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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

22 de setembro de 1762 - Coroamento de Catarina, a Grande.





Catarina II, a Grande (em russo: Екатерина II Великая, transl. Yekaterina II Velikaya, nascida Sofia Augusta Frederica von Anhalt-Zerbst ; em alemão Sophie Friederike Auguste von Anhalt-Zerbst; Stettin, 2 de Maio de 1729 - Tsarkoie Selo, 16 de Novembro de 1796) foi uma imperatriz déspota russa de 1762 a 1796. Era prima de Gustavo III da Suécia e de Carlos XIII da Suécia.


Sob a sua orientação o Império Russo expandiu-se, melhorou a sua administração e continuou a modernizar-se. O reinado de Catarina revitalizou a Rússia, que cresceu com ainda mais força e tornou-se conhecida como uma das maiores potências europeias. Os seus sucessos dentro da complexa política externa e as suas represálias por vezes brutas em resposta aos movimentos revolucionários (mais notavelmente na Rebelião Pugachev) complementaram a sua caótica vida privada. Ela causava escândalo frequentemente, dada a sua tendência para relações que espalhavam rumores por todas as Cortes Europeias.

Catarina subiu ao poder após uma conspiração que depôs o seu marido, o czar Pedro III (1728 – 1762), e o seu reinado foi o ponto alto da Nobreza Russa. Pedro III, sob pressão da mesma nobreza, tinha já aumentado a autoridade dos grandes proprietários de terra nos seus mujique e servos. Apesar dos deveres impostos nos nobres pelo primeiro modernizador proeminente da Rússia, o czar Pedro I (1672 – 1725), e apesar das amizades de Catarina com os intelectuais do Iluminismo na Europa Ocidental (em particular Denis Diderot, Voltaire e Montesquieu), a Imperatriz não achava prático melhorar as condições de vida dos seus súbditos mais pobres que continuavam a sofrer (por exemplo) de conscrição militar. As distinções entre os direitos dos camponeses nos estados votchine e pomestie, desapareceram virtualmente na lei e na prática durante o seu reinado.

Em 1785, Catarina conferiu à nobreza a Carta da Nobreza, aumentando ainda mais o poder dos senhores de terra. Nobres em cada distrito elegiam um Marechal da Nobreza que falava em seu nome à monarca sobre problemas que os afectavam. Especialmente económicos.

Primeiros anos e família

O pai de Catarina, o Príncipe Cristiano Augusto de Anhalt-Zerbst, pertencia à família reinante de Anhalt, mas servia o exército prussiano onde tinha o posto de general. Após a morte de seu pai o Principe e Marechal de Campo do Exército da Prússia Leopold Dessau, assumiu o Ducado de Anhalt-Zeberst cuja capital era Estetino.

Nascida com o nome de Sofia Frederica Amália de Anhalt-Zerbst-Dornburg, Princesa de Holstein, a futura Imperatriz russa tinha a alcunha de "Figchen". Segundo o costume da corte alemã da época, a jovem princesa recebeu educação primorosa em Música, Dança, Literatura, Religião etc. Teve duas Governantas Francesas a primeira Madeleine Cardel que ao casar foi substituída pela sua irmã Babete Cardel. Além da governanta havia um tutor para cada área da educação de Sofia.

Candidata ao trono russo

Catarina pouco depois de chegar à Corte Russa.

A escolha de Sofia para esposa do futuro czar Pedro de Holstein-Gottorp resultou num nível generoso de negociações diplomáticas nas quais o Conde Lestocq, a tia de Pedro (na altura a Imperatriz reinante Isabel da Rússia) e o rei Frederico II da Prússia participaram. Lestocq e Frederico queriam fortalecer a amizade entre a Prússia e a Rússia para assim enfraquecer a influência da Áustria e arruinar o chanceler russo, Bestuzhev, em quem a Czarina Isabel confiava, e que era conhecido por querer uma cooperação russo-austríaca.

A intriga diplomática falhou, maioritariamente devido à intervenção da mãe de Sofia, a Princesa Joana Isabel de Holstein-Gottorp, uma mulher esperta e ambiciosa. Relatos históricos descrevem a mãe de Catarina como emocionalmente fria e fisicamente abusiva que adorava mexericos e intrigas da corte. A sede de Joana por fama centrava-se nas perspectivas da filha de se tornar Imperatriz da Rússia, mas ela conseguiu enfurecer a Imperatriz Isabel que, eventualmente, a baniu do país por espiar o rei Frederico da Prússia.

