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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Audição inconsciente


Conta-se que, certa noite, um trailer perdeu o controle, desceu morro abaixo e entrou pela parede da frente de uma casa.

A equipe de resgate foi imediatamente chamada e ficou surpreendida ao encontrar em um dos quartos, uma jovem mãe em profundo sono.

Ela não fora despertada pelo grande barulho. Ouviu-se então, no quarto ao lado, um choro de bebê. Imediatamente, ela despertou e, assustada, ao ver tanta gente em sua casa, perguntou:

O que aconteceu?

Essa jovem possuía o que se pode chamar de filtro auditivo. Estava alerta apenas para uma coisa: o bebê. Assim, somente esse som passava para a sua consciência.

O fato se mostra muito interessante, na medida em que falamos a respeito de educação de crianças. Elas têm um extraordinário filtro auditivo.

E, diga-se, especialmente dirigido para tudo o que os adultos, e particularmente, os pais, falam.

Mesmo antes de aprender a falar, um bebê pode entender muito do que é dito, senão tudo.

Quando imaginamos que as crianças não estão ouvindo, porque estão brincando com seu brinquedo favorito, ou na frente do computador, ou mesmo dormindo, nos equivocamos.

Elas têm o ouvido dirigido para a nossa conversa. E quanto mais baixo for o tom, mais acionarão o sentido da audição.

Por isso, toda vez que externarmos ideias a respeito dos nossos filhos, tenhamos cuidado.

Nunca digamos: Sabe, meu filho não é muito esperto! Ou este menino não estava programado. Veio quando menos eu esperava!

São mensagens que a criança apreenderá e levará para a sua vida.

Imaginemo-la escutar: Esse garoto me mata. Não aguento mais.

Na fase adulta, embora possa não se recordar com nitidez do que ouviu, ou quando ouviu, será um homem ou mulher infeliz e incapaz.

Quando lhe perguntarem por que não se candidata para determinada promoção, dirá: Porque não tenho chance nenhuma de conseguir. Nunca passaria no teste. Não sou capaz.

Será um adulto infeliz, acreditando-se rejeitado, não amado, indesejável. Um ser dispensável na economia do mundo.

Naturalmente, não dizemos essas frases com o objetivo de agredir nosso filho. Os pais amam seus filhos.

São desabafos que ocorrem, manifestando o próprio cansaço das tantas atribulações.

No entanto, como isso interfere tanto na saúde emocional dos nossos filhos, é bom nos exercitarmos para falar somente coisas boas, positivas.

Sobretudo, não nos esqueçamos de dizer-lhes que os amamos.

A maioria das crianças, embora amadas por seus pais, não sabe que o são.

Muitos adultos irão para a sepultura acreditando que foram um aborrecimento e uma decepção para os seus pais.

Por isso, não nos cansemos de dizer: Amamos você. Vamos sempre cuidar de você. Você é nosso tesouro mais precioso.

Nos momentos em que a vida da criança estiver mais instável, por exemplo, quando ocorre a separação dos pais, quando chega um novo bebê, quando ela não vai bem na escola, não esqueçamos: olhemos bem nos olhos dela, abracemo-la e digamos: Aconteça o que acontecer, você é especial e importante para nós. Nunca deixaremos de amar você.



Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro O segredo das crianças felizes, de Steve Biddulph, ed. Fundamento.
Em 20.4.2016.

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