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sábado, 30 de março de 2013

Menos ansiedade


Vivemos dias de velocidades intensas. A tecnologia facilita a comunicação, acelera o transporte, coloca-nos em contato com o mundo, e tudo diminui.

O tempo da carta transformou-se nos segundos da mensagem eletrônica. Os dias da viagem tornaram-se as horas do avião e as conversas nas ligações telefônicas reduzem-se a rápidas mensagens de texto nos telefones portáteis.

Cada vez mais precisamos nos informar, cada vez mais buscamos estudar, cada vez mais tentamos acompanhar uma velocidade acelerada, que tanto nos assusta quanto beneficia.

Por isso não somos poucos a viver uma vida de intensos afazeres, muitos compromissos, a nos exaurirmos nas horas que parecem poucas para tanto a fazer.

Não temos certeza se conseguiremos cumprir com os compromissos, se manteremos nossa competência profissional, se bem educaremos nossos filhos...

Natural que desenvolvamos comportamentos de insegurança e ansiedade frente a tantas dúvidas e questionamentos.

E, a partir disso, geramos doenças de comportamento, fobias sociais, alterações de larga monta em nosso organismo físico e em nossa estrutura emocional.

Mergulhados em um oceano de problemas, esquecemo-nos de que a Providência Divina sempre esteve e continua a velar por tudo e por todos.

Retornamos ao mundo físico sob a proteção e tutela de um Deus misericordioso e provedor de todas as nossas necessidades.

Por essa razão é que Jesus nos aconselhou a que deixemos a cada dia as suas próprias necessidades.

Com isso, Jesus nos incita à fé, para que façamos a nossa parte, na medida que seja possível, e no rol de nossas responsabilidades.

O restante, aquilo que não há como ajudar, melhorar ou alterar, entreguemos nas mãos de Deus. Ele há de saber como melhor fazer.

Muitas vezes nos atribulamos com coisas que não há como modificar, ou nos angustiamos com situações onde não se pode prever o desfecho.

Nessas horas, a fé e o entendimento de que Deus nos provê com todos os recursos necessários serão sempre roteiro para mantermos a paz íntima.

Mesmo que algumas vezes não compreendamos de imediato o porquê dessa ou daquela situação que nos ocorre, façamos a nossa parte, guardando a certeza de que nunca estamos sozinhos.

Mantenhamos a consciência tranquila de ter feito tudo que estava ao nosso alcance, utilizando dos melhores recursos que dispúnhamos. A Providência Divina se encarregará de nos amparar.

Agindo assim, perceberemos que, mesmo nesses dias acelerados e intensos, não há porque desenvolvermos aflições desnecessárias e inúteis.

Tranquilizando a mente, usando da oração como recurso terapêutico, teremos sempre a paz necessária para enfrentar os desafios naturais da vida.

* * *

Busquemos sintonizar com nossos guias espirituais e conseguiremos galgar os degraus do progresso e da paz.

O Mestre de Nazaré nos prometeu que não nos deixaria a sós. Ele sempre esteve e permanece conosco, na condição de pastor de nossas almas, sol sublime que ilumina nossas vidas.

Lembremos disso em nossa trajetória, a cada dia, a cada hora e sempre que as dificuldades nos pareçam intransponíveis.



Redação do Momento Espírita.
Em 21.3.2013.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Fique de olho na saúde do seu cão


O cachorro é um companheiro para todas as horas. Por isso, é estranho quando não está disposto a brincar. Isso ocorre ao ficar doente e nem sempre lembramos que ele pode ter gripe, alergia e se machucar, como a gente. Porém, assim como nós, os peludos precisam de cuidados para ter saúde e bem-estar.

As irmãs Maria Cecília, 9 anos, e Ana Clara Molonha, 6, de São Bernardo, não faziam ideia do trabalhão que dá tomar conta da lhasa apso Bela. Dividem as tarefas: uma trata dela antes de ir à escola e a outra, à noite. “A mãe ajuda a recolher a sujeira”, diz Ana Clara. Levam Bela para passear, tomar banho e ao veterinário. Assim, aprendem a se preocupar com quem é mais frágil e se tornam responsáveis.

Mas, mesmo cuidadosas, Bela se machucou ao cair da mesa. Preocupadas, seguiram a recomendação de não mexer na cadelinha. “Chamamos a veterinária. Fez raio X. Não quebrou nada”, lembra Maria Cecília.

Assim como os humanos, os animais não podem tomar remédio sem ordem médica. Além disso, os tutores devem ficar de olho em mudanças de hábito. Foi o que fizeram os irmãos Matheus , 7, Pedro Henrique, 7, e Lucas Bianchini, 5, de São Caetano, quando notaram que a shitzu Polly estava quieta e engordando rapidamente. “Fez ultrassom e estava grávida de três filhotes”, diz Matheus.

Os irmãos prepararam um cantinho especial na garagem para ela. “Ficamos ansiosos”, conta Lucas. Só não esperavam que Polly tivesse complicações no parto. “Um filhote estava preso. Levamos ao veterinário e ela ficou internada”, afirma Pedro.

Cuidados importantes

Além de dar carinho e atenção, quem tutela um animal precisa seguir as recomendações:

Deixar o pet em ambiente com ventilação e sempre limpinho.

Dar ração de qualidade e água fresca.

Passear com frequência com os cães para que desenvolvam os músculos.

Levar ao veterinário pelo menos uma vez ao ano e dar as vacinas necessárias.

Não deixar espalhados objetos que representem risco ao pet.
Fonte: Diário do Grande ABC

quinta-feira, 28 de março de 2013

A venda de filmes melhorou depois do fechamento do Megaupload


Faz um ano que fecharam o famoso MegaUpload e ainda continuam pesquisando o efeito que isso teve no mundo da pirataria e no consumo legal de filmes. A Universidade Carnegie Mellon de EE.UU. foi a responsável do último análise, e encontrou aumento da venda e aluguel de filmes depois da morte do MegaUpload.

Brett Danaher e Michael D. Smith analisaram o comportamento em 12 países e o compararam com os números de Natal de 2011, encontrando um aumento que, segundo eles, foi por causa do MegaUpload.

A metologia mede a relação entre o uso do Megaupload em cada país (visitantes únicos em dezembro de 2011) e as vendas de distribuidoras dos Estados Unidos, tendo um aumento de entre 6 e 10% más.

As vendas aumentaram na Espanha, México, França e outros países onde o megaupload era muito popular, mas este análise apenas monitora 18 semanas, sendo necessário mais tempo para chegar a conclusões definitivas.

Podem baixar o documento, de 26 páginas, aqui.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Japoneses apoiam presença de nikkeis no país, diz o governo



Uma pesquisa realizada pelo Gabinete do governo central do Japão mostrou que cerca de 80 por cento dos japoneses entrevistados são favoráveis à presença de nikkeis no país como integrantes da sociedade, informou o jornal Sankei nesta sexta-feira.

O governo elaborou a pesquisa de opinião pública em janeiro deste ano com 3 mil entrevistados de nacionalidade japonesa, maiores de 20 anos, e obteve resposta de 62,8 por cento desse total.

Trinta por cento dos entrevistados disseram que apoiam a presença de nikkeis (descendentes de japoneses com visto de longa permanência) na sociedade, e 50,9 por cento aprovam "se tivesse que escolher uma das opções".

Já a faixa de japoneses que não apoiam ou não aprovam "se tivesse que escolher uma das opções" atingiu 12,9 por cento.

Sobre as medidas do governo central e das administrações regionais que beneficiam os nikkeis, como a contratação de intérpretes nos Helloworks e a criação de salas especiais para crianças que não estudam, 59,7 por cento dos entrevistados responderam que elas devem ser mantidas, 27,3 por cento acham que elas devem ser ampliadas para ter maior alcance e apenas 4,8 por cento disseram que essas medidas devem ser reduzidas.

Fonte: Alternativa OnLine

segunda-feira, 25 de março de 2013

Depende de nós





Conta-se que um sábio seguia por um caminho, com seus discípulos. A via era tortuosa, difícil.


Em certo trecho, encontraram um carro mergulhado em um atoleiro. Admirados, viram que, ao lado do veículo, seu dono estava de joelhos, os olhos cerrados, orando fervorosamente para que Deus retirasse seu carro daquela situação.

O grupo olhou aquele homem, mergulhado na prece, sensibilizou-se e prosseguiu a sua caminhada.

Alguns quilômetros vencidos, encontraram outro homem com o carro igualmente mergulhado num lamaçal.

Ao contrário do primeiro, esse empreendia todos os esforços para tentar tirar o carro do atoleiro. Empurrava, colocava pedras como calços, tornava a empurrar.