A Imperatriz conhecia bem a família: ela própria pretendera casar-se com o irmão de Joana, Carlos Augusto de Holstein, mas ele morreu de varicela em 1727 antes de o casamento acontecer. Mesmo assim, Isabel afeiçoou-se à filha de Joana, Sofia Frederica Amália Princesa de Holstein. Isabel em 1743 convocou Sofia para residir na Rússia com objetivo de casa-la com seu sobrinho Pedro, herdeiro do Trono. Esta escolha deveu-se, entre outros, ao fato de Sofia ser muito culta,falava fluentemente o Francês,Tocava Piano e Violino instrumento que sempre a companhou e que ela havia ganho em 1738 quando tinha 9 anos. Ao chegar à Rússia, não se poupou, esforçou-se para se integrar não apenas com a Imperatriz Isabel, mas com o seu futuro marido e o povo russo. Aplicou-se para aprender a língua russa com tanto afinco que costumava levantar-se ao meio da noite e andar descalça de um lado para o outro do quarto a repetir as suas lições. Isto resultou num ataque severo de Pneumonia em Março de 1744, além de sofrer envenenamento. Por isso sempre teve cachorros a seu lado. Quando ela escreveu as suas memórias, disse que, naquela altura, tinha decidido correr todos os riscos e passar por tudo o que fosse necessário para um dia poder usar a coroa. A consistência do seu caráter ao longo da sua vida, faz com que seja muito provável que, aos quinze anos, ela possuísse maturidade necessária para adoptar esta sensata conduta de vida.

O pai da Princesa Sofia, um Luterano muito devoto, opôs-se seriamente à conversão da filha à Religião Ortodoxa. Apesar das suas instruções, a 28 de Junho de 1744, a Igreja Ortodoxa Russa recebeu Sofia com o novo nome de Catarina Alekseyevna. No dia seguinte realizou-se uma cerimónia formal de noivado.

O há muito planeado casamento dinástico aconteceu finalmente no dia 21 de Agosto de 1745 em São Petersburgo. Sofia tinha chegado aos 16 anos. O pai dela não viajou até à Rússia para assistir ao casamento. O noivo, então conhecido por Pedro von Holstein-Gottorp, tinha-se tornado Duque de Holstein-Gottorp (um ducado localizado a noroeste da Alemanha, perto da fronteira com a Dinamarca) em 1739.

Os recém-casados passaram a viver no Palácio de Oranienbaum, que seria a residência oficial da "corte jovem" durante muitos anos.

O Conde Andrei Shuvalov, camareiro de Catarina, conhecia bem o diarista James Boswell (1740 - 1795) e Boswell reportou que Shuvalov partilhava informações privadas com o monarca. Alguns destes rumores incluíam a suposta amante de Pedro (Isabel Vorontsova) e as traições de Catarina com Sergei Saltykov, Gregório Grigoryevich Orlov (1734 - 1783), Stanislaw Augusto Poniatowski, Alexandre Vassilchikov, entre outros. Ocorre que Pedro não se interessava por Catarina e por isso foi incentivada pela Czarina Izabel a ter filhos de qualquer maneira. Ela tornou-se amiga da Princesa Catarina Vorontsova-Dashkova, irmã da amante do marido, que a apresentou a vários grupos políticos importantes que se oponham ao seu marido.

Catarina lia extensivamente e mantinha-se atualizada sobre os acontecimentos correntes na Rússia e no resto da Europa. Mantinha correspondência com muitos dos homens mais proeminentes da época, incluindo Voltaire (1694 - 1778) e Denis Diderot (1713 - 1784).

Reinado de Pedro III e golpe de Estado

Catarina com o seu marido, o Czar Pedro IIIe o filho, o futuro czar Paulo I

Após a morte da Imperatriz Isabel a 5 de Janeiro de 1762, Pedro, o Grão-duque de Holstein-Gottorp, sucedeu ao trono como Pedro III da Rússia. Catarina, que antes detinha o título de Grã-duquesa, tornou-se Imperatriz-consorte da Rússia. O casal imperial mudou-se para o novo Palácio de Inverno em São Petersburgo.

