segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Versos da Imortalidade


Quem está disposto a escutar com o coração, mais do que com os ouvidos, encontrará notas de alegria nas letras das canções.

Quem está disposto a escutar com o sentimento, descobrirá emoção nas entrelinhas dos poemas de amor.

Edith Piaf, durante a Segunda Guerra Mundial, foi cantar para os soldados que se encontravam nas frentes de batalha. O objetivo era levantar o ânimo das tropas desalentadas pelo longo tempo de luta que parecia não terminar nunca.

Uma das canções que ela ofereceu àqueles homens tão saudosos do lar e dos seus afetos chamava-se Hino ao amor. E os versos, dizem mais ou menos assim:

Se o azul do céu escurecer, e a alegria na Terra fenecer, não importa, querida, viverei do nosso amor.

Se tu és o sol dos dias meus, não importa, querida, o amargor das dores desta vida.

Um punhado de estrelas no Infinito irei buscar, e aos teus pés esparramar.

Se o destino nos separar, se distante a morte te encontrar, não importa, querida, porque eu morrerei também.

Quando enfim a vida terminar e dos sonhos nada mais restar, Deus fará no céu eu te encontrar.

* * *

Podemos imaginar com que emoção aqueles homens endurecidos na luta, cansados e abatidos, terão escutado estes versos e recordado das suas esposas, suas namoradas, suas noivas.

Terão lembrado dos sonhos acalentados e interrompidos pela guerra. Dos castelos construídos a dois. Dos filhos deixados no lar.

Mas, com certeza, o que mais deve tê-los tocado foi a lição da Imortalidade inserida nos últimos versos.

Mesmo que eles morressem na batalha, que suas vidas terminassem ou que os seus amores viessem a morrer, na sua ausência, na outra vida, eles iriam se encontrar.

E esse encontro iria aplacar a enorme saudade que traziam em seus corações.

Que maior esperança se pode dar ao ser humano senão a da sua Imortalidade?

Ninguém morre. Somente muda de roupagem. E os verdadeiros amores não terminam nunca.

Para além da cortina do túmulo, eles se reencontram, prosseguem se amando.

* * *

Nas últimas horas antes de Sua prisão, Jesus Se despediu dos Apóstolos, durante uma ceia.

Os amigos sentiam, por antecipação, a saudade por Sua partida que já pressentiam.

Ele estava Se preparando para a morte, desde a ceia na casa de Simão, na cidade de Betânia, uns dias antes.

Sereno, Ele enfrentou o julgamento, o martírio e a cruz. Ressurgiu, em plena madrugada, e retornou para os amigos a fim de os consolar e lhes dizer: Sou eu mesmo. Não tenham medo.

E assegurou: Estarei para sempre convosco, demonstrando que as barreiras da morte podem ser vencidas pelo amor que liga as almas umas às outras, além do espaço e além do tempo.



Redação do Momento Espírita.
Em 03.12.2010.

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