sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um jeito diferente de pagar imposto residencial no Japão: ganhando presentes


Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que esse post não é um tutorial. É apenas uma breve explicação sobre o furusato nozei, um sistema que poucos brasileiros conhecem. Se você gostar do que ler e quiser se inscrever, siga as informações (somente em japonês) nos links que deixarei.

Uma das maiores reclamações dos brasileiros que moram no Japão são os impostos, principalmente o imposto residencial (jumin-zei). E se eu te disser que existe uma maneira de você fazer uma doação para um projeto social, deduzir esse valor no imposto residencial e, ainda por cima, ganhar um presente? Desde 2008, isso já é possível.

O furusato nozei (imposto da cidade natal) é, tecnicamente, uma contribuição voluntária para um município de sua escolha. Apesar do nome, não precisa ser a cidade onde você nasceu. Mas porque você faria essa doação?

Bem, para começar, as doações acima de ¥2.000 podem ser deduzidas do seu imposto residencial até o limite de 20%. Ou seja, se você paga ¥100.000 de jumin-zei por ano, pode deduzir até ¥20.000. A porcentagem real depende de vários fatores, como a renda total e número de dependentes. Para fazer uma simulação, clique aqui (somente em japonês).

Essencialmente, você está decidindo quais municípios receberão até 20% do seu imposto residencial. Além disso, os municípios que recebem o furusato nozei também permitem que você escolha onde o dinheiro será usado, como por exemplo, em projetos educacionais ou na reconstrução de áreas atingidas por desastres naturais.

No entanto, a principal vantagem desse sistema é que a cidade que recebe a doação te envia um presente como um sinal de agradecimento. Normalmente, são produtos de alta qualidade produzidos localmente, como bebidas, vegetais e até carnes. Basicamente, você “compra" produtos com o pagamento adiantado de parte de seu imposto residencial.

Existem vários sites onde os municípios anunciam seus “presentes”. São verdadeiros sites de compras! O mais famoso é o Furusato Choice (clique aqui). Você pode filtrar as opções por tipo de produto, forma de pagamento e valor da doação.

Para deduzir automaticamente as doações no imposto residencial do ano seguinte, você terá que preencher um formulário que será enviado pelas prefeituras beneficiadas (veja um exemplo clicando aqui).

O nozei furusato foi criado pelo governo central para resolver o problema da distribuição de riquesas entre as regiões do Japão, e parece que está dando certo. As doações do ano fiscal de 2015 cresceram 4 vezes em relação ao ano anterior, totalizando ¥165,29 bilhões.

Por Paulo Sakamoto - 16/06/2016 - Quinta, 15:41h

Fonte: Alternativa Online

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A mãe de Jesus


Ela crescera, tendo o Espírito alimentado pelas profecias de Israel.

Desde a meninice, quando acompanhava a mãe à fonte, para apanhar o líquido precioso, ouvia os comentários. Entre as mulheres, sempre que se falava a respeito, perguntavam-se umas às outras, qual seria o momento e quem seria a felizarda, a mãe do aguardado Messias.

Nas noites povoadas de sonhos, era visitada por mensageiros que lhe falavam de quefazeres que ela guardava na intimidade d’alma.

Então, naquela madrugada, quase manhã do princípio da primavera, em Nazaré, uma voz a chamou: Miriam. Seu nome egípcio-hebraico significa querida de Deus.

Ela despertou. Que estranha claridade era aquela em seu quarto? Não provinha da porta. Não era o Sol, ainda envolto, àquela hora, no manto da noite quieta. De quem era aquela silhueta? Que homem era aquele que ousava adentrar seu quarto?

Sou Gabriel, identifica-se, um dos mensageiros de Yaveh. Venho confirmar-te o que teu coração aguarda, de há muito. Teu seio abrigará a glória de Israel. Conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o seu reino não terá fim.

Maria escuta. As palavras lhe chegam, repassadas de ternura e pela sua mente, transitam os dizeres proféticos.

Sente-se tão pequena para tão grande mister. Ser a mãe do Senhor. Ela balbucia: Eis aqui a escrava do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a tua palavra.

O mensageiro se vai e ela aguarda. O Evangelista Lucas lhe registraria, anos mais tarde, o cântico de glória, denominado Magnificat:

A minha alma glorifica o Senhor!

E o meu espírito exulta [de alegria]

Em Deus, meu Salvador!