As excentricidades e políticas do novo czar, incluindo a sua grande admiração pelo rei Frederico II da Prússia, enfureceram alguns grupos que a própria Catarina tinha cultivado. Além disso, Pedro interveio numa disputa entre o seu ducado de Holstein e a Dinamarca.

O apoio insistente de Pedro a Frederico II, que tinha visto Berlim ocupada pelas tropas russas em 1760, mas agora sugeria repartir os territórios polacos com a Rússia, fê-lo perder muito do apoio por parte da nobreza. (A Rússia e a Prússia tinham lutado uma contra a outra durante a Guerra dos Sete Anos que durou até Pedro subir ao trono.)

Em Julho de 1762, pouco depois de estar seis meses no trono, o Czar Pedro cometeu o erro político de se retirar com os seus amigos e familiares para o palácio de Oranienbaum em Holstein, deixando a sua esposa sozinha em São Petersburgo. Nos dias 13 e 14 de Junho, a Guarda Leib revoltou-se, depôs Pedro e proclamou Catarina como governante da Rússia. O golpe sem sangue teve sucesso.

Três dias depois, a 17 de Julho de 1762, apenas seis meses após a sua ascensão ao trono, Pedro III morreu em Ripsha, às mãos de Alexei Orlov, irmão mais novo de Gregório Orlov, o amante de Catarina. Os Historiadores encontraram provas para a cumplicidade de Catarina no suposto assassinato. Mesmo apesar de, na altura, existirem outros pretendentes ao trono (Ivan VI, nascido em 1740 e a viver em Schlüsselburg e a Princesa Tarakanova, nascida em 1753), foi Catarina quem sucedeu ao seu marido, mesmo apesar de não ter qualquer ligação de parentesco com a família Romanov, seguindo assim o mesmo procedimento da Imperatriz com o mesmo nome, Catarina I, que tinha sucedido ao seu marido, Pedro, o Grande, em 1725.

O estatuto técnico de Catarina é ainda discutido entre o de "Regente" ou "Usurpadora". O primeiro apenas resultaria enquanto o seu filho Paulo não atingisse a maioridade, o que aconteceu durante a década de 1770. Nesta altura um grupo de nobres ligados a Paulo contemplaram a possibilidade um novo golpe de estado para depor Catarina e colocá-lo no poder, formando uma Monarquia Constitucional. Contudo nada aconteceu e Catarina reinou até à morte.

Política externa

Durante o seu reinado, Catarina expandiu as fronteiras do Império Russo para sul e para o Ocidente, absorvendo a Nova Rússia, Crimeia, Ucrânia, Bielorrússia, Lituânia e Curlândia, ao custo de maioritariamente duas potências – o Império Otomano e a República das Duas Nações. Ao todo ela acrescentou cerca de 518,000 quilómetros ao território russo.

O ministro de negócios estrangeiros de Catarina, Nikita Panin (em funções entre 1763 e 1781), teve uma grande influência no início do seu reino. Um estadista astuto, Panin dedicou muito esforço e milhões de rublos para conseguir o "Acordo do Norte" entre a Rússia, a Prússia, a Polónia e a Suécia, para contrapor a Liga Borbón-Habsburgo. Quando se tornou claro que o seu plano não poderia resultar, Panin perdeu o seu lugar privilegiado com Catarina e foi substituído por Ivan Osterman que exerceu funções desde 1783 até 1797.

Guerras Russo-Turcas

Enquanto que Pedro, o Grande apenas teve sucesso em conquistar parte do Mar Negro nas campanhas de Azov, Catarina completou a conquista do Sul que ele tinha iniciado. Catarina fez da Rússia a potência dominante do sudoeste europeu após a sua primeira Guerra Russo-Turca contra o Império Otomano (1768 - 1774), que provocou algumas das piores derrotas turcas da História, incluindo a Batalha de Chesma (5 a 7 de Julho de 1770) e a Batalha de Kagul (21 de Julho de 1770).

As vitórias russas permitiram ao governo de Catarina o acesso ao Mar Negro e incorporaram os vastos portos do sul da Ucrânia onde os russos fundaram as novas cidades de Odessa, Nikolayev, Yeakaterinoslav (literalmente: "a glória de Catarina) e Kherson.

Alegoria de Catarina após a vitória russa na Guerra Russo-Turca de 1768-1774.

