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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O que as águas não refletem


O que as águas não refletem... na superficialidade não reside.

Quando estava entre nós, Ele costumava contemplar-nos e ao nosso mundo com um olhar de admiração, pois os véus dos anos não velavam Seus olhos, e tudo o que via era claro à luz da juventude.

Embora conhecesse o belo em toda sua profundidade, a paz e a majestade da beleza jamais deixaram de surpreendê-lO, e esteve diante do mundo como o Primeiro Homem estivera diante do primeiro dia.

Nós, com os sentidos já embotados, ficamos à plena luz do dia, mas não vemos.

Aguçamos os ouvidos, mas não ouvimos; estendemos as mãos, mas não chegamos a tocar.

Não vemos o lavrador em seu retorno do campo ao findar o dia; nem ouvimos a flauta do pastor que conduz seu rebanho para o curral; nem estendemos os braços para tocar o pôr do sol, e nossas narinas não mais anseiam pelas rosas...

Não, não veneramos um rei que não tenha um reino; nem ouvimos o som de uma harpa sem que haja uma mão a dedilhar-lhe as cordas; tampouco vemos uma pequena oliveira na criança a brincar em nosso olival.

E é preciso que cada palavra surja dos lábios carnais de uma boca, senão julgamo-nos mudos e surdos.

Na verdade, fitamos, mas não vemos; atentamos, mas não ouvimos; comemos e bebemos, mas não saboreamos.

E é aí que reside a diferença entre nós e Jesus de Nazaré.

Todos os Seus sentidos se renovavam continuamente, e o mundo para Ele era sempre novo.

Para Ele, o balbucio de um bebê não era menor do que o clamor de toda a Humanidade, enquanto para nós nada mais é do que um balbucio.

O que as águas não refletem é que para Ele, a raiz de um botão de flor era um anseio por se aproximar de Deus, enquanto para nós não passa de uma raiz...

* * *

Temos muito a aprender com Esse Exemplo maior das nossas vidas...

Jesus não é um ídolo qualquer, um depósito de nossas frustrações e incertezas, como os ídolos fúteis deste mundo.

Não, Ele é um Guia seguro para nossos passos, um Guia que precisa descer dos crucifixos que penduramos em nossas paredes brancas na aparência, e habitar nossos atos e nossos pensamentos diários.

Como Ele agiria se estivesse em nosso lugar?

Como Jesus falaria com esta pessoa? Como Ele trataria esse alguém que nos feriu profundamente? Como Ele reagiria a impropérios, a acusações improcedentes?

Estudando Sua vida em profundidade, fazendo estas perguntas e seguindo Seus exemplos, estaremos modificando, significativamente, nossas vidas.

Simplesmente cumprir as obrigações religiosas não é suficiente.

Não fazer o bem, nem o mal, não é suficiente.

Agir é necessário...

Revolucionar o coração é necessário...

Erradicar costumes viciosos é urgente...

Amoldarmo-nos aos ensinos dEle se faz de urgência, para a nossa e a felicidade do mundo.

Precisamos sentir o calor das Suas palavras em nossos corações. Precisamos atender ao chamado insistente que ecoa de século a século.

O que as águas não refletem, na superficialidade não reside: é necessário repensar a vida, e ir fundo nas mudanças que sejam necessárias...

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Um filósofo, do livro Jesus, o Filho do Homem, de Gibran Khalil Gibran, ed. Associação Cultural Internacional Gibran.
Em 10.1.2015.

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