Mas a despeito da data comemorativa, a cada dia que passa existem mais novelas, filmes e livros sobre o tema, não só no Brasil mas em todo o mundo. Penso que a humanidade não mais se satisfaz com uma vida sem saber de onde viemos e para onde vamos. Esta necessidade impulsiona o homem a buscar uma religião, pois não tolera a ideia de que tudo se acabará em alguns anos, e aliado à necessidade dos porquês, estudar e conhecer melhor a vida após a morte do corpo físico. Os homens discutem e combatem muito as diversas religiões, sempre na presunção de que a deles é a verdadeira e as outras estão erradas, mas é sempre muito difícil explicar as diversas teorias distantes para uma mãe que cerra os olhos de seu filho em um beijo de adeus, e só quer mesmo saber é se ele ficará bem do outro lado e se um dia se encontrarão novamente. Chico Xavier já se foi. Mas seus exemplos de vida e os livros que psicografou ficarão para sempre.

Perfil do entrevistado
Mauro Reis Pumar, 52, conheceu o Espiritismo há mais de 25 anos. Presidiu dois centros espíritas no Brasil e participou ativamente do Movimento Espírita do Rio de Janeiro. Está no Japão desde 2008, ao vir trabalhar como engenheiro na Petrobrás.

Perfil de Chico Xavier
Nasceu em 2 de abril de 1910 e morreu no dia 30 de junho de 2002, aos 92 anos, justamente na data em que o Brasil comemorava a conquista da Copa do Mundo diante da Alemanha no Japão.

Fonte: Alternativa Online

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