Catarina anexou a Crimeia em 1783, nove anos depois da mesma ter ganho a independência do Império Otomano com a ajuda russa. O palácio do khans da Crimeia passou para mãos russas. O Tratado de Küçük-Kainarji, assinado a 10 de Julho de 1774, deu aos russos os "novos" territórios de Azov, Kerch, Yenikale, Kinburn e a pequena porção da costa do Mar Negro entre os rios Dnieper e Bug.

Os Otomanos voltaram às hostilidades na segunda guerra Russo-Turca (1787 - 1792). Esta guerra provou ser catastrófica para os Otomanos e terminou com o Tratado de Jassy em 1792, que legitimou a conquista russa da Crimeia.

Relações com a Europa Ocidental

Mesmo consciente do seu legado, Catarina ansiava por reconhecimento como uma soberana progressiva. Foi ela a pioneira naquele que seria mais tarde o papel da Grã-Bretanha ao longo do século XIX, o de mediadora internacional de disputas que poderiam levar à guerra. Assim, ela foi a mediadora da Guerra de Sucessão da Baviera (1778 - 1779) entre a Prússia e a Áustria. Em 1780 ela criou uma Liga de Neutralidade Armada, que tinha como objectivo defender mercadorias neutras da Marinha Real Britânica durante a Revolução Americana.

De 1788 a 1790, a Rússia lutou a Guerra Russo-Sueca contra a Suécia, instigada pelo próprio primo de Catarina, o rei Gustavo III da Suécia. Esperando simplesmente conquistar os exércitos russos que ainda se encontravam a lutar contra o Império Otomano, e com a esperança de atacar São Petersburgo directamente, os suecos acabaram por sofrer pesadas derrotas por parte da esquadra báltica russa. Após a Dinamarca declarar guerra à Suécia em 1788 (a Guerra Teatral), a situação ficou complicada para os suecos. Após a Batalha de Svensksund em 1790, ambos os partidos assinaram o Tratado de Värälä a 14 de Agosto de 1790, devolvendo todos os territórios conquistados aos seus respectivos donos e a paz reinou durante vinte anos com a ajuda do assassinato do rei Gustavo III em 1792.

Partição da Polónia


Catarina II da Rússia

Em 1764, Catarina colocou Stanislaw Poniatowski, o seu antigo amante, no trono polaco. Apesar da ideia das partições polacas ter vindo do rei Frederico, o Grande da Prússia, Catarina teve o papel principal na realização do projecto durante a década de 1790. Em 1768 ela tornou-se formalmente na protectora da República das Duas Nações, uma decisão que provocou a subida do sentimento anti-russo na Polónia com o apoio da Confederação de Bar (1768 - 1772). Após reprimir a revolta, ela estabeleceu um sistema de governo completamente controlado pelo Império Russo através de um Conselho Permanente sob a supervisão de embaixadores e enviados.

Após a Revolução Francesa de 1789, Catarina rejeitou muitos dos princípios do Iluminismo que antes tinha visto como favoráveis. Temendo que a Constituição de Maio da Polónia (1791) pudesse levar ao renascimento da República das Duas Nações e que os movimentos democráticos crescentes dentro da mesma se pudessem tornar numa ameaça para os monarcas europeus, Catarina decidiu intervir na Polónia. Ela ofereceu apoio ao grupo anti-reforma da Polónia, conhecido por Confederação Targowica. Após derrotar as forças patriotas polacas na Guerra em Defesa da Constituição (1792) e na Revolta Kościuszko (1794), a Rússia completou a partição da Polónia, dividindo todos os territórios que restavam da República com a Prússia e a Áustria.

Relações com o Japão

No Oriente, os russos tornaram-se activos no comércio de peles em Kamchatka e nas Ilhas Curilas. Isto semeou o interesse russo nos negócios abertos com o Japão para o Sul para encontrar mantimentos e comida. Em 1783 uma tempestade levou o almirante japonês Daikokuya Kōdayū, à costa das Ilhas Aleutas, que na altura eram território russo. As autoridades locais russas ajudaram-no a ele e aos seus homens e, então, o governo russo decidiu utiliza-lo como enviado de comércio. A 28 de Junho de 1791, Catarina deu a Kōdayū uma audiência em Czarskoe Selo. Subsquentemente, em 1792, o governo russo enviou uma missão comercial liderada por Adam Laxnab até ao Japão. O governo Tokugawa recebeu a missão, mas as negociações falharam.

