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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Origami, lenda dos mil tsuru’s


Uma coisa legal para se fazer com papel é dobradura, ou em japonês, origami, que significa literalmente papel dobrado. Hoje vou falar sobre o tsuru, talvez seja o origami mais conhecido no mundo inteiro e praticamente um símbolo da cultura japonesa. O tsuru é um pássaro, no ocidente conhecido como cegonha ou grou, que os japoneses admiram devido as suas cores de alto contraste, e consideram como a ave mais antiga do mundo que pode viver mais de mil anos. Para os japoneses o tsuru, como pássaro, representa a vitalidade e juventude, como origami representa a paz, boa sorte, felicidade e saúde.

A crença:

Os japoneses acreditam que a pessoa que dobrar 1000 tsuru’s com o pensamento focado em uma necessidade, terá seu desejo realizado. Por este motivo muitos japoneses fazem 1000 origamis de tsuru e deixam em templos para terem seus pedidos realizados.

Outra crença é que quando uma pessoa está doente, quanto mais tsuru’s esta pessoa dobrar, mais rápido será sua recuperação, por isso é comum um paciente receber papéis de origami dos amigos e parentes que o visitam.

A lenda das “Mil penas de Tsuru”

Conta a lenda que um camponês muito pobre vivia em uma cabana humilde e seu único alimento era algumas verduras que colhia de sua terra cansada.

Um dia, enquanto tentava plantar em sua terra mais ao longe por achar menos árida, encontrou uma cegonha com a asa quebrada. A ave não podia voar em busca de alimento, estava fraca e beirando a morte. O camponês sentindo compaixão por tamanho sofrimento, rapidamente tomou a cegonha em seus braços e a levou para sua cabana. Ele cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em seu bico algumas sementes. Com o passar dos dias, a cegonha melhorou. A bondade do camponês a livrou da morte e quando ela pôde voar, o camponês a libertou.

Alguns dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua cabana pedindo que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, por ser uma pessoa de bom coração, não negaria esta caridade à pessoa alguma. Porém, a beleza daquela mulher fez com que ele acreditasse que deixá-la dormir em sua humilde cabana era realmente uma honra.

Após aquela noite os dois se apaixonaram e se casaram. A noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita. E assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade quando vivia sozinho, ficou muito mais difícil ainda cobrir as despesas que sua nova vida de casado lhe trazia.

Preocupada com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial, pois tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época. Ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela o alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer.

O homem construiu uma pequena cabana nos fundos de sua casa onde ela trabalhava trancada durante três dias. O marido só ouvia o som do tear batendo. A curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que estes dias demorassem muito para passar.

Quando o som da tecelagem parou, ela saiu com um lindo tecido entre os braços, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “mil penas de Tsuru”.

Ele levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para consegui-lo. O vendedor pagou com muitas moedas de ouro por ele. O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe sorrir. Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia após dia mais magra.

Um dia, ela disse que não poderia tecer por um bom tempo. A mulher estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé.

O camponês a amava muito e acreditava naquilo que ela dizia, no entanto, tinha experimentado a cobiça. Ele havia contraído algumas dívidas na cidade e pediu para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.

Desta vez ela não saiu no terceiro dia como era de costume, o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse e isso começou a deixar o marido desesperado.

No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia.

Para a sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear encontrava-se uma cegonha, muito parecida com aquela que o camponês havia curado.

O homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua querida esposa a tecer mais uma vez.

Na manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver a sua esposa sair dela com vida.

A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trêmulas. Entregou-o para o marido e disse, “Agora preciso voltar, você viu minha verdadeira forma, sendo assim, eu não posso mais ficar com você”.

Depois de dizer estas palavras, transformou-se em sua verdadeira forma para em seguida alçar voo, exibindo um lindo rastro de pó cintilante, e deixando o arrependido camponês, em eterna lágrimas.

Sadako Sasaki

Sadako era uma menina que viveu em hiroshima na época da bomba atômica, ela tinha apenas dois anos quando a bomba explodiu e neste momento sua mãe conseguiu salva-lá da explosão mas foram atingidas pela chuva radioativa que caiu após o ataque. Sadako viveu normalmente até os doze anos de idade quando descobriu ter leucemia(cancêr no sangue), e enquanto estava internada sua amiga foi lhe fazer uma visita e contou sobre a crença dos mil tsuru’s, deste dia em diante a menina começou a fazer os 1000 tsuru em origami mentalizando a sua cura.

Infelizmente ela faleceu antes de terminar os 1000 tsuru, e seus amigos completaram os que faltavam até o dia de seu enterro. Esta história se espalhou rapidamente e até hoje a menina é lembrada como símbolo de luta contra as armas nucleares e bem estar das crianças.

Aprenda a fazer:

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