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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Desabafo: Filho de um Alcoólatra - Parte 01


Alguns dias atrás, minha querida amiga Elaine do Blog "De Dentro para Fora", http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/, fez uma postagem sobre alcoolismo.
Deixei meu comentário e decidi que iria escrever sobre isso aqui.
Sou neto e filho de alcoólatras.
Contava minha avó paterna que a primeira vez que ela viu meu avô bêbado foi na lua de mel...
Imaginem...
Ela disse que não sabia antes de se casar que meu avô tinha problemas com bebidas alcoólicas...
Contava que desse dia em diante, ele bebia sempre...
Seu casamento virou um inferno.
Pensou em se separar, mas naquela época, isso não era tão comum como nos dias de hoje e ela que se importava tanto com o que os outros pensavam, continuou casada.
Apesar do vício, meu avô nunca deixou de trabalhar, sustentar a casa e tal.
Mas, nos finais de semana, nas noites, a casa virava um inferno.
Houve uma certa vez, num final de semana, que minha avó levou meu pai e minha tia para passear, pois era melhor que ficar em casa.
Na volta, meu avô tinha trancado a casa por dentro e eles não tinha como entrar...
Não me lembro como, mas meu pai entrou por uma janela ou algo parecido e quando conseguiu entrar na casa, meu avô estava mirando a arma que tinha nele.
Foi um alvoroço total...
Lembro-me das histórias que minha avó contava e meu pai...
Nós, em casa, não tivemos esse problema até eu completar meus 10 anos mais ou menos.
Foi quando meu pai começou a beber...
O casamento de meus pais ia de mal a pior, então minha mãe decidiu trabalhar fora, no período da noite, quando meu pai estivesse em casa.
E foi assim que meu inferno começou...
Eu estava na adolescência, uma fase já não muito fácil e pra complicar, sozinho.
A família de meu pai via minha mãe como uma intrusa e eu como o filho dela.
Para eles minha mãe não tinha nome, era a "Japonesa" e eu "O Filho da Japonesa".
Lembro-me em minha infância, quando minha avó me levava na casa das irmãs ou amigas e sempre fazia algum elogio a mim e elas diziam "Ele não é seu neto, olhe para ele!!! Ele é japonês!!!"
Preciso explicar que a família de meu pai é de origem italiana e espanhola. Minha avó era loira de olhos azuis, meu pai, olhos verdes.
Eu, um mestiço: cabelos e olhos bem pretos e meio amarelo rs
Minha avó gostava muito de mim, eu sentia isso. Meu pai era o mais velho. Eu fui seu primeiro filho. Era o primeiro neto, o primeiro sobrinho.
Mas, minha avó com o tempo foi mudando e sei que era por causa do que sua família, principalmente as irmãs falavam...
Mas, a vida continua... rs
Bom, meu pai começou a beber muito e começou então a se descontrolar.
A noite, ficávamos apenas eu, ele e meu irmão menor em casa.
Minha mãe trabalhava das 18:00 horas até a 0:00 horas no finado Mappin Itaim. Como morávamos na Rua Pedroso Alvarenga, uns 15 minutos andando, não tinha problema dela ir e vir sozinha.
Bom, quantas noites meu pai depois de beber muito, perdia a paciência e começava a me bater sem motivo algum?!
Às vezes jogava garrafas, copos em cima de mim que se espatifavam ao cair no chão e ele me fazia limpar tudo depois do "show".
Quantas vezes meu irmão fazia alguma bobagem de criança e ele ficava nervoso e resolvia bater nele.
Como o menino era pequeno, eu me colocava na frente e apanhava.
Socos, tapas, chutes.
Sem saber o que fazer, fui conversar com minha avó, mãe dele. Contei tudo e sabe o que ela fez?!
Disse para todos que eu estava me drogando... Que fumava maconha...
Eu nunca tinha feito nada disso, mas foi o modo que ela encontrou de "defender" o filho que tanto amava...
Eu, menino, adolescente, comia muito. Acho que todos sabem que os meninos quando entram na adolescência comem bastante.
Eu não sabia e nem sabia que gente que fuma maconha depois que o efeito passa, come bastante.
Foi assim, que minha avó fez todos pensarem que eu me drogava...
Eu que já era mal visto por todos da família, fui chamado de "ovelha negra".