Artes e cultura

Catarina, a Grande por Ivan Petrovich Argunov

Os patrocínios de Catarina ajudaram à evolução das artes na Rússia mais do que qualquer outra monarca anterior. Toda a correspondência entre Catarina e sus Generais era em Francês.

Catarina tinha a reputação de patrocinadora das artes, literatura e educação. O Museu Hermitage, que agora ocupa o Palácio de Inverno inteiro, começou a partir da colecção privada da Imperatriz. Com o incentivo do seu factotum, Ivan Betskoi, ela escreveu um manual para a educação de pequenas crianças, retirando ideias de John Locke, e fundou em 1764, o famoso Instituto Smolny, admitindo jovens meninas da Nobreza.

Ela escreveu, segundo a Enciclopédia Italiana, comédias (O Tempo, O Imperador, etc.), ficção (patrocinava revistas e folhetins em russo nas quais escrevia artigos ridicularizando a nobreza russa e os assinava com a alcunha de Escamenguna - a Excomungada), ópera (Dor) e as suas memórias enquanto se correspondia com Voltaire, Diderot e d’Alembert, todos eles autores da primeira Enciclopédia que, mais tarde, cimentaram a sua reputação através da escrita. Os principais economistas da época, Arthur Young e Jacques Necker, tornaram-se membros estrangeiros da Sociedade Económica Livre seguindo a sugestão dela de se instalarem em São Petersburgo em 1765. Catarina também "roubou" os cientistas Leonhard Euler e Peter Simon Pallas de Berlim para a capital russa.

Catarina juntou Voltaire à sua causa e manteve correspondência com ele durante 15 anos desde a sua ascensão ao trono até à morte dele em 1778. Ele premiou-a com epítetos, chamando-a de "a estrela do norte" e "Semiramis da Rússia" (uma referência à legendária Rainha da Babilónia, um tema sobre o qual ele publicou uma tragédia em 1768). Apesar de ela nunca o ter conhecido em pessoa, Catarina ficou de luta pela sua morte, comprando toda a sua colecção de livros aos herdeiros dele, colocando-a na Biblioteca Nacional Russa.

Poucos meses depois da sua ascensão em 1762, tendo ouvido dizer que o governo francês planeava interromper a publicação da Encyclopédie devido ao seu sentimento anti-religioso, Catarina propôs a Diderot completar o seu grande trabalho na Rússia debaixo da sua protecção.

Quatro anos depois, em 1766, ela lançou-se na elaboração de uma forma de legislar os princípios do Iluminismo que ela tinha adquirido através do estudo de filósofos franceses. Ela juntou uma Grande Comissão em Moscovo (praticamente um parlamento consultivo) composta por 652 membros de todas as classes sociais (oficiais, nobres, burgueses e camponeses) e de várias nacionalidades. A Comissão tinha de considerar as necessidades do Império Russo e os meios para os satisfazer. A própria Imperatriz preparou as "Instruções para o Sentido da Assembleia", plagiando (tal como a própria admitiu) os grandes filósofos da Europa Ocidental, especialmente Montesquieu e Cesare Beccaria.

Como muitos dos seus princípios liberais assustavam os seus conselheiros mais moderados e experientes, ela escolheu não os executar imediatamente. Após conter mais de 200 membros, a chamada Comissão foi dissolvida sem chegar a nenhuma decisão além da teoria.

Apesar disso, algumas leis posteriores (tal como o Estatuto da Administração Local de 1775, o Código da Navegação Comercial e o Código do Comércio de Sal de 1781, a Ordem da Polícia de 1782, a Carta da Nobreza e a Carta das Cidades de 1785, o Estatuto da Educação Nacional de 1782) mostravam algumas das tendências modernizadoras implícitas no Nakaz inicial de Catarina. Em 1777, a Imperatriz descreveu a Voltaire as suas inovações legais dentro de uma Rússia apática que ia progredindo "aos poucos".

Durante o reinado de Catarina, os russos importaram e estudaram as influências europeias clássicas que inspiraram o Iluminismo Russo. Gavrila Derzhavin, Denis Fonvizin e Ippolit Bogdanovich foram os precursores dos grandes escritores do século XIX, especialmente de Alexander Pushkin. Catarina tornou-se uma grande patrocinadora da Ópera Russa.

