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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Virtude solitária


Há quem deseje tranquilidade ideal na Terra.

Casa branca no aclive da serra, com o vale rente.

Fontes claras, correndo perto e jardim florido.

Clima doce e perfume da natureza.

Nenhum aborrecimento.

Nenhum cuidado.

Falta alguma.

Problema algum.

Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes.

Essa imagem idílica da vida aparece de modo menos ostensivo na imaginação de muitos.

Trata-se da ideia de que os problemas são alheios à criatura.

São os semelhantes que complicam a existência, que de outro modo transcorreria pacífica.

Deixada sozinha, ela floresceria.

Com essa crença, sente-se justificada para reclamar dos outros.

Em alta voz ou no íntimo de seus pensamentos, brada contra os que a rodeiam.

Indigna-se contra o chefe exigente e o colega de trabalho preguiçoso ou difícil.

Sente enfado em relação aos familiares e aos vizinhos.

Deseja que o mundo pare para que possa descer.

No entanto, é no trato da luta que as forças se robustecem e as qualidades se aperfeiçoam.

O mal é o trânsito inferior nos quadros da experiência mais nobre.

Ele se revela por erros onde era possível acertar.

Traduz-se em sombra e dor, nos caminhos próprio ou alheio.

E é no serviço do amparo mútuo e da tolerância recíproca que o mal transitório pode ser transformado em bem duradouro.

Ao agir de modo proveitoso no mundo, o homem transforma as suas sombras de ontem na luz de hoje.

Livres, todos os homens estão interligados perante a lei, para fazer o melhor.

Escravizados aos compromissos expiatórios, oriundos do erro, eles se acorrentam uns aos outros.

A reencarnação os aproxima para que anulem o que fizeram de equivocado nas existências passadas.

Ninguém progride sem alguém.

É por meio do homem que o progresso surge na face do planeta e nunca constitui realização de um só.

Sempre são muitos os que cooperam para que algo de bom felicite a coletividade.

Assim, é preciso abençoar as provações que felicitam a convivência e os caminhos humanos.

Trabalho é ascensão.

Dor é burilamento.

Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui.

Todo pranto lava, toda dificuldade esclarece e toda crise seleciona.

Virtude solitária é pão na vitrine.

Por bela que pareça, caracteriza-se pela inutilidade.

Não sacia e nem fortifica.

Competência no palanque é usura da alma.

Todos são alunos na escola da vida.

E ninguém consegue aprender sem dar a lição.

Pense nisso.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 04.11.2011.

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