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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cerejeiras estão em flor, mas turista foge do Japão


Que razões tem o turista para não visitar cidades como Nagoya, Osaka, Kobe ou Hiroshima, entre outras, que estão até mil quilômetros de distância da região atingida pelo terremoto e tsunami ou da central nuclear de Fukushima? A pergunta em tom de desabafo é do comerciante japonês Akinori Nagasawa, dono de uma loja de artigos eletrônicos em Nagoya, no Estado de Aichi.

Ele acredita que muitos estrangeiros têm adiado ou cancelaram a viagem ao Japão por conta de informações equivocadas sobre a tragédia que atingiu o nordeste do país. Assim como Akinori, outros lojistas no bairro de Kamimaezu, em Nagoya - centro de compras que atrai turistas o ano inteiro - defendem que, à exceção da região de Tohoku atingida pelo tsunami, os demais Estados têm restabelecida sua rotina e não oferecem nenhum risco aos residentes ou visitantes.

Segundo a Organização Nacional de Turismo Japonês, o número de turistas estrangeiros no Japão teve queda de 50,3% em março ante o mesmo período do ano passado, quando 709,6 mil estrangeiros visitaram o Japão. Este ano, foram 352,8 mil turistas, uma queda histórica. A estatística tem reflexos negativos em vários segmentos da economia.

'Desde o 11 de março, nosso volume de vendas caiu pela metade', conta a comerciante Ayako Takahashi, dona de loja de artesanato e souvenirs em Osu-kanon, uma galeria de Nagoya. Ali, o movimento diário é de cerca de 5 mil pessoas. Em tempos normais, 10% dos visitantes são estrangeiros, outros 40% são turistas japoneses e a outra metade, consumidores da própria região.

Com a redução nas vendas, a associação dos lojistas antecipou campanha promocional com descontos que estava prevista para este mês.

Em Tóquio, o bairro de Akihabara é o paraíso das compras para turistas que buscam novidades da tecnologia. Também por lá o movimento de clientes vindos de fora está abaixo do que se previa antes do terremoto. O Japão esperava receber 30 milhões de visitantes este ano.

Hiroshi Koga, atendente em uma rede de equipamentos de áudio e vídeo, afirma que, aos poucos, os clientes estrangeiros estão retomando às compras, em especial provenientes de outros países asiáticos. Além de aquecer os centros de compras, o turismo movimenta centenas de cidades históricas, parques temáticos e festivais culturais, além dos recursos que movimentam as agências turísticas, companhias aéreas e rede hoteleira.

O terremoto e o tsunami, e depois a crise nuclear em Fukushima, levaram o presidente da Organização Nacional de Turismo do Japão, Tadatoshi Mamiya, a admitir que o desastre terá grande impacto em todas as empresas do ramo.

Dekasseguis. O japonês Yuji Ota, dono da agência de turismo Unitour, explica que outro fator que levou à redução no número de turistas é que no pós-terremoto as companhias aéreas retiraram o benefício do seguro-viagem. Quem viajasse seria pela própria conta e risco. Além disso, vários países, incluindo o Brasil, recomendaram a seus cidadãos que evitassem viajar a Tóquio. Com o número reduzido de passageiros, algumas companhias diminuíram a frequência de voos.

Ota Yuji atende brasileiros e revela que, em todo o país, cerca de 10 mil dekasseguis compraram bilhetes e deixaram o Japão depois do desastre. Ele acredita que a minoria tenha regressado ao Brasil, e que em breve muitos estarão de volta atraídos pelas ofertas de emprego. O que se prevê é o reaquecimento da economia japonesa com a reconstrução da área devastada. 'No segundo semestre, os turistas também estarão de volta em grande número, principalmente coreanos e chineses', afirma Ota.

O Japão tem cerca de 2 mil profissionais liberais que atuam no setor de turismo como guias turísticos, tradutores, intérpretes. Sem trabalho com a evasão dos turistas, dezenas deles têm lançado apelo em redes sociais e divulgado vídeos pela internet para proclamar que não há riscos para quem pretende visitar o Japão. Redes como o YouTube têm também depoimentos de estrangeiros, gravados nestes últimos dias em diferentes centros turísticos japoneses.

Hitomi Fukushima, de Tóquio, conta que seu trabalho como guia foi bastante prejudicado. Quatro grupos que ela receberia cancelaram a viagem. 'Tenho dito a pessoas do exterior que me procuram que a situação no Japão está normal, que não tem perigo algum virem.'

A estudante japonesa Mari Miyachi, de Nagoya, morou um ano nos Estados Unidos e receberia no início deste mês a visita do casal americano que lhe acolheu em Ohio. Ela lamenta que seus 'pais adotivos' tenham cancelado a viagem, e faz coro aos que pedem para que os turistas reconsiderem a decisão de não viajar ao Japão.

Fonte: http://estadao.br.msn.com/

2 comentários:

  1. Bom, eu ainda planejo visitar o Japão ao final de minha faculdade. Espero que dê certo. Só Deus sabe. Abraços!

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  2. Tomara que consiga!!!
    Vai amar este país!!!

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