Enquanto tudo isso fazia, no entanto, ele reclamava, esbravejava, gritava.

O sábio olhou a cena, olhou para seus discípulos e os convidou a que todos juntos auxiliassem aquele desafortunado homem.

Reunidas todas as forças, breve o carro foi retirado e o viajante, agradecendo, prosseguiu feliz a sua jornada.

Os aprendizes, surpresos, indagaram ao mestre:

Senhor, explique-nos por favor. O primeiro homem que encontramos, estava orando. Era piedoso, tinha fé em Deus e não o ajudamos.

Mas esse homem estava esbravejando, reclamando, era rebelde e, contudo, recebeu nosso apoio. Por quê?

O professor, sem se perturbar, explicou: Aquele que estava orando, esperava simplesmente que Deus viesse fazer a tarefa que lhe competia.

Esse outro, embora desesperado em sua ignorância, empenhava-se, esforçava-se, merecendo, portanto, auxílio.

* * *

A breve narrativa nos convida a nos indagarmos: seremos daquelas criaturas que somente reclamam do insucesso, dos dissabores, da enfermidade?

Somos dos que somente fazemos reclamar por não ter um amor, por não termos conseguido realizar o planificado para nossa própria existência?

Somos daqueles que acreditamos que nascemos para sofrer, penar, sermos infelizes?

Aprendemos, sim, que existem expiações que são inevitáveis, situações das quais não poderemos fugir, porque são o reflexo dos desmandos de vidas anteriores.

Contudo, elas podem ser alteradas, atenuadas ou até liberadas. Isso porque os atos saudáveis conquistam méritos para superar as ações danosas.

Mas, para isso, se faz necessário empreender esforços. Podemos e devemos alterar para melhor o clima que respiramos, o ambiente no qual nos encontramos.

Preciso se faz alteração de rota, movimento, realização. Abandonar a queixa, os pensamentos negativos, a mesmice de cada dia.

Abandonar as ideias negativas, o pessimismo porque, enquanto os alimentarmos, eles não nos abandonarão.

Planejemos o presente, estabeleçamos metas para o futuro e ponhamo-nos a trabalhar, sem amargura.

Lembremos, sobretudo, que não basta pedirmos ajuda a Deus. Precisamos fazer a nossa parte. E nossa parte se chama esforço pessoal, bom ânimo, perseverança.

Saúde ou doença, bem ou mal-estar, felicidade ou infelicidade dependem de cada um de nós.

Perguntemo-nos: O que desejamos para nosso amanhã?



Redação do Momento Espírita, com base no cap. 5, do livro
Momentos de saúde, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de
Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 18.3.2013.

domingo, 24 de março de 2013

Saiba Ler seu Holerite no Japão


Nos últimos anos, algumas reformas do governo têm feito com que a taxa do shakai hoken (seguro social da empresa) aumente, ou então que o imposto de renda retido na fonte (shotokuzei) diminua. Todos esses valores, que são descontados do salário, podem ser conferidos no holerite fornecido pelo empregador no dia do pagamento, mas o fato é que muitas empreiteiras ainda não entregam o documento traduzido em português. Com isso, os brasileiros ficam sem saber o que é descontado.

Normalmente, um holerite é dividido em três campos. O de valores recebidos (shikyuu) inclui salário base, auxílios, horas extras e outros benefícios, resultando no salário bruto. Os descontos (koujo) referem-se ao imposto de renda, shakai hoken (se o trabalhador estiver inscrito), seguro-desemprego, moradia e outros. Subtraindo esse valor do bruto, chega-se ao salário líquido. Há ainda a parte do histórico, com as horas trabalhadas, faltas, quantidade de zangyo e outros números.

COMO É O HOLERITE
(veja a numeração de cada termo na foto acima)

Recebimentos (shikyuu)
1 - Salário base (kihonkyu)
É o valor equivalente às horas trabalhadas em expediente normal (por exemplo, oito horas por dia)

2 - Auxílios (teate)
São ajudas de custo determinadas pelos contratantes a certos trabalhadores que tenham alguma licença ou certificado profissionalizante, auxílio-família e outras. Vale lembrar que a maioria dessas ajudas difere de empresa para empresa e não há obrigatoriedade legal para atingir todos os funcionários
2a - Horas extras (zangyo teate)
Valor equivalente às horas extras trabalhadas durante o mês. O acréscimo é de no mínimo 25% em relação ao valor base

3 - Trabalho fora do horário de expediente (jikangai kinmu teate)
Também pode ser usado como espaço para o valor das horas extras

4 - Ajuda de custo para trabalho noturno (shinya kinmu teate)
Valor equivalente a um acréscimo de 25% nas horas trabalhadas entre 22h e 5h.
Observação: se o horário noturno coincidir com as horas extras, o acréscimo é de 50%

5 - Ajuda por trabalho no dia de folga (kyujitsu kinmu teate)
Pela legislação, o trabalhador tem o direito de folgar um dia por semana (normalmente aos domingos). Se ele trabalhar na folga, recebe uma ajuda de no mínimo 35% do valor da hora

6 - Ajuda de transporte (tsukinhi)
A empresa pode oferecer ajuda para as despesas de transporte do funcionário, sem obrigatoriedade legal. Nos casos de trem ou ônibus, se o valor for inferior a 100 mil ienes não é incluído na soma do total calculado para descontos

7 - Desconto por ter entrado mais tarde ou saído mais cedo (chikoku soutai koujo)
Quando um funcionário entra mais tarde ou sai mais cedo, a empresa costuma não contar esse dia como trabalhado e paga o equivalente às horas trabalhadas. É por isso que este campo está na parte de recebimento do holerite, e não de descontos

8 - Desconto por período não trabalhado (kekkin koujo)
O mesmo critério de entrar mais tarde ou sair mais cedo

9 - Valor total tributável (kazei goukei)
A soma de recebimentos cujo total vira base de cálculo para o imposto retido na fonte

10 - Valor total não tributável (hikazei goukei)
O montante que consta nesse campo não vai para o cálculo do imposto retido na fonte

11 - Salário bruto (soushikyugaku goukei)
Soma de todos os valores recebidos

Descontos (koujo)
1 - Seguro-saúde (kenko hoken)
Valor descontado equivalente ao seguro-saúde do shakai hoken (se o funcionário estiver inscrito)

2 - Seguro de assistência a idosos (kaigo hoken)
Valor descontado de funcionários entre 40 e 64 anos de idade e que estão inscritos no seguro-saúde. Acima de 65 anos, o desconto é feito sobre a aposentadoria

3 - Aposentadoria (kousei nenkin)
Desconto da taxa de aposentadoria do shakai hoken

4 - Seguro do empregado (koyou hoken)
Quem está inscrito nesse benefício tem direito a receber o seguro-desemprego caso peça demissão ou seja demitido (com algumas exceções)

5 - Total do valor do shakai hoken (shakai hoken goukei)
A soma dos descontos equivalentes ao shakai hoken (seguro-saúde, assistência a idosos, seguro do empregado e aposentadoria)

6 - Valor tributável (kazei taishou gaku)
É o montante que vira base de cálculo para o imposto retido na fonte. Basicamente, é o valor total tributável (no campo de recebimentos) menos o total do valor do shakai hoken

7 - Imposto de renda retido na fonte (shotokuzei)
O imposto é calculado com base no valor tributável, mas pode variar de acordo com o número de dependentes

8 - Imposto residencial (juminzei)
Algumas empresas fazem desconto do imposto residencial diretamente no salário dos funcionários. Nesse caso, eles não recebem o carnê da prefeitura

9 - Descontos diversos
De acordo com a legislação trabalhista, a empresa não pode fazer descontos do que bem entender. É preciso haver acordo com os funcionários. É o caso da taxa de sindicato (roudou kumiai hi), aluguel de moradia, conta coletiva da emprsa (shanai yokin) ou despesas com refeição (bento daikin)

10 - Sub-total de descontos (koujo kei)
É o valor sem o shakai hoken. Inclui imposto de renda, imposto residencial e descontos diversos

11 - Total de descontos (koujo gokei)
Valor total a ser descontado do salário bruto

Histórico de trabalho (kintai)
1 - Dias de trabalho em geral (youkinmu nissuu)
É a soma dos dias trabalhados e os dias de falta

2 - Dias trabalhados (kinmu nissuu)
Inclui os dias efetivamente trabalhados e os dias tirados das férias remuneradas

3 - Horas trabalhadas (kinmu jikan)
Este campo é preenchido somente no caso de horistas

4 - Horas de trabalho fora do horário de expediente (jikangai kinmu jikan)
Número de horas extras. Em alguns holerites, aparece como zangyo jikan

5 - Horas de trabalho noturno (shinya kinmu jikan)
Número de horas trabalhadas entre 22h e 5h