Porque, volvendo o olhar à baixeza da Terra,

Para a minha baixeza e humildade atentou.

E eis, pois, que, desde agora, e por todos os tempos,

Todas as gerações me chamarão

Bem-aventurada!

Porque me fez grandes coisas o Poderoso

E santo é o seu nome!

E a sua misericórdia [se estende]

De geração em geração,

Sobre os que o temem.

Com seu braço valoroso

Destruiu os soberbos

No pensamento de seus corações.

Depôs dos tronos os poderosos

E elevou os humildes.

Encheu de bens os famintos

E despediu vazios os ricos.

Cumpriu a palavra que deu a Abraão,

Recordando-se da promessa

Da sua misericórdia! (Lucas, I, 46 a 55)

Ela gerou um corpo para o Ser mais perfeito que a Terra já recebeu. Seus seios se ofereceram úberes para alimentar-Lhe os meses primeiros. Banhou-O, agasalhou-O, segurou-O fortemente contra o peito mais de uma vez. E mais de uma vez, deverá ter pensado:

Filho meu, ouve meu coração batendo junto ao Teu. Dia chegará em que não Te poderei furtar à sanha dos homens. Por ora, amado meu, deixa-me guardar-Te e proteger-Te.

Ela Lhe acompanhou o crescimento. Viu-O iniciar o Seu período de aprendizado com o pai, que Lhe ensinou os versículos iniciais da Torá, conforme as prescrições judaicas, embora guardasse a certeza de que o menino já sabia tudo aquilo.

Na sinagoga, viu-O destacar-Se entre os outros meninos, e assombrar os Doutores. O seu Jesus, seu filho, seu Senhor. Angustiou-se mais de uma vez, enquanto O contemplava a dormir. Que seria feito dEle?

No célebre episódio em Jerusalém, seu coração se inquietara a cogitar se não seria aquele o momento do início das grandes dores.

A viuvez lhe chegou e ela viu o primogênito assumir os negócios da carpintaria. Suas mãos, considerava, tinham habilidade especial e a madeira se Lhe submetia de uma forma toda particular.

Aquele era um filho diferente. Um olhar bastava para que se entendessem. Tão diferente dos demais, que não tinham para com ela a mesma ternura...

Chegou o dia em que Ele se foi e ela começou a ter dEle as notícias. A escolha dos primeiros discípulos, o batismo pelo primo João, no Jordão.

Mantinha contato constante, providenciando quem Lhe fizesse chegar a túnica tecida no lar, sem nenhum costura, sempre alva. Em cada fio, um pouco do seu amor e da sua saudade.

Quando Ele veio visitá-la e a acompanhou a Caná, às bodas da sua parenta, ela sabia que Ele a obedeceria, providenciando o líquido para que os convivas pudessem deliciar-se, saindo da embriaguez em que haviam mergulhado.

Acompanhou-Lhe a trajetória de glórias humanas, e as injustas alusões ao Seu messianato, aos Seus dizeres.

Em Nazaré, quando quase O mataram, tomou-se de temores. Contudo, ela sabia que Ele viera para atender os negócios do Pai. Por vezes, visitava a carpintaria, e parecia vê-lO, ainda uma vez, nos quadros da saudade.

Tanto quanto pôde, acompanhou o seu Jesus e recebeu-lhe o carinho. Ele era tão grande, e, entretanto, atendia-lhe o coração materno, os pedidos. Quantas vezes ela intercedera por um ou outro?

Quando os dias de sombra chegaram, ela acompanhou, junto a outras mulheres, as trágicas horas. Ao ver o corpo chagado do filho, o sangue coagulado nas feridas abertas, a túnica tão alva, que ela tecera com tanto desvelo, toda manchada, sentiu as lágrimas inundarem-lhe os olhos.

Porém, era necessário ser forte. Seu filho lecionara as lições mais belas que jamais os ouvidos humanos haviam escutado. Ele cantara as belezas do Reino dos Céus, no alaúde do lago de Genesaré, e prometera as bem-aventuranças aos que abraçassem os inovadores ensinos.

Ao pé da cruz, junto ao Apóstolo João, ouviu a expressão do carinho filial se externar, outra vez: Mulher, eis aí teu filho. E a confia ao jovem Apóstolo.

Ela estaria presente, quando das Suas aparições, após a morte. Vê-lO-ia mais de uma vez. E compreenderia: aquele corpo era diferente.

Não era o que fora gerado em seu ventre. Embora se deixasse tocar, