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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O filho


Um homem muito rico e seu filho tinham grande paixão pela arte. Possuíam obras de grande valor na sua coleção, de Picasso a Rafael.

Sempre se sentavam juntos para admirar aquelas preciosidades.

Quando o conflito do Vietnam surgiu, o filho foi para a guerra e deixou o pai com o coração partido.

Durante uma batalha, enquanto resgatava um soldado ferido, o jovem foi morto.

O pai recebeu a noticia e sofreu profundamente a morte do seu único filho.

Um mês mais tarde, alguém bateu na porta da sua casa. Um jovem com um enorme pacote nas mãos lhe falou:

O senhor não me conhece, mas sou o soldado pelo qual seu filho deu a vida. Ele salvou muitas vidas naquele dia e estava levando-me a um lugar seguro, quando uma bala o atingiu no peito e ele morreu na hora.

Ele me falava sempre do senhor e do seu amor pela arte. Por isso, eu gostaria que o senhor aceitasse um presente.

Entregou-lhe o pacote e disse com carinho:

Eu sei que isto não é muito pois não sou um grande artista, mas acredito que seu filho ia gostar se o senhor o recebesse.

O pai abriu o pacote e surpreendeu-se com um retrato do seu filho amado.

Ele contemplou, com profunda admiração, a maneira como o soldado tinha retratado a personalidade do seu filho na pintura.

Ficou tão atraído pela expressão dos olhos do seu filho que os seus próprios marejaram de lágrimas.

Agradeceu ao jovem soldado e ofereceu-se para pagar-lhe pelo quadro.

Oh, não senhor, falou o rapaz. Eu nunca poderia pagar pelo que seu filho fez por mim. É um presente. Aceite-o, juntamente com a minha gratidão.

O pai pendurou o quadro acima da lareira e, cada vez que os visitantes e convidados chegavam a sua casa ele lhes mostrava o retrato do seu filho, antes de mostrar sua famosa galeria.

Aquele pai morreu alguns meses mais tarde e realizou-se um leilão para todas as pinturas que possuía.

Muita gente importante e influente foi ao leilão com grandes expectativas.

Sobre a plataforma estava o retrato do seu filho. O leiloeiro bateu o seu martelo para dar início e falou: Começaremos o leilão com este retrato do seu filho. Quem vai fazer a primeira oferta por este quadro?

Fez-se um grande silencio. Então, uma voz, no fundo do salão, gritou:

Queremos ver as pinturas famosas! Esqueça-se desse!

No entanto o leiloeiro insistiu:

Alguém oferece algo por esta pintura? Cem mil dólares? Duzentos mil dólares?

Outra voz gritou com raiva: Não viemos aqui por esta pintura! Viemos para ver as de Van Gogh, Rembrant, Rafael, Picasso...

Vamos às ofertas de verdade!

Ainda assim, o leiloeiro continuava seu trabalho. O filho, o filho, quem vai levar o filho?!

Finalmente, uma voz vinda dos fundos se fez ouvir: Eu dou dez dólares pela pintura!

Era o velho jardineiro do pai e do filho. Sendo muito pobre, era só o que podia oferecer.

Temos dez dólares, quem dá vinte? Gritou o leiloeiro.

Outro grito se ouviu ao fundo: Mostra-nos de uma vez as obras de arte!

Uma vez mais o leiloeiro insistiu: Dez dólares pela oferta! Dará alguém vinte?

A multidão já estava inquieta. Ninguém queria o retrato do filho e sim as que representavam valioso investimento para suas próprias coleções.

Por fim, o leiloeiro bateu o martelo e falou: Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Vendida por dez dólares!

O homem que estava sentado na segunda fila gritou feliz: Até que enfim começaremos com a coleção!

O leiloeiro soltou o martelo e disse: Sinto muito, damas e cavalheiros, mas o leilão chegou ao fim.

Mas, onde estão as pinturas? Perguntaram assustados.

Sinto muito, falou o leiloeiro. Quando me chamaram para dirigir este leilão, foi-me falado de uma condição estipulada no testamento do dono da coleção.

Eu não estava autorizado a revelar até este momento, mas agora posso falar. Somente a pintura do filho seria leiloada. Aquele que a adquirisse herdaria absolutamente todos os bens do falecido, incluindo sua coleção de obras de arte.

Assim, o homem que ficou com o retrato do filho herdou tudo.

* * *

Não há bem que possa valer mais do que um filho.

Um verdadeiro afeto se constitui num dos mais valiosos e duradouros patrimônios da alma.



Redação do Momento Espírita com base em conto de autoria ignorada.
Em 15.10.2010.

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