6 - Horas de trabalho em dia de folga (kyuujitsu kinmu jikan)
Trabalho durante o dia de folga semanal

7 - Dias tirados das férias remuneradas (yuukyuu shouka nissuu) e dias que faltam (yuukyuu zannissuu)
Número de dias que o funcionário tirou do período de férias remuneradas e os dias que ainda restam

8 - Dias de folgas especiais (tokkyuu nissuu)
Pode ser remunerada ou não, como por exemplo falta tirada por causa de um velório ou casamento

9 - Dias de faltas (kekkin nissuu)
Geralmente é considerada uma falta quem não trabalhou o expediente inteiro

10 - Número de vezes que chegou mais tarde ou saiu mais cedo (chikoku soutai kaisuu) e número de horas (chikoku soutai jikan)
Essas horas normalmente são descontadas do salário

Descrição (kiji)
1 - Depósito bancário (ginkou furikomi) ou pagamento em dinheiro (genkin)
Para as empresas que fazem o pagamento via banco (taxa de depósito deve ficar por conta da empresa) ou em dinheiro

2 - Salário líquido (sashihiki shikyuu gaku)
É o salário bruto menos o valor total de descontos

Fonte: Alternativa Online

sexta-feira, 22 de março de 2013

O racismo no Brasil pelo olhar de quem veio de fora


“Open Arms, Closed Doors” é um filme sobre um imigrante angolano que vive na favela da Maré, no Rio de Janeiro, e compõe rap para combater o preconceito sofrido diariamente. Pedi para as diretoras, as brasileiras Fernanda Polacow e Juliana Borges, um texto sobre a experiência de produzir o documentário, que estreia, nesta segunda (18), pela rede de TV Al Jazeera.

Vale a pena assistir e compartilhá-lo nas redes sociais. O resultado acaba funcionando como um espelho do que somos, mostrando que, não raro, agimos com o mesmo preconceito utilizado contra nós por alguns cidadãos e governos do centro do mundo.

O racismo no Brasil pelo olhar de quem veio de fora, por Fernanda Polacow e Juliana Borges*

Discutir o racismo na sociedade brasileira sempre é um assunto controverso. Para início de conversa, uma parcela significativa da nossa população insiste em dizer que este é um problema que não enfrentamos. Somos miscigenados, multirraciais, coloridos. Como um país assim pode ser racista?

Foi essa a pergunta que o angolano Badharó, protagonista do documentário “Open Arms, Closed Doors” (Braços Abertos, Portas Fechadas), que dirigimos para a rede de TV Al Jazeera e que será veiculado a partir de hoje em 130 países, se fez quando chegou ao Brasil em 1997 esperando encontrar o Rio de Janeiro que ele via nas novelas.

Badharó é um dos milhares de angolanos que vieram viver no Brasil. Depois de fugir da guerra civil no seu país de origem, escolheu aqui como novo lar – um país sem conflitos, alegre, aberto aos imigrantes e cuja barreira da língua já estava ultrapassada à partida. Foi parar no Complexo da Maré, onde está localizada a maior concentração de angolanos do Rio de Janeiro.

Para quem defende que o Brasil não é um país racista, vale ouvir o que ele, um imigrante negro, tem a dizer sobre a nossa sociedade. Badharó não nasceu aqui, não carrega nossos estigmas, não foi acostumado a viver num lugar em que muitos brancos escondem a bolsa na rua quando passam ao lado de um negro. Depois de 15 anos vivendo numa comunidade carioca, ele tem conhecimento de causa suficiente para afirmar: “O Brasil é um dos países mais racistas do mundo, mas o racismo é velado”. O documentário segue a rotina deste rapper de 35 anos e mostra o dia a dia de quem sofre na pele uma cascata de preconceitos, por ser pobre, negro e imigrante.

Além de levantar o tema do nosso racismo disfarçado, o documentário propõe, também, uma outra discussão: agora que estamos nos tornando um país alvo de imigrantes, será que estamos recebendo bem esses novos moradores?

Com a ascensão do Brasil como potência econômica e o declínio da Europa, principal destino de imigração dos africanos, nos tornamos um foco para quem não apenas procura uma situação melhor de vida, mas para quem procura uma melhor educação ou mesmo um bom posto de trabalho. São muitos os estudantes africanos de língua portuguesa que desembarcam no Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Angola foi o quarto país do mundo que mais solicitou visto de estudantes no Brasil em 2012. Com esta nova safra de imigrantes, basta saber como vamos nos comportar.

Europeus e norte-americanos encontram nossas portas escancaradas e nossos melhores sorrisos quando aportam por aqui, mesmo que estejam vindo de países falidos e em situação irregular. No entanto, um estudante angolano com visto e com dinheiro no bolso, continua sofrendo preconceito. Foi este o caso da estudante Zulmira Cardoso, baleada e morta no Bairro do Brás, em São Paulo, no ano passado. Vítima de um ato racista, a estudante virou o mote de uma musica que Badharó compôs para que o crime não fique impune. Isto porque tanto as autoridades brasileiras quanto as angolanas não deram sequência nas apurações e o crime segue impune.

A tentativa de abafar qualquer problema de relacionamento entre as duas nações pode afetar as interessantes parceiras comercias que existem entre os dois governos. Para todos os efeitos, continuamos sendo ótimos anfitriões e estamos de braços abertos para quem quer aqui entrar.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Um Exemplo de Amizade - Marcia Suemi





Depois de alguns meses que vim para o Japão, algumas pessoas que sempre amarei, partiram desse mundo...

No ano de 2000, decidi passar pelo menos dois meses no Brasil e "curtir" o máximo possível as pessoas que aqui ainda permaneceram.
Mas, o limite de "férias" que a Toyota dá para um funcionário, são de 30 dias. Então, eu tive que me demitir... rs
Uma amiga (na verdade não falo mais com ela e um dia talvez eu fale o porque) disse que eu poderia ficar no apartamento dela e deixasse minhas coisas lá, pois o filho tinha acabado de se mudar e o quarto dele estava vazio...
Eu aceitei e assim o fiz...
Uns 15 dias antes de viajar, lá fui eu com minhas coisas para a casa dela.
Depois de ter ficado uns quatro meses no Brasil, fiquei mais uns 15 dias na casa dela também.
Estou explicando isso, porque não sei exatamente quando foi que "o  telefone tocou".... rs
Deixa eu explicar...
Nessa época, eu frequentava o NEC-J, Núcleo Espírita Cristão do Japão. Ia todo sábado e domingo.
Tinham vários eventos o dia todo. Encontro de Jovens, Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo e etc... Era muito corrido, apesar de divertido e aprendíamos muito.
Mas, muita gente, muita conversa, muito o que fazer e etc... Às vezes não dava tempo nem de respirar direito... rs Ainda mais eu, que muitas vezes tinha saído do serviço no sábado pela manhã, apenas tomado um banho e ido para lá. 
No sábado à noite eu ia pra "balada" e no domingo de manhã (ainda sem dormir) ia para lá.... rs
Bom, voltando, nesses dias que fiquei na casa dessa amiga, aproveitei para "dar um trato" no apartamento dela e tal.
Um dia o telefone residencial tocou e eu atendi.
Do outro lado uma moça perguntou por minha amiga, disse que ela não estava. Ela perguntou quem era que estava falando e eu falei meu nome. Ai ela disse "Oi! Tudo bem?! É a Márcia! Nos conhecemos no NEC! Lembra de mim?".
Su, não me xingue e nem me mate.... Nunca te contei isso... Mas, eu não fazia a menor idéia que quem era, mas fiquei muito sem graça de dizer isso... Eu conhecia muita gente no NEC e meu cérebro para nomes é péssimo...
Respondi que sim, rs e começamos a conversar.... rs
Eu não sei quantas horas ficamos naquele dia no telefone, só sei que foram várias... rs
Não sei, mesmo não sabendo exatamente com quem eu estava falando,  a conversa fluiu naturalmente, como se fossemos amigos a séculos... rs
Nem preciso dizer que desse dia em diante, eu sabia muito bem quem era a Marcia Suemi rs
Acabei voltando para a Toyota, mas pelo menos uma vez por mês eu vinha a Nagoya (pois ela sempre morou aqui com o marido Alexandre) e nos víamos.
Às vezes eu ia a casa dela para ver o computador dela que estava com algum problema e acabava ficando o dia todo lá rs Ai sempre ela e o marido me traziam para casa à noite de carro.
Eu gostava muito de trabalhar na Toyota. O trabalho era bom, o ambiente, os colegas e o sistema deles é ótimo! Mas, a cidade...
A cidade de Toyota é ótima para quem tem carro ou gosta de cidade calma... E eu, não dirijo e detesto cidade calma...
Tudo era longe de onde eu morava...
O mercado mais próximo, 30 minutos andando, a estação, 20 minutos e por assim vai...
Um dia, a Suemi perguntou o porque que eu não vinha morar em Nagoya... rs
Resumindo a história, ela conseguiu uma entrevista na fábrica que trabalhava e eu passei.
Mas, tinha um problema, eu não tinha aonde morar!!! kakakakakakaka
Na verdade, eu poderia morar no apartamento na empreiteira que ficava na cidade vizinha, mas eu realmente não queria isso, pois morar longe, em outra cidade do interior... Se fosse assim, melhor ficar aonde eu estava mesmo... kakakakaka
Ai, ela, o marido e uma outra amiga (que não falo mais também rs), resolveram me ajudar...
Deixaria minhas coisas na casa desta amiga e ficaria morando temporariamente na casa da Su e Alexandre até alugar um apartamento.
Eu achei uma loucura, mas não é que fizemos isso mesmo?!
E ai num sábado pela manhã estávamos eu, Suemi, Alexandre, Cláudia (amiga que não converso mais, infelizmente) e Takeo (futuro colega de trabalho) fazendo minha mudança... rs
Depois de alguns dias, eu aluguei este apartamento que estou morando até hoje... rs
No dia da minha segunda mudança rs, lá foi a turma toda se reunir e correr rs
Mas, eu não sabia que eu tinha que comprar algumas coisas... rs Não sabia que não ia haver lustres no apartamento e outras coisas mais e tinha dois detalhes ainda nisso tudo, eu não sabia aonde ficava nada nessa cidade e ainda a Suemi e o Alexandre iam viajar no domingo para Okinawa...
Vocês acreditam que ela não queria nem saber? Digo, ela além de ter me ajudado na mudança pela manhã, passou o resto do dia comigo na rua me levando para comprar tudo que eu precisava!!!!
Só depois que ela foi arrumar as coisas para a viagem dela...
Não há como escrever todos os momentos que passamos juntos aqui... rs
Não foi apenas uma vez que ela me ajudou e me alegrou e me fez sentir feliz.
Será que alguém sabe como é importante se sentir feliz?
Como isso nos faz bem?
E como é difícil encontrar pessoas que façam isso e que consigamos sentir que é por amizade verdadeira?
Pois é, como li numa frase outro dia que dizia algo que as pessoas podem esquecer qualquer coisa, mas nunca como nos fizemos ela se sentir... e acho que isso é totalmente verdade...
Podemos esquecer as coisas que as pessoas fizeram a nós ou por nós, mas nunca o que sentimos.
A Suemi sempre fez com que eu me sentisse um amigo verdadeiro, uma pessoa de bem, importante na vida dela e de sua família.
Eu estive presente na gestação e no nascimento dos seus dois filhos e digo que isso é algo muito grande emocionalmente falando!!!
A Giulia foi a primeira e depois veio o Gustavo.
Meus sobrinhos mais que amados!!!!
Eu não sei se alguém leu aqui o dia que o Cão ficou travado das patas traseiras a primeira vez por causa da hérnia de disco...
Eu cheguei em casa depois de um dia de trabalho e encontrei ele travado. Eu fiquei desesperado, sem saber o que estava acontecendo ou o que fazer.
Era dezembro, noite, inverno, muito frio.
Liguei para a Suemi no mesmo instante, não sabia o que fazer e lembro que ela simplesmente disse: "Estou passando ai!".
Chegou alguns minutos depois com o carro e as crianças dentro.
Fomos para a Clínica Veterinária, ficamos horas ali. Eu não via nada na minha frente.
Lembro quando o Médico Veterinário deu o resultado dos exames e disse o preço da internação e tudo mais. Eu não tinha dinheiro na época, tinha ficado desempregado 4 meses, tinha começado a trabalhar a dois meses (eu acho) e ela simplesmente falou: "Migo, não se preocupe, manda tratar. É seu filho! Eu estou aqui para te ajudar!".
O Médico tinha dito, ou tratava ou mandava sacrificar...
Eu não consigo esquecer nem as palavras do médico que simplesmente me tiraram o chão e nem as palavras dela que me trouxeram o apoio que eu precisava naquele momento.
Só depois de meses que eu lembrei que poderia ter chamado um táxi, que as crianças nem tinham jantado, que estava frio...
A Suemi não se importou com nada e ela sempre foi assim. Não só comigo, mas não tenho como negar que ela foi sempre mais que uma amiga, uma irmã em todos os momentos!
Ela já tinha me ajudado financeiramente quando fiquei desempregado e me ajudou novamente com o tratamento do Cão.
Apesar de ter uma vida corrida, com dois filhos pequenos, Marido, Casa e trabalho, ela nunca deixou de estar ao meu lado!!!
Moramos anos perto um do outro e compartilhamos tudo em nossas vidas... Alegrias e tristezas...
Quando não tínhamos tempo de nos ver (durante a semana por exemplo), passávamos horas no telefone... rs
Hoje, ela, o marido e filhos estão no Brasil, mas a sintonia, a amizade, o carinho e respeito, permanecem intactos ou até mais fortes.
Sabemos que podemos contar um com o outro e sabemos o quanto somos importantes um para o outro.
Amizade simples e verdadeira.
E posso garantir, amizade assim, não existe em qualquer lugar...
Pessoas como ela, muito menos...
Ela é aquela mulher mais que lutadora, batalhadora.
Simples e honesta, culta e sábia!
Muitos muitas vezes a criticam, pois não conseguem entendê-la.
Ela é aquela pessoa que é prática, pensa e fala e a maioria não gosta de escutar a verdade...
Muitos não a compreendem, mas eu posso dizer que ela é uma pessoa maravilhosa e uma amiga/irmã espetacular!!!
Agradeço à Deus sempre por poder ter reencontrado esse espírito amigo nesta caminhada aqui na Terra!!!
 
 


segunda-feira, 18 de março de 2013

Animal de estimação x Bebê


Até a chegada do primeiro filho, o animal de estimação era o centro das atenções. De repente, o bebê passa a ser alvo de todos os mimos e carinho, e o bichinho de estimação passa a ser colocado em segundo plano ou até mesmo negligenciado. Portanto, pequenas mudanças devem ser introduzidas antes mesmo da chegada do bebê, para que o bichinho não se sinta preterido.

“É importante lembrar que o animal estava antes do bebê, assim ele ou eles se ressentirão por não terem mais toda a atenção, isso não significa que esses indivíduos sejam de índole difícil ou mesmo temperamentais. É uma desestruturação em toda a dinâmica emocional da família”, alerta a médica veterinária e diretora do CETAC – Centro de Ensino e Treinamento em Anatomia e Cirurgia Veterinária, Elaine Pessuto, que já está preparando seus quatro cães e cinco gatos para a chegada do primeiro filho, em maio de 2013.

dra-elaine-pessuto

E nem pensar em excluir o animal de estimação dos preparativos para a chegada do novo membro da família. Impedir completamente o acesso do animal ao futuro quarto do bebê, só vai gerar ainda mais curiosidade e ansiedade. Alguns animais podem fazer de tudo para tentar entrar no quarto da criança e quando conseguirem são capazes de fazer coisas somente para chamar a atenção, como urinar dentro do quartinho, destruir objetos ou móveis.

“Quando iniciamos os preparativos para receber o bebê, devemos fazer com que o animal participe do processo. Sei que a maioria das mães fica bastante preocupada com a questão da higiene e dos cuidados sanitários, mas é importante manter o animal vacinado, vermifugado e sempre de banho tomado, feito isso ele pode ter acesso aos espaços destinados ao bebê”, orienta.

O bichinho de estimação pode apresentar mudanças de comportamento desde o momento que percebe a gestação. “ Muitos animais notam que suas ‘mães’ ou tutoras estão diferentes, afinal durante a gestação nosso odor se altera, nossa forma física fica diferente e também nosso padrão vibratório. Alguns ficam mais arredios, outros mais curiosos e outros ainda mais apegados. É importante, nessa fase, manter o animal junto, recebendo carinhos e já mostrando que mudanças vão acontecer. Para animais que costumam deitar na barriga, tentar fazer com que eles percebam os movimentos do bebê e já dizer que o nenê está ali”, adverte.

Ciúmes, curiosidade, medo ou ainda agressividade são alguns dos diferentes tipos de comportamentos que os animais de estimação podem apresentar. De acordo com a dra. Elaine, existem diferentes métodos de abordagem para evitar que o animal fique com ciúmes. “O importante é nunca fazer do fato um evento, ou seja, a abordagem deve ser o mais natural possível para evitar traumas e situações estressantes”, destaca.

Para evitar que animal se sinta preterido e fique ressentido com a chegada da criança é importante fazê-lo entender que a família vai ganhar um novo membro e não um concorrente, alguém que vai roubar o seu lugar. “Quando o bebê ainda estiver na maternidade, o pai deve levar para casa uma peça de roupa usada pelo bebê e entregar para o cão ou gato, para que o animalzinho sinta o cheiro, assim quando a criança chegar já terá seu cheiro reconhecido”, recomenda.

Após a introdução, o próximo passo é preparar o pet para receber seu novo irmãozinho ou irmãzinha. “Ao entrar com o bebê, apresente a criança, se abaixe na altura do cão e deixe que o animal o cheire, comece pelo pezinho e vá identificando a reação do animal, se ela for positiva permita que ele vá cheirando cada vez mais. Depois disso leve o bebê para o quarto e chame o cão, com palavras em tom carinhoso explique que este é um ‘irmãozinho (a)’ e que ali é o lugar dele”, aconselha.

Outra dica valiosa, durante o processo de adaptação, é associar a criança a situações agradáveis. “Quando notar que o cão ficou triste, pois espera uma atenção que não teve, o chame para participar. Ao amamentar, por exemplo, coloque o cão próximo e traga um brinquedo ou petisco para esse momento, assim enquanto a mãe amamenta o seu bebê, o cão estará feliz com a atenção e associará positivamente”, sugere.

Para animais muito ansiosos, ciumentos ou possessivos, é recomendado entrar em contato e conversar com o veterinário de confiança, pois existem diferentes tratamentos alternativos com associação de florais e fitoterápicos para preparar o animal para essas mudanças.

Se em algum momento algo inesperado ocorrer, como o animal latir, rosnar e até tentar avançar na criança, é importante manter a calma conforme alerta a dra. Elaine. “Obviamente retire a criança do alcance do animal em caso de tentativa de agressão, mas se foi um latido, repreenda sem gritar, diga que isso assusta o bebê e tente fazer associações positivas, com o uso de petiscos ou brinquedos que devem ser associados ao bebê e não ao adulto envolvido. Devemos evitar as reações exageradas, como por exemplo, gritos, sustos, medos exacerbados porque os animais percebem essas reações e vão agir com insegurança e no caso dos dominantes vão tentar se sobrepor, é importante manter sempre a tranquilidade e a naturalidade”, adverte.

Manter a rotina do animal também faz parte do processo de introdução do bebê, ou seja, evite mudar hábitos como a frequencia de passeios e brincadeiras. “A rotina do cão deve ser mantida, sei que tudo muda ou no mínimo se altera, mas é importante lembrar que toda e qualquer mudança gera ansiedade e estresse e o cão pode exacerbar essa vibração de forma negativa”, finaliza.

Dra. Elaine Pessuto – CRMV 20060
CETAC – Centro de Ensino e Treinamento em Anatomia e Cirurgia Veterinária
Rua Castro Alves, nº 284 – Aclimação
Tel.: (11) 2305-8666
www.cetacvet.com.br

Fonte: http://blogs.jovempan.uol.com.br/petrede/animal-de-estimacao-x-bebe/#.UUXRdxmw4vo

domingo, 17 de março de 2013

Não acredito no demônio. Só na intolerância da bancada evangélica





“Índio nasce índio, não tem como mudar. Negro nasce negro, não tem como mudar. Mas quem nasce homossexual pode mudar. Até a palavra ‘homossexual’ deveria ser abolida do dicionário, já que se nasce homem ou mulher.”


As frases são de Marco Feliciano (PSC-SP), indicado pelo seu partido como novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, e foram proferidas, em novembro do ano passado, durante audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família. Ele participava de um debate sobre uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que, desde 1999, proíbe profissionais de oferecerem tratamentos para “curar” homossexuais. É claro, era contra a resolução.

Vamos deixar de lado o preconceito contra indígenas e negros, publicizado em mais de uma ocasião pelo indicado a novo presidente da Comissão de Direitos Humanos, e nos focar onde ele é mais contundente.

A todo o momento, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transgêneros sofrem preconceito silencioso ou escancarado e são vítimas de violência psicológica e física. Vira e mexe são assassinados a paus, pedras, facas ou à mão nua.

Muitas vezes os executores não são encontrados ou nem são procurados. Mas parte dos mentores encontram-se muito bem instalada no mais imponente dos prédios da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Por trás da imunidade parlamentar, escondem-se entrincheirados covardes defensores da discriminação, do preconceito e da intolerância. Deputados e senadores que bradam indignados mediante a tentativa de aprovação da lei que criminaliza a homofobia. Supostos representantes dos interesses do Sobrenatural na Terra que afirmam lutar pelo direito de expressarem suas crenças.

Mas que lástima de crença é essa que diz que A é pior que B, gerando ódio sobre o primeiro, só porque A se deita com alguém do mesmo sexo? Que crença maldita é essa, que envenena a existência com rancor ao próximo e fomenta a incapacidade de compreender a beleza da diversidade humana?

Eu não acredito no demônio. Mas, vendo crenças assim serem professadas, diria que ele existe sim. E anda por aí, pregando em rádios, TVs, internet, tribunas de parlamentos e onde quer que haja terreno fértil de ignorância para brotar o que há de pior nos homens e mulheres.

Pode parecer exagero, mas não é. O Ministério Público Federal deveria co-responsabilizar os membros da bancada evangélica em Brasília por conta desses atos bárbaros de homofobia que pipocam aqui e ali – de ataques da Avenida Paulista ao interior do Nordeste. Pois ao travar medidas que contribuiriam com a solução, eles ajudam na manutenção das condições que geram o problema. E, ao declarar aberrações, apagam a dúvida que havia dentro de muita gente que, treinada na intolerância, se contém para não fazer o pior. Não querem que o Estado dê um recado claro contra a violência, afirmando temer represálias contra suas pregações.

Um dia ouvi uma dessas pregações. E tive vontade de rir. E de chorar.

Cada homossexual que for espancado e morto deve ser acrescentado na conta desses representantes políticos. Mas como não acredito em acerto de contas no juízo final ou na celeridade da Justiça brasileira, muito menos em uma ação dos eleitores desse pessoal, só me resta ter fé.

Como já disse aqui, líderes religiosos dizem que não incitam a violência. Mas não são suas mãos que seguram a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente, mas é a sobreposicão de seus argumentos e a escolha que faz das palavras ao longo do tempo que distorce a visão de mundo dos fiéis e torna o ato de esfaquear, atirar e atacar banais. Ou, melhor dizendo, “necessários”, quase um pedido do céu. Suas ações alimentam lentamente a intolerância, que depois será consumida pelos malucos que fazem o serviço sujo.

A partir da brilhante exposição de Marco Feliciano, citada no início deste texto, um comentário: intolerante não nasce intolerante, tem como mudar. Preconceituoso não nasce preconceituoso, tem como mudar. Homofóbico não nasce homofóbico, foi criado para ser assim. Tenho fé que, um dia, as palavras “intolerante” e “preconceito” sejam abolidas do dicionário por não fazerem mais sentido. Já que – não importa a etnia, a cor da pele ou a orientação sexual – nascemos iguais em direitos perante a lei.

Agora, que ele deve assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos, desejo boa sorte. Como também desejo boa sorte por conta de Blairo Maggi, que tornou-se presidente da Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle do Senado Federal.

Não aos dois, mas a todos nós. Porque vamos precisar.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Um anjo partiu


Foi aos onze meses que os pais observaram que algo não estava muito bem com a pequena Luana.

Com pouco mais de um ano, ela passou a ser atendida pelo setor de transplante de medula óssea e os diagnósticos foram os mais diversos. Nenhum muito preciso porque os sintomas eram incomuns.

Ela recebeu transplante de medula. O sucesso inicial que deu esperanças e fez sorrir toda a família, logo se desvaneceria.

A síndrome que apresentou, extremamente rara, foi se revelando quase insana. Os sangramentos intestinais levaram a muitas internações, a cauterizações por endoscopia, a transfusões inúmeras. Chegou a fazer quatro em um único dia.

Tentou-se cirurgia no olho direito, pois a visão foi ficando comprometida. A falta de irrigação na retina fez com que o resultado fosse o insucesso.

Sua mãe a chamava meu pequeno ipê amarelo, que floria o seu jardim.

Luana nunca reclamava de coisa alguma. Encontrou alegria em meio à dor. Sem visão, ela enxergava muito bem com suas mãos miúdas. Com a alma via luz e vultos, o que lhe parecia extremamente suficiente para ser feliz.

Rapidamente, ela ficou conhecida, conquistando médicos e enfermeiros.

Não havia quem não a desejasse atender, sempre com um sorriso no rosto, mesmo entre procedimentos dolorosos que se faziam necessários.

