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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O amor materno


Existirá ou não o tão falado instinto materno? Há os que pretendem provar que tudo não passa de imposição social.

E o fazem, relacionando momentos históricos, em que ele se mostrou mais ou menos intenso. Por vezes, quase nulo em algumas comunidades.

Contudo, amor de mãe é verdadeiramente sublime. Pelo fruto das suas entranhas ou pelo ser que seu coração adotou, ela é capaz dos maiores sacrifícios.

Na China do século XX, uma jornalista teve oportunidade de incluir, entre suas reportagens, uma especialmente dedicada às catadoras de lixo da Província de Nanquim.

Uma mulher, em especial, lhe chamou a atenção. Era diferente das demais. No porte, na maneira de se vestir, no barraco construído de forma artística impecável, com sucata.

Certo dia, a ouviu cantar uma melodia russa. Indagando, descobriu que a mulher fora casada com um homem de projeção social e política.

Como se transformara em uma catadora de lixo é o que desejava descobrir, sem sucesso. A catadora não desejava revelar seu passado.

Um dia, fazendo uma viagem a Pequim, a jornalista encontrou uma caixa de bombons russos. Imaginou que uma pessoa que soubesse cantar uma melodia em russo, deveria gostar deles.

Quando os entregou, a mulher se emocionou. Aqueles eram os chocolates com que seu marido a costumava presentear.

Algum tempo depois, a jornalista foi convidada para uma recepção na casa de um jovem político ambicioso. A mansão impressionava.

A recepção era à ocidental. Em certo momento, a anfitriã lhe ofereceu um bombom. Quando abriu a caixa, a jornalista viu que ali estava a letra da canção russa que ela havia copiado à mão e dado à catadora de lixo.

Não aguentou a curiosidade e procurou, logo que pôde, a catadora de lixo. Como a caixa fora parar naquela mansão? Qual o mistério?

Foi marcada uma entrevista mas a catadora de lixo não compareceu.

Então, entre tantas cartas deixadas na entrada da rádio, a jornalista encontrou uma que dizia mais ou menos assim:

Cara Xinran. Obrigada pela sua amizade e pela caixa de bombons russos. Lembrou-me de que sou uma mulher que um dia teve um marido.

Dei os bombons ao nosso filho. Achei que ele gostaria, da mesma forma como o pai gostava.

É muito difícil para um filho viver com a mãe. Para a esposa dele também.

Não desejo criar transtornos na vida de meu filho. Nem lhe causar a dificuldade de tentar um equilíbrio entre mãe e esposa.

Mas acho impossível escapar da minha natureza feminina e dos hábitos de uma vida como mãe.

Vivo como vivo para estar perto do meu filho. Para vê-lo passar a caminho do trabalho, logo cedo toda manhã.

Por favor, não lhe conte isto. Ele pensa que moro no interior.

Desculpe, mas vou embora. Sou professora de idiomas e devo retornar para o interior e continuar ensinando crianças.

Os velhos devem ter um espaço onde possam construir uma velhice bonita para si mesmos.

Dei ao meu filho todo o calor que tinha em mim.

Felicidades. A catadora de lixo. Na cabana do lixo.

* * *

Entre os animais, há um sentimento instintivo da fêmea pelas suas crias, que cessa quando se fazem desnecessários os cuidados.

Nos seres humanos este sentimento é diverso e denota virtudes, como o devotamento e a abnegação.

Sobrevive mesmo à morte, e acompanha o filho até no além-túmulo.

De todas as formas de amor na Terra, o amor materno autêntico é das mais sublimes.


Redação do Momento Espírita com base no cap. A catadora de lixo, do livro As boas mulheres da China, de Xinran, ed. Companhia das letras e item 890 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 21.10.2011.

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