Quando Alexander Radishchev publicou o seu "Diário de São Petersburgo Para Moscovo" em 1790 (um ano depois da Revolução Francesa) e chamou atenção para as revoltas devido às condições sociais deploráveis dos camponeses que eram detidos como servos, Catarina enviou-o para o exílio na Sibéria.

Questões religiosas

A aparente adopção completa de todas as coisas russas por parte de Catarina (incluindo a religião Ortodoxa) pode ter provocado a sua indiferença pessoal em relação à religião. Ela não permitia a dissidentes construir capelas e suprimiu o desacordo religioso após o rebentar da Revolução Francesa. Politicamente, Catarina explorou o Cristianismo na sua política antiotomana, promovendo o acolhimento e protecção de cristãos que se encontrassem debaixo do governo turco. Colocou restrições nos católicos romanos, principalmente nos polacos e tentou regularizar e expandir o controlo exercido pelo estado sob eles. Mesmo assim a Rússia de Catarina acolheu um grande número de jesuítas expulsos na época de vários países europeus, incluindo Portugal.

Vida pessoal

Durante o seu reinado, Catarina teve inúmeros amantes que frequentemente elevava a altas posições do governo enquanto se interessava por eles, enviando-os para longe com grandes propriedades, pensões e servos quando a paixão se apagava. Após a sua ligação romântica com o seu amante e conselheiro Gregório Alexandrovich Potemkin ter acabado em 1776, ele alegadamente seleccionava candidatos para ela que tinham tanto beleza física como inteligência para satisfazer os interesses da Imperatriz. Alguns destes homens amavam-na e ela sempre mostrou uma grande generosidade para com os seus amantes, mesmo após o final do romance. Um dos seus amantes, Zavadovsky, recebeu 50,000 rublos mais uma pensão de 5,000 rublos anuais e 4,000 servos na Ucrânia depois de ser dispensado. O último dos seus amantes, o Príncipe Zubov, 40 anos mais novo, provou ser o mais caprichoso e extravagante de todos.

Nas suas memórias, Catarina indicou que o seu primeiro amante, Sergei Saltykov, era o verdadeiro pai do seu filho Paulo, no entanto este parecia-se fisicamente com o Imperador Pedro III e as suas palavras podem ter sido apenas uma vingança perante o tratamento frio que recebia por parte do filho. Catarina mantinha em Tula, longe da Corte, o seu filho ilegítimo com Gregório Orlov, Alexis Bobrinskoy (mais tarde foi-lhe concedido o título de Conde pelo seu meio-irmão Paulo.)

Poniatowski

"A Queda da Polónia" de Jan Matejko

Sir Charles Hanbury Williams, o embaixador de Inglaterra na Rússia, ofereceu a Stanislaus Poniatowski um lugar na embaixada em troca de ele tornar Catarina sua aliada. Pelo lado da mãe, Poniatowski era descente da família Czartoryski, magnata da nobreza polaca. Catarina de 26 anos e já casada há cerca de 10, conheceu o atraente jovem de 22 anos em 1755, por isso muito antes de se encontrar com os irmãos Orlov. Dois anos depois, em 1757, Poniatowski prestou serviço do lado inglês durante a Guerra dos Sete Anos enquanto mantinha relações próximas com Catarina. Ela teve uma filha dele, Anna Petrovna Poniatowski, nascida em 1757.

O Rei Augusto III da Polónia morreu em 1763 e o país precisava de escolher um novo governante. Catarina apoiou Poniatowski como candidato. Algumas pessoas acreditavam que Catarina tinha dito ao seu embaixador polaco, o Conde Kayserling, que queria ver o seu amante no trono, mas que ficaria satisfeita se o lugar fosse para Adam Czartoryski, o tio de Poniatowski.

Catarina enviou o exército russo à Polónia para evitar possíveis disputas logo no inicio. A Rússia invadiu a Polónia a 26 de Agosto de 1764, ameaçando lutar e forçar Poniatowski a tornar-se rei. Ele aceitou o trono, pondo-se assim sob controlo de Catarina. A notícia sobre os planos de Catarina espalhou-se e Frederico II (ou o Sultão Otomano de acordo com outros relatos) avisou-a de que se ela tentasse conquistar a Polónia casando-se com o seu amante, toda a Europa se oporia fortemente.

Ela não tinha qualquer intenção de se casar com ele, tendo já dado à luz a criança de Orlov e do Grão-duque Pedro. Catarina pediu então a Poniatowski que se casasse com outra para remover todas as suspeitas. Ele recusou e nunca se casou.

