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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O valor das coisas


Era uma vez um homem que tinha muitos pés de romãs em seu pomar.
Por muitos outonos ele colocava suas romãs em bandejas de prata, do lado de fora de sua casa, e em cima punha cartazes com os seguintes dizeres:
Apanhe uma, de graça. Seja bem-vindo.
As pessoas passavam, olhavam, mas nenhuma delas apanhava uma fruta.
Então, depois de muitos outonos, o homem refletiu e tomou uma decisão. No próximo outono ele não pôs as romãs em bandeja de prata fora de sua residência. Pôs apenas um cartaz bem alto que dizia:
Temos aqui as melhores romãs da terra, mas as vendemos por um valor maior que quaisquer outras romãs.
Qual não foi sua surpresa quando todos os homens e mulheres da vizinhança vieram correndo comprar.
* * *
Essa pequena parábola de Khalil Gibran, embora pareça simples, nos traz lições valiosas.
Nos dias atuais há pessoas que, a exemplo daquele povo, desprezam as coisas simples ou que são de graça e passam a valorizá-las quando têm que pagar alto preço por elas.
É um conceito equivocado de que o que é de graça ou muito barato, não presta.
Se ouvimos o anúncio de um espetáculo qualquer, um concerto, uma peça teatral, cuja entrada seja franca, logo pensamos que não vale a pena assistir.
Se é o convite para uma palestra em que não se cobrará ingresso, logo imaginamos que não pode ser coisa boa.
Mas, se ao contrário, ouvimos a chamada para uma palestra de um profissional qualquer, cujo ingresso custará um alto valor, ficamos logo entusiasmados e pensamos que vai ser muito boa.
O que costumamos fazer, nesses casos, é julgar o valor das coisas pelo seu preço, o que nem sempre é uma realidade.
O verdadeiro afeto de um amigo, por exemplo, não é cobrado. E muitas vezes nós não o valorizamos tanto quanto valorizamos um cliente, que significa para nós um investimento financeiro.
O carinho de uma mãe não nos custa nada, mas é mais valioso que qualquer bem da Terra.
Há muitas coisas que nos chegam de graça, mas são de valor inestimável. Talvez seja por isso que não tenham preço em moeda.
O ar que respiramos nos chega gratuitamente, e sem ele não viveríamos.
A água que nos sustenta a vida, Deus nos dá de graça.
O perfume que as flores espalham, não nos custa nenhum centavo.
O sol que nos aquece e ilumina, jamais nos foi cobrado.
E o maior palestrante, professor, pedagogo, psicoterapeuta, médico e amigo da Humanidade que a Terra conheceu, nunca cobrou um único centavo por Seus ensinamentos, e foram dos mais valiosos que se tem notícias.
E é possível que, se Jesus fosse proferir o Sermão da Montanha em nossa cidade, no dia de hoje, com entrada franca, pouca gente compareceria.
* * *
É importante que passemos a ver as coisas pelo seu real valor e pela importância que pode representar em nossas vidas.
Há coisas que custam muito e nada acrescentam na nossa economia moral.
E há outras que não custam nenhuma moeda, mas que são de alta valia para nosso bem-estar físico e mental.
Pense nisso!

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
As romãs, do livro O errante, de Gibran Khalil Gibran.
Em 13.10.2010.

4 comentários:

  1. Gostei do pensamento. Em muitos casos não damos valor ao simples, mesmo sabendo que esse simples é essencial à vida.

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    Respostas
    1. é verdade Bruno.
      Obrigado pelo comentário.
      abraxos

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  2. Genial...bom pra pensar, como sempre...

    bjks!

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