Minha mãe nessa época estava passando por uma "estafa" (hoje seria depressão), muito grande na época devido ao casamento "de aparências" e tal.
Tentei contar a ela, pedir socorro, mas ela me disse que ela não ia se meter nos problemas entre meu pai e eu.
Tentei conversar então com algumas pessoas que também não acreditaram em mim, pois meu pai fora de casa era um verdadeiro cavaleiro. Um lord!!! E como minha fama de "ovelha negra" era conhecida...
Ninguém acreditava que aquele homem bom, gentil, prestativo, era dentro de casa um monstro.
E assim anos se passaram e eu continuei apanhando.
Quando tinha 16 anos, a bebida já o dominava completamente.
Meus pais perderam tudo que tinham financeiramente e fomos morar na casa de minha avó de favor.
Eu não precisava trabalhar, mas comecei logo, pois não queria ficar em casa a noite.
Assim, arranjei um emprego numa locadora e depois numa academia de ginástica.
Não éramos ricos, mas dinheiro nunca nos faltou.
Eu tinha de tudo, tudo que queria. Meu salário não durava dois dias... Eu nesta época comecei a sair a noite, ir para as baladas. Fazia de tudo para não ficar em casa.
Quando fomos morar na casa de minha avó, foi um susto muito grande e uma mudança radical.
Não vou entrar em detalhes. Apenas me lembro que minha mãe deixou bem claro que não tínhamos mais dinheiro para nada. Que eu ia ter que começar a ajudar nas despesas da casa com metade do meu salário.
Eu entrei em choque, pois como escrevi acima, meu salário durava dois dias e o resto meus pais bancavam... Aquilo para mim era chocante.... Desesperador...
Então larguei meus estudos e comecei a trabalhar na academia das 07:00 horas até as 22:00hs.
Ai saia de lá, ia até o Mappin e esperava minha mãe até as 23:00 horas e íamos para casa.
Minha avó morava em outro bairro, distante e tínhamos que tomar dois ônibus.
Foi uma mudança radical na minha vida, mas íamos vencer.
Meu pai bebia o dia todo, não fazia nada e minha avó deixou a casa dela para nós. Ficava indo na casa da filha ou das irmãs.
Eu acordava todos os dias as 4:00 da manhã, saia de casa as 5:00 horas e chegava por volta das 0:00 horas.
Imaginem como eu estava cansado.... Para quem morava no Itaim Bibi. Estudava três quadras de casa, trabalhava na mesma rua que morava... enfim...
Um dia ao voltar para casa, fiquei sabendo que meu pai tinha pego uma cachorra na rua... Ela estava no cio...
Ela ficou presa no pomarzinho que minha avó tinha.
Durante a madrugada toda o cachorro que ficava no quintal da casa de minha avó latia para ela. Fora os cachorros da rua...
Eu estava exausto, mas não conseguia dormir com todos aqueles latidos...
Meu irmão era pequeno, uma cachorra da rua tinha que ser levada ao veterinário, pois podia ter alguma doença e tal... Mas, como gastar dinheiro em veterinário se não tínhamos nem  para as despesas básicas?!
Eu estava me matando de trabalhar como nunca na minha vida...
De manhã, sem pensar em nada, eu catei aquela cachorra e coloquei ela pra fora de casa... Eu precisava dormir, era meu primeiro sábado de folga depois de meses...
Os vizinhos estavam todos na rua, em frente a suas casas, conversando, brincando com seus filhos, pois era um sábado de manhã...
Meu pai quando viu o que fiz, veio correndo pra cima de mim.
Agarrou minha camiseta e me jogava de um lado para o outro.
Rasgou minha camiseta toda e todos viram a cena e nada fizeram.
Me levou para dentro de casa e começou a me dar murros como sempre.
Eu estava cansado daquilo tudo, cansado de apanhar, cansado do trabalho e não sei da onde tirei forças, mas empurrei meu pai com tudo.
Eu disse a ele que estava cansado daquilo e que ele só me batia porque eu não revidava.
Ele ameaçou a vir me bater novamente, mas eu deixei bem claro que se ele o fizesse era para me matar, caso contrário eu iria matar ele...
Minha mãe chegou nesta hora e foi uma briga daquelas...
Assim, minha mãe decidiu finalmente deixar meu pai.
Ela não aguentava mais tudo aquilo: sustentar marido bêbado, violento e tudo mais.
Existem outros motivos, mas não quero escrever sobre o que aconteceu com eles...
E assim, nos mudamos um mês depois e eu, não queria ver meu pai ou falar com ele nunca mais...

Abraxos
 

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9 comentários:

  1. Sei exatamente o que descreveu, meu pai até hj é alcoólatra e na adolescência tinha vergonha dele , mas aprendi que isso é uma doença grave, tenho pena dele mas se ele não tiver força de vontade nunca vai ser curado, só Deus sabe o que passei na minha adolescência! beijos ☻

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    1. Simone,

      realmente aprendemos muito com o passar dos anos...
      E realmente, só ele pode resolver isso...
      Nossas lembranças muitas vezes são muito dolorosas...
      Beijos

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  2. Como a Simone e vc, eu também vivi problemas em casa com a bebida...é horroroso mesmo. E na cabeça da criança isso fica marcado de várias maneiras.
    Grande abraço

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    1. Pois é Luciana.
      Marca mesmo...
      Não entendo é o poque de pessoas que tiveram este problema em casa, agem da mesma maneira...
      Beijos

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  3. Olá amigo, mas que depoimento impressionante, infelizmente esta é uma realidade muito cruel e marcante, sem dúvida.
    Beijinhos de Luz!
    Ana Maria

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  4. Olha tenho 29 anos e ainda vivo esse pesadelo em casa, desde que vim ao mundo meus pais bebem e brigam feio, e sou casada e vivo minha vida mais ainda sou atormentada, pois hora outra eu tenho noticia de que os dois se espancaram.! Quando estou presente fico sem saber o que fazer e me sinto uma criança indefesa.As agressoes marcam de forma muito negativa a nossa vida.

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    1. Mannoella...
      Que triste...
      Fico muito triste com o que escreveu...
      Nossa, ainda vivem assim!?
      Acredito que ainda fique paralisada...
      São coisas que nos marcam para a vida toda...
      Beijos

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  5. Eu não aguento mais meu Pai. Bêbado, drogado e imundo. Perdeu tudo. A dignidade, o emprego, o respeito. Sai duas horas da manhã em busca de maconha e fuma na nossa frente dentro de casa, inferniza a minha vida e a da coitada da minha mãe. Ela trabalha o dia inteiro para chegar e encontrar esse maldito fumando maconha e bebendo cerveja. Me chama de gorda, sendo que eu peso 53 kg e já fui anoréxica( ele sabe disso, já cheguei a pesar 35 kg) só para me deixar triste e para eu voltar a definhar e morrer lentamente. É chantagista. Eu odeio ele. Vai bêbado nos lugares onde eu estou para me chamar de gorda. Me constrange na frente de todo mundo dizendo que eu sou feia e outras brincadeiras maldosas. Já foi no colégio onde eu estudo bêbado. Eu não queria ter nascido. Se fosse para ser humilhada por todo mundo, ser motivo de piada eu preferia ter morrido no útero. Eu odeio a minha vida.
    Estou estudando muito para passar em algum vestibular e já entreguei muitos currículos. Quero juntar dinheiro e ir embora. Eu já tive um surto psicótico por que ele estava me infernizando 24 horas por dia. Já tentei suicídio duas vezes. Eu só quero morrer para tudo isso passar.Ou viver em algum lugar melhor.

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