A Prússia (liderada pelo Príncipe Henrique), a Rússia (de Catarina) e a Áustria (de Maria Teresa) começaram a preparar terreno para as Partições da Polónia. Na primeira partição em 1772, os poderes dividiram 52,000 km² entre si. A Rússia obteve os territórios da linha Oriental ligando até certo ponto Riga, Polotsk e Mogilev.

Na segunda partição em 1793, a Rússia recebeu mais terra desde o oeste de Minsk quase até Kiev e também até o Rio Dniepre, deixando alguns espaços de terreno baldio a sul, em frente de Ochakov no Mar Negro.

Depois disto, as revoltas na Polónia levaram a uma terceira partição em 1795, um ano antes da morte de Catarina.

Orlov

Aleksey Bobrinsky, o filho de Catarina, a Grande com Gregório Orlov

Gregório Orlov, neto de um rebelde do Levantamento de Streltsy em 1698 contra Pedro, o Grande, distinguiu-se na Batalha de Zorndorf (25 de Agosto de 1758), onde recebeu três feridas. Ele representava um contraste para com o pró-prussianismo de Pedro com o qual Catarina discordava. Em 1759, ele e Catarina eram já amantes apesar de nenhum dos que sabiam tivesse dito ao marido dela, o Grão-duque Pedro. Catarina via Orlov como útil e ele tornou-se num instrumento no golpe de estado contra o seu marido em Julho de 1761, mas ela sempre decidiu manter o título de Imperatriz Viúva do que se casar com outro.

Gregório Orlov e os seus três irmãos viram-se recompensados com o título de Condes, dinheiro, espadas e outros presentes. Mas Catarina não se casou com Gregório que provou não saber nada de política e ser inútil quando lhe eram pedidos conselhos. Recebeu um palácio em São Petersburgo quando Catarina se tornou Imperatriz.

Orlov morreu em 1783. O seu filho com Catarina, Aleksey Grygoriovich Bobrinsky (1762 – 1813) teve uma filha, Maria Alexeevna Bobrinskaya, (1798 – 1835) que se casou em 1819 com o Príncipe Nikolai Sergeevich Gagarin (1784 – 1842) que participou na Batalha de Borodino a 7 de Setembro de 1812 contra Napoleão e, mais tarde, foi embaixador em Turim.

Potemkin

Gregório Potemkin tinha estado envolvido no golpe de estado de 1762. Em 1772, os amigos próximos de Catarina informaram-na sobre os casos amorosos de Orlov com outras mulheres e ela dispensou-o. No Inverno de 1773, a revolta de Pugachev tinha começado a tornar-se ameaçadora. O filho de Catarina, Paulo, começava também a ganhar apoio; ambas estas questões ameaçavam o seu poder. Ela pediu ajuda a Potemkin (maioritariamente militar) e ele tornou-se devota a ela.

Em 1772, Catarina escreveu a Potemkin. Dias antes ela tinha descoberto uma revolta na região do Volga. Ela nomeou o General Aleksandr Bibikov para parar a mesma, mas precisava dos conselhos estratégicos de Potemkin.

Potemkin rapidamente ganhou posições e prémios. Os poetas russos escreviam sobre as suas virtudes, a Corte louvava-o, os embaixadores estrangeiros lutavam pelo seu favor e a sua família mudou-se para o palácio. Mais tarde ele tornou-se governador da Nova Rússia.

Em 1780, o filho da Imperatriz Maria Teresa da Áustria, o Imperador José II da Áustria, brincou com a ideia de começar uma aliança ou não com a Rússia e pediu para se encontrar com Catarina. Potemkin tinha a tarefa de o receber e acompanhar até São Petersburgo.

Potemkin também convenceu Catarina a expandir as Universidades na Rússia para aumentar o número de cientistas.

Potemkin ficou doente em Agosto de 1783. Catarina ficou preocupada com o facto de ele poder não acabar aquilo que tinha planeado. Ele morreu aos cinquenta e dois anos em 1791.

Morte

Catarina sofreu um ataque cardíaco a 16 de Novembro de 1796 e morreu na sua cama às 21:20 na noite seguinte sem ter recuperado a consciência.

Encontra-se enterrada na Catedral da Fortaleza de Pedro e Paulo em São Petersburgo.

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