E logo, para amenizar tantas dores, mãe e filha criaram um código todo especial para se referirem às coisas do dia a dia.

Um código que o pessoal do hospital logo aderiu: ver a pressão era fazer puf-puf; auscultar o coração era ouvir o tum-tum; o catéter se chamava caninho; as transfusões eram o papá do caninho e o clamp do caninho era o tic-tac que prendia o cabelo dele.

E havia o Zé não qué para os dias em que Luaninha dizia não, não e não e a Maria reina para os dias em que ela fazia um pouco de birra.

Ela não chegou a completar cinco anos. Partiu, tão docemente como chegara, sem aguardar o apagar das velinhas do aniversário, tão próximo.

Na saudade, dias depois, escreveu-lhe a mãe:

Minha linda. Já é seu aniversário! Parabéns!

Aqui em casa, nada de barulho... Nem de preparativos. Nada de madrugadas enrolando brigadeiros, nem de manhãs enchendo balões.

Nada de correria para entregar convites da princesa para outras princesas. Nada de café da manhã na cama, de roupa bonita, nem de velinha para o bolo.

Aqui tudo silencia e sente sua ausência. Não tem o ranger do balanço, nem gargalhadas na varanda. Não haverá vizinhos dizendo, no dia seguinte, que ouviram sua vozinha o dia todo.

Não tem caminhada na rua, nem florzinha colhida fresca para pôr na aguinha. Só o barulho incessante do ventilador e o ping da torneira se revezam com minhas lágrimas de saudade.

Mas a rua está lá. Os vizinhos também. Ainda mora na varanda o seu balanço para que outras princesas possam brincar...

Mora aqui também o seu riso e sua alegria e posso ouvir tudo isso, se fechar os olhos por um minuto! Mora aqui todo bem e as lições que você deixou. Mora aqui um coração de mãe aflito por saber se você vai apagar velinhas aí onde está.

Amo você para sempre! Parabéns, meu anjo!



Redação do Momento Espírita, em homenagem a
Luana Costa Macedo, desencarnada em 4.11.2012.
Em 6.3.2013.

terça-feira, 12 de março de 2013

Diferentes olhares


Nosso viver em sociedade nos traz a inevitável possibilidade de analisar e observar o comportamento do próximo.

Sejam aqueles da intimidade familiar, os colegas do ambiente de trabalho ou da escola, o vizinho, um amigo, seja o desconhecido que cruzamos na rua, sempre estamos a observar atitudes e comportamentos.

E nesse observar, não são poucas as vezes em que agregamos nossa opinião, nosso juízo de valor, nossa ponderação e julgamento a respeito dessa ou daquela atitude.

Se vemos alguém agir de determinada maneira, rapidamente nos pomos a julgar, a ponderar, a dizer que está equivocado nesse ou naquele ponto.

Em determinada situação que nos chega, na qual alguém nos conte, mesmo de forma superficial, algum fato, desconhecendo, embora, os detalhes e o todo do que ocorreu, rapidamente tomamos partido, elegemos o certo e o errado, julgamos.

Quando convidado a decidir o futuro da mulher adúltera, se deveria ser apedrejada até a morte ou não, como prescrevia a lei, Jesus serviu-se da assertiva de que se ali houvesse alguém sem pecado, sem erro, sem problemas de ordem íntima, esse sim poderia apedrejá-la.

Nessa passagem descrita pelos Evangelistas, vemos a lição do Mestre a respeito do julgamento.

Quais as condições que temos para julgar a situação do outro? Quanto da verdade temos ciência para ajuizar dessa ou daquela situação?

Não obstante, não raro agimos com acidez, violência e sem escrúpulos para comentar as faltas alheias, os tropeços cometidos, os deslizes de qualquer monta.

Faz-se necessário que, antes do julgar, tenhamos outros olhares a respeito do nosso próximo.

Olhar as falhas do outro com um pouco mais de doçura, de compreensão, de indulgência.

Aquele que erra, o faz por limitações e dificuldades que ainda carrega em seu íntimo. Logo mais, haverá de se dar conta dos seus tropeços, arrependendo-se e refazendo os passos. Está na lei Divina, na lei do progresso.

Assim, os erros do próximo podem servir para nossa análise e observação, visando nosso aprendizado e reflexão. Mas não precisam de nosso julgamento.

Aquele que julga, coloca-se em um patamar mais elevado, nem sempre merecedor ou em condições de sustentá-lo.

Aquele que compreende, coloca-se em igualdade, percebendo que em si também ainda moram paixões e dificuldades, que em algum momento poderão se manifestar.

Dessa forma considerando, compete-nos olhar o erro do outro através da compreensão que substituirá o julgar; da afabilidade que tomará o lugar da acidez nas observações.

Usar da compaixão no agir, o que será muito mais útil e proveitoso do que a indiferença.

Afinal, como nos lembra o Mestre Nazareno, não devemos julgar para não sermos julgados.

Por justiça e lógica da Providência Divina, a mesma medida de que nos tenhamos servido para com o outro, assim também será empregada para conosco.



Redação do Momento Espírita.
Em 28.2.2013.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Quando os amores partem


O que acontece com quem parte ou chega de um aeroporto faz parte de um tipo especial de memória.

Uma memória que parece ter uma persistência maior e uma existência mais viva do que aquela comum, que guarda o cotidiano e a rotina.

Estas as primeiras palavras da apresentadora de um programa televisivo muito singular, que descobre histórias e mais histórias, nos portões de chegada e partida de um aeroporto brasileiro.

Um desses relatos é de uma mãe, entre lágrimas, despedindo-se da filha, que passaria cerca de um ano estudando uma língua estrangeira num país distante.

Aquela senhora, muito simples, trazia um misto de alegria e saudade, pois se tratava de uma grande conquista da filha, pela qual havia trabalhado muito tempo para conseguir.

Narrou que nunca teve condições de sequer realizar os estudos regulares, mas que sua felicidade estava em ver o sucesso da filha.

A apresentadora, percebendo a dor que há em toda separação, disse: A senhora já está com a dor da saudade, eu percebo, mas ao mesmo tempo não dá alegria ver o filho conseguindo tudo isso?

Ela respondeu que sim, melhorando o semblante, e que a filha merecia tudo de bom que estava lhe acontecendo.

A alegria pareceu consolar a saudade naquele instante.

* * *

Retiramos deste relato uma reflexão principal.

Nesse mundo de chegadas e partidas constantes, será que não conseguimos enxergar a morte através dessa nova lente?

Será que não podemos entender que cada um tem seu tempo aqui, mas que terá outros afazeres, objetivos e etapas em outros lugares?

Tenhamos em mente essa figura, do filho que viaja para construir parte de sua vida em outro lugar, que parte para aprender e viver novas experiências.

O quanto ele sairá melhor dessa vivência nova!

O amor apego precisa começar a ser substituído pelo amor libertador, que pensa sempre no melhor para o outro, em primeiro lugar, antes de pensar no que é melhor e mais cômodo para si.

A dor da saudade é real e saudável, quando não nos tira do prumo, obviamente.

Na Espiritualidade, seja onde estivermos, não perderemos contato com nossos amores. A lei de afinidade entre as almas permite que nos encontremos aqui e ali, sem nunca perder esse vínculo poderoso que criamos.

* * *

Prosseguem vivendo aqueles a quem amas.

Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a alma e os envolvas no rumo por onde seguem.

Esforça-te por encontrar a resignação. O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância, e é ponte entre abismos, encurtando caminhos.

Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvi-los, eles também o desejam.

Necessitam, porém, evoluir, quanto tu próprio.

Se te prendes a eles demoradamente ou os encarceras no egoísmo, desejando continuar uma etapa que ora se encerrou, não os fruirás, porque estarão na retaguarda.

Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguardar-te-ão...

Não penses mais em termos de "adeus" e, sim, em expressões de "até logo mais".


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 56, do
livro Sementes de vida eterna, pelo Espírito Joanna de
Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 25.2.2013.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A triste verdade sobre os lugares onde filhotes vendidos online realmente vivem


Em dezembro, o IFAW (Fundo Internacional de Bem-Estar Animal) conduziu o primeiro estudo público que avaliou a relação entre a venda de filhotes pela internet e como o negócio das fábricas de filhotes é mantido.

“Consumidores que optam por comprar filhotes pela internet são levados a acreditar que estão comprando de criadores com boa reputação”, disse Bem Stein, membro honorário do conselho de administração do IFAW. “As fotos fofas de filhotinhos mostradas em muitos sites de vendas escondem a desoladora realidade da superlotação e das condições de insalubridade em que os filhotes são mantidos.”

