Google+ Followers

sábado, 5 de maio de 2012

Eurípedes Barsanulfo


Filho de Hermógenes Ernesto de Araujo e de Jerônima Pereira de Almeida, Eurípedes Barsanulfo nasceu no dia 1o de maio de 1880. Um dos grandes trabalhadores do Espiritismo, o Apóstolo do Triângulo, como é conhecido, nasceu em Sacramento-MG, situado a 80 Km de Uberaba.

Não foi, de pronto, um espírita. A sua conversão se deu quando o seu tio, Mariano da Cunha lhe presenteou com o livro Depois da Morte, de autoria do filosofo francês Leon Denis.

O seu tio, que era carinhosamente chamado de Tio Sinho, há algum tempo já fazia parte do grupo de pessoas que estudavam o Espiritismo na fazenda Santa Maria, propriedade localizada a cerca de 14 Km de Sacramento.

Foi na sexta-feira da Paixão do ano de 1904 que Eurípedes Barsanulfo, acompanhado do amigo José Martins Borges, foi assistir a uma sessão espírita na fazenda Santa Maria, segundo narra o livro Eurípedes, o Homem e a Missão, de Corina Novelino.

Encantado com o que vira e sentira, dias depois voltou a Santa Maria. Assistiu a nova sessão. Na ocasião, recebeu de Vicente de Paulo uma mensagem que o convoca a assumir a Terceira Revelação. Meu filho, as portas de Sacramento vão fechar-se para você. Os amigos afastar-se-ão. A própria família revoltar-se-a. Mas, não se importe. Proclame sempre, a Verdade, porque, a partir desta hora, as responsabilidades de seu Espírito se ampliarão ilimitadamente, diz o benfeitor.

Eurípedes retorna a Sacramento. Desliga-se da congregação Vicente de Paulo, que era de influência católica. É mal entendido por familiares e amigos. Mas, espírito ativo, persistente, não se deixa cair na malha da intriga e trabalha incansavelmente. No ano de 1905 funda o Grupo Espírita Esperança e Caridade, entidade na qual presta assistencia social e espiritual aos necessitados do corpo e do espírito. No dia 1º de abril de 1907 fundou o Colégio Allan Kardec, instituição que, entre outras disciplinas, ensina Astronomia e Fundamentos da Doutrina Espírita.

Sob a orientação de Bezerra de Menezes, algum tempo depois, fundou a Farmácia Espírita Esperança e Caridade, que conta com apoio de laboratório que funciona ao seu lado. Em nenhuma de suas atividades Eurípedes visava retorno pecuniário. Alma elevada, compreendia que a linguagem universal chama-se fraternidade.

Entre 1907 e 1912, Eurípedes Barsanulfo foi vereador de Sacramento. Trabalhou, e muito, em benefício da comunidade. Apesar de sua dedicação aos pobres, não foi compreendido por gente da Igreja e acabou sendo perseguido.

Em 1o. de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.

Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores. Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.

Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem. No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.

A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.

O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.

Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo- o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo. Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou- o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.

Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.

Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1o. de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos. Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou- lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.

Foi ele o dinamismo em pessoa. Há quem afirme que fora a reencarnação do escravo Rufo, em cristão praticante que aparece no livro Ave Cristo de Emmanuel, através de Chico Xavier.

Eurípedes deixou história, uma história rica, humana e profunda.

Continua ele sendo, no Plano Espiritual, um dos maiores missionários do Espiritismo.

Um comentário:

  1. Belíssimo texto sobre a vida de Euripedes Barsanulfo, grande espírita que aqui viveu. Ele é mais um dos grandes lideres espirituais que norteiam esta maravilhosa Doutrina e que cada vêz mais se espalha pelo mundo à fora. Obrigada pela sua valiosa divulgação de tamanha importância. Abraços Wilson e bom final de semana à você. Suzana.

    ResponderExcluir