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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O egoísmo das nossas vidas


Egoísmo é descrito como das mais terríveis enfermidades da alma e o maior obstáculo ao melhoramento social.

É a persistência em nós desse individualismo feroz que caracteriza o animal, como vestígio do estado de inferioridade.

Quase sempre, quando se menciona o egoísmo, nos vêm à mente os que acumulam grandes riquezas e a quem nada de material falta.

São vistos em manchetes constantes, em viagens internacionais, festas elegantes, banquetes luxuosos, iates e aviões particulares.

Ou então cogita-se das nações civilizadas, excessivamente ricas que tanto têm e não repartem com as nações pobres.

Essa é a nossa visão. Mas, convenhamos, um tanto distorcida. Se pensarmos bem, acabaremos por descobrir que todos somos um pouco ou um tanto egoístas.

Observemos no lar como funcionam as coisas. Levantamo-nos da mesa e não nos preocupamos em retirar o nosso prato e talheres, ou sequer recolocar a cadeira no lugar.

Quando nos vamos servir, não pensamos em divisão, mas em encher e muito o nosso prato.

Quando nos dispomos a assistir televisão, é tal o egoísmo que sequer cogitamos de combinar uma espécie de escala para que cada componente da família escolha, em um dia, a programação de sua eleição e juntos assistamos ora um, ora outro programa, a todos satisfazendo.

Nosso egoísmo é tamanho que preferimos logo ter uma televisão para cada um, em seu próprio quarto, para nunca ter que ceder ou deixar de ter atendida a sua vontade.

Quando andamos pelas ruas, em dias de chuva, somos tão egoístas que, mesmo estando com o guarda-chuva, desejamos andar debaixo das marquises, em vez de deixá-las para aqueles que foram apanhados desprevenidos pela intempérie.

Quando tomamos o coletivo para os deslocamentos urbanos, nosso egoísmo é tão grande que nem olhamos para o lado, a fim de não descobrirmos que alguém idoso, ou com criança ao colo ou deficiente, precisaria muito mais do que nós do assento em que nos acomodamos.

E pensamos tanto em nós mesmos, que nem esperamos que os passageiros desçam do ônibus e já vamos entrando, empurrando.

Que importa se os demais precisam sair? Nós desejamos entrar e logo, às pressas, para conseguirmos um lugar para sentar.

No ambiente de trabalho, fala alto também o egoísmo. Quando alguém nos deve substituir durante um período de férias, preferimos não ensinar tudo ao substituto, para que ele, por sua dedicação e competência, não venha a suplantar-nos e nós acabemos sobrando.

Em matéria religiosa, não somos diferentes. Cada qual deseja ter a exclusividade da verdade, do conhecimento e merecer, por isso, o reino dos céus.

Quantos nos afirmamos os exclusivos filhos de Deus, esquecidos de que Deus é um só. O único Criador. De todos. De tudo. E com o mesmo amor que nos ama, ama a todos os demais.

* * *

Aquele que não simplesmente aproveita o trabalho já encetado por outros mas, ao contrário, sabe cooperar, espalha ao redor de si tudo que tem de bom e se sente mais feliz.

Está consciente de ser um membro útil à sociedade. Interessa-lhe tudo o que se realiza no mundo, tudo o que é grande e belo sensibiliza-o e comove.

Sua alma vibra em harmonia com todos os Espíritos esclarecidos e generosos e em pé, como campeão ou como soldado, está pronto a participar de todos os grandes trabalhos, a penetrar em novos caminhos, a fecundar o patrimônio comum da Humanidade.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
XLVI do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb.
Em 02.01.2009.

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