O relatório “Quanto custa esse cachorrinho no meu navegador? A verdade por trás das vendas online de filhotes” foi liberado após os investigadores realizarem uma análise completa dos dados coletados depois de apenas um dia examinando anúncios em nove websites – Animaroo, DogsNow, NexrDayPets, PuppyFind, PuppyTrader, TerrificPets, Craiglist, eBayClassifieds e Oodle.

De acordo com o relatório, apenas naquele dia “havia um total de 361.527 anúncios postados para venda de filhotes. Dentro desses anúncios havia, numa estimativa conservadora, 733.131 filhotes anunciados para venda naquele dia (considerando o dobro para qualquer anúncio que genericamente fazia menção a mais do que um filhote a venda, o que elevaria para 10 ou mais cachorros numa ninhada dependendo da raça.) Os investigadores capturaram e gravaram 12.740 anúncios desses nove websites para análise dos dados básicos.”

Destes sites, foram investigados aproximadamente 10.000 anúncios usando critérios estabelecidos por uma comissão de ‘experts’ para determinar se os cachorros nos anúncios poderiam ou não vir de uma fábrica de filhotes, incluindo se havia fotos dos ‘tutores’, se os vendedores se encontravam com os compradores apenas fora da propriedade, se os filhotes pareciam limpos, se muitas raças eram ofertadas, se termos de retorno e reembolso eram oferecidos e se havia filhotes com menos de oito semanas disponíveis, entre outros critérios.

Os resultados mostraram que o site com a maior porcentagem de cachorros que provavelmente vieram de fábrica de filhotes foi o Animaroo com 85% – seguido por PuppyTrader com 64%, DogsNow com 62%, NextDayPets com 61%, PuppyFind com 55% e TerrificPets com 44%.

Infelizmente, há muito pouco que pode ser feito para proteger esses cachorros, graças a uma brecha na Lei de Bem-Estar Animal (sigla em inglês AWA), que permite vendedores online operarem sem nenhuma fiscalização.

“A maioria das regulamentações federais direcionadas para o comércio de filhotes são pré-internet e insuficientes em informar questões relacionadas à venda online de filhotes,” disse Tracy Coppola, oficial de campanhas da IFAW. “Começamos nossa investigação para determinar a extensão e o tamanho do comércio de filhotes como parte de um esforço para informar melhor aos legisladores, já que atualmente eles estão considerando novas políticas para eliminar as brechas que permitem que essa prática continue.”

Em maio de 2012, a USDA anunciou uma proposta para regularizar criadores que vendem cachorros online diretamente ao público, através de uma atualização na definição de 40 anos do termo “retail pet store” (loja de animais de varejo) para tapar algumas brechas e impor a mesma regulamentação a esses criadores como aquelas encaradas pelos grandes vendedores no âmbito da AWA e se aplicaria a todos que criam mais do que quatro “cadelas, gatos e/ou pequenos animais exóticos ou mamíferos selvagens” todo ano. Lojas físicas foram isentas de regulamentação sob a premissa de que as pessoas podem entrar e observar a saúde e bem-estar dos animais antes de levá-los para casa.

“Com a demanda americana por cachorros crescendo, também cresce o número de vendas online”, disse Jeff Flocken da IFAW. “Nesta época de férias e depois também, esperamos que os consumidores que procuram um novo filhote para suas famílias não se tornem vítimas das práticas depreciativas dos operadores das fábricas de filhotes na internet. Ao invés disso, poderiam tomar uma decisão proativa contra essas fábricas, através da adoção em um abrigo local e instalações de resgate.”

Evidentemente a venda de animais é uma prática que visa apenas ao lucro dos criadores, que mantêm os animais aglomerados em condições indignas e obrigam as fêmeas a procriarem incessantemente com vistas nas vendas de seus filhotes que são comercializados como se fossem objetos. O ideal seria não regularizar esse comércio de vidas, mas sim proibi-lo de uma vez por todas, de modo que os animais parem de ser tratados como coisas comercializáveis, e incentivar sempre a adoção em detrimento do desejo de comprar animais domésticos.

Por Kalyne Melo (da Redação)

Fonte: http://blogs.jovempan.uol.com.br

segunda-feira, 4 de março de 2013

A Certeza da Amizade


Com 16 anos, eu era praticamente o dono do meu nariz!
Meus pais só sabiam brigar e descontar toda sua raiva e frustação em mim.
De um lado meu pai choramingava, me culpava pelo fim do casamento.
Do outro, minha mãe exigia cada vez mais de mim, pois só tinha eu para contar para ajudar em tudo...
Se eu quisesse ou não estudar era um problema meu, mas que eu teria que ajudar a cuidar do meu irmão e começar a ajudar nas contas, isso com certeza.
Minha cabeça estava totalmente confusa, então larguei os estudos. Era para eu entrar no colegial, mas achei que não tinha cabeça para estudar naquela fase da minha vida.
Depois de 8 meses morando na casa da minha avó parterna e vivendo um verdadeiro inferno, minha mãe resolveu se separar de vez e financiou um apartamento.
Bom? Ruim?
Não sei, só sei que eu por um lado me senti livre, pois as brigas em casa entre meus pais finalmente acabaram...
Mas, eu tinha que trabalhar, ajudar na casa e ainda ajudar a cuidar do meu irmão...
No ano seguinte, perdi meu emprego e não conseguia achar outro pela minha idade, 17 anos...
Homem nessa fase da vida no Brasil pasta por causa do alistamento militar... Pelo menos naquela época... rs
Como nunca gostei de ficar parado, decidi voltar a estudar... Minha mãe com muita má vontade foi no colégio perto de casa fazer minha matrícula...
Primeiro dia de aula (eu estava atrasado) e logo após achar a sala que eu estava, procurei um lugar para sentar.
Não tinha muita gente na sala e eu perguntei se tinha alguém sentado na carteira que eu tinha escolhido. Ninguém respondeu nada... Achei o máximo....
Logo chegou uma pessoa dizendo que estava sentada ali e lá fui eu procurar outro lugar.
Achei uma outra carteira e me sentei.
De repente uma menina entra na sala gritando algo do tipo: "Ah! De novo não! Nunca vi, blá, blá, blá, não me lembro direito. Só sei que esta parou na minha frente e falou bem assim: "Sai! Eu tô sentada ai!".
Não sabia aonde me enfiar, tamanha educação da menina. 
Logo em seguida uma outra gritou com ela: "Deixa ele ai! Procura outro lugar pra você!".
A "escandalosa" obedeceu e eu nem me movia... rs
Na hora do intervalo aquilo parecia um verdadeiro zoológico, eu me sentia um peixe fora do aquário... Um povo totalmente diferente de tudo que eu já tinha convivido na vida...
A única coisa que posso dizer é que não deu mais para ficar naquele lugar...
Fui na secretaria, perguntei aonde tinha outra escola e lá fui...
Ficava mais longe de casa, perto da casa de minha avó.
Fui direto para a secretaria do colégio, onde fui atendido pela Cecília. Uma pessoa muito, muito educada e legal.
Já me apaixonei pelo colégio e consegui fazer a transferência...
Estudei de tarde durante o primeiro ano e no seguinte, quando consegui arrumar um emprego, passei para noite...
Era abril ou março e lá chega eu tendo que perguntar onde tinha lugar vago... 
A sala já estava meio cheia quando cheguei e vi um lugar vago.
Tinha uma moça ao lado e eu perguntei: "Oi, tem alguém sentado aqui?!".
Ela disse que não. Me sentei e a aula começou.
Como eu estava perdido, ela, muito educada e simpática, me ajudou bastante.
Seu nome: Glauce.
Glauce e eu conversávamos o tempo todo... rs
Não sei explicar, mas me sentia mais que a vontade ao lado dela.
Ela na época tinha um namorado, e talvez este não tenha gostado muito, mas eu e a Glauce começamos a sair também aos finais de semana.
Não, eu não dizer quando começamos a sair, mas lembro que íamos sempre, todo final de semana em algum lugar... Isso quando não na semana mesmo, pois ou não tinha aula ou agente faltava mesmo... kakakakakaka
MacDonald's, Habib's,  Shooping.... kakakakakakaka
Lembra Glauce?!
Se eu parar para analisar, tivemos poucos anos de convivência, mas nossa amizade sempre foi muito forte...
Tenho muitas saudades de nossos passeios, de nossas conversas!!!
E quando íamos de domingo escalar o Pico do Jaraguá e terminávamos com um pique nique?
Era muito bom!!!
Eu não quero comparar as pessoas nem as amizades.
Eu não quero dizer que alguém é mais importante que outra...
Na verdade, estes posts que estou escrevendo sobre minhas amizades, é apenas para homenagear estas pessoas e também contar um pouco da minha vida...
A Glauce esteve presente num momento único na minha vida. Aquela fase que eu estava passando era totalmente diferente de tudo que já tinha acontecido na minha vida...
Eu não era mais uma criança, um adolescente apenas, eu estava crescendo... amadurecendo,,,
A Glauce sempre foi um menina incrível, que sempre me inspirou!!!
Ela sempre foi muito determinada em tudo e conseguia atingir todas sua metas!!!
Talvez ela não saiba, mas tudo que eu precisava naquela época era ter certeza de algo, certeza que eu podia contar com alguém e ao lado dela eu sentia essa certeza!
Nós somos muito parecidos em muitas coisas. Na organização, em alguns pensamentos, em algumas atitudes... 
Eu conhecia muita gente, sempre gostei de conhecer, mas a ligação, a nossa amizade,  era algo mais que certo, mais que forte!!!
Não há como descrever em palavras a alegria que eu sentia quando saíamos, quando estávamos conversando...
E quando eu vim para cá, eu senti muito a falta dela como tenho certeza que ela sentiu também a minha.
E sabe o mais incrível de tudo isso?!
Depois de quase 20 anos longe um do outro, sinto a mesma força  na nossa amizade.
Sim, eu sei que tenho amigos e amigas maravilhosos tanto aqui quando ai no Brasil, mas a Glauce e aquela pessoa que eu posso contar pra tudo nesta vida...
O que ela fez por mim nos últimos anos, eu posso dizer que ninguém da minha própria família já o fez.
Eu não preciso me explicar para ela, eu não preciso dar satisfação da minha vida ou de atitudes que eu tomo. Ela me entende, ela me compreende, ela me aceita, ela me ama do jeito que eu sou e isso é algo praticamente impossível de achar neste mundo...
Ela é uma das pessoas mais importantes na minha vida, uma das pessoas que eu mais amo no mundo e eu tinha que escrever sobre isso.
Glauce, amiga, irmã, você sabe que não há como descrever nossa amizade em palavras...
Tudo que passamos, tudo que vivemos, tudo que sentimos...
Eu só queria dizer muuuuuito, muuuuuito obrigado por tudo e por fazer parte da minha vida!!!
Se eu nunca te disse, vou dizer agora: AMO VOCÊ AMIGA!!!!

Beijos!!!!!!!!

domingo, 3 de março de 2013

Comer carne de cachorro é uma questão cultural


Não é ilegal comer cachorro e gato na Suíça, algo que horroriza muitos amantes e defensores dos animais domésticos. Mesmo se não é um costume generalizado, alguns questionam a necessidade de proibir ou estabelecer diretrizes para as práticas de sacrifício de animais.

O debate começou há anos e volta e meia é retomado pelo impulso da mídia, como foi o caso depois da publicação de um artigo no diário Tages Anzeiger, de Zurique, que cita pessoas protegidas pelo anonimato que, de vez em quando, comem carne de gato e de cachorro.

“Não há nada de excepcional, carne é carne”, indica um agricultor do cantão de St-Gallen (nordeste). Por sua vez, um agricultor de Appenzell (nordeste) descreve o processo de como mata às vezes um cachorro: faz dois cortes na carne e a defuma para consumi-la posteriormente.

“Se sirvo carne defumada (normalmente de boi), ninguém nota que é cachorro”, explica uma das pessoas citadas no artigo, enquanto outras lembram que antes não era visto como tabu na Suíça comer carne de gato ou de cachorro.

É impossível saber quantas pessoas mantém esse costume, porém se o assunto entra em uma conversa, sempre alguém conta algum caso a respeito.

Como o daquela família de agricultores que defumava carne de cachorro em sua chaminé, a receita de cozido de gato que foi impressa no diário oficial do vilarejo ou o cachorro que foi morto e depois comido pela família a que o animal pertencia.

“Ouvi falar que isso acontece na parte oriental da Suíça, mas que eu saiba é muito raro; 99,5% dos suíços seriam contra comer gato ou cachorro”, afirma Dennis Turner, etólogo e psiquiatra de animais. “Como não se trata de um hábito generalizado, não creio que precisamos de uma lei proibitiva”, acrescenta.

Animais de estimação
Por falta de cifras precisas, se estima que haja aproximadamente 1,3 milhões de gatos, meio milhão de cães e 4,5 milhões de peixes como animais de companhia na Suíça.

Em 2011, os centros de acolho de animais receberam 23.400 animais abandonados, entre eles, 13.000 gatos e 4.000 cães. Cerca de 16.000 animais domésticos encontraram um novo lar em 2011.

Cachorro perdido ou comido?
Martina Karl, presidente do grupo de defesa dos animais Mensch-Tier-Spirits-Helvetia, discorda de Turner, pois calcula que cerca de 3% da população suíça come carne de gato ou de cachorro. Sua organização coleta assinaturas para obter a proibição dessa prática.

“Os cachorros e os gatos são mascotes e não devem tornar-se alimento. A criação e a captura com esse fim devem ser condenadas por lei”, afirma. Em 1993, outro grupo de proteção dos animais coletou 6.000 assinaturas para uma petição similar, porém o Parlamento decidiu que era desnecessário regulamentar os hábitos alimentares das pessoas. No entanto, está proibida na Suíça a venda de carne de cachorro e de gato em açougue ou restaurante.

Martina Karl considera particularmente preocupante o desaparecimento dos gatos. Segundo a central de informação Mascotes Extraviados, desaparecem entre 10.000 e 20.000 animais por ano, 80% gatos. No entanto, Hansuli Huber, representante da Associação Protetora dos Animais da Suíça, duvida que muitos desses gatos terminem servidos em alguma mesa.

“Talvez umas 100 ou 200 pessoas na Suíça comem carne de cachorro ou gato de vez em quanto”, relativizando os cálculos e intuitos proibitivos de Martina Karl.

Mesmo assim, ele considera necessário regulamentar o sacrifício desses animais na Suíça. “Não existe regulamento algum a respeito. Pelo menos deveria haver um que fixasse limites ao modo de sacrificar esses animais, como já é o caso para o abate de porcos, aves e gado.

Por outro lado, Huber argumenta que não existe motivo para esse consumo se generalize. “Na Suíça tem tanta oferta de carne de outro tipo, que não necessitamos comer também gatos e cachorros.”

Consumo de carne
De acordo com a associação que promove o consumo de carne na Suíça, Proviande, cada pessoa consumiu, no país, por volta de 53,7 kg de carne em 2011, 3.3% mais do que em 2010.

A carne preferida é a de porco, com um consumo anual de 25 kg por pessoa. A carne de frango e de boi ocupam o segundo e terceiro lugar, com 11,43 e 11,29 kg, respectivamente.
Mascote ou prato

O etólogo e psiquiatra animal Dennis Turner fez uma pesquisa para observar as diferenças culturais dos hábitos alimentares relativas aos animais em 12 países (incluindo Suíça e China), e as cinco principais religiões do mundo.

“A grande maioria dos adultos – em todos os países analisados – desaprova comer cães e gatos. Creio que a razão principal do rechaço é a relação que pessoas têm com esses animais.”

Ele também observou que na China o costume de ter um mascote está crescendo e provoca uma mudança de atitude entre as pessoas. Por outro lado, Turner lembra que os europeus comem coelho e vitela – mal visto em outras latitudes – sem contar a carne de cavalo, que também faz parte regularmente dos menus suíços. Enquanto na Suíça ninguém protesta por isso, a rede de supermercados Tesco está marcada no Reino Unido porque suas hamburguesas às vezes contém carne de cavalo ao invés da carne de boi.

Dennis Turner, pessoalmente, considera um problema moral comer carne canina e felina em um lugar onde a maioria das pessoas têm cães e gatos como animais de companhia. No entanto, ele acha que “não podemos criticar pessoas de outras culturas, como na Coreia ou na China, que podem ter outras atitudes a respeito desses animais.”

Na Suíça, a maioria dos consumidores não tem uma relação pessoal com os animais que lhes servem como alimento. “Somente o pecuarista poderia ter uma relação pessoal, porém é raro que ele mesmo os mate.”

Martina Karl, há muito tempo vegetariana, recomenda aos que comem carne a pensar de maneira mais crítica na origem do filé que se encontra em seu prato – inclusive nos detalhes da criação e do sacrifício do animal a consumir.

Dennis Turner considera que a reação entre seres humanos e animais em geral melhorou nos últimos anos. “Há mais respeito pelos animais, mesmo que sejam produtos de consumo, reforçado por leis em vários países”. Ademais, lembra que a Suíça é um dos países que têm regras muito avançadas em matéria de proteção animal.

Autor: Susan Vogel-Misicka, swissinfo.ch
Adaptação: Claudinê Gonçalves
Fonte: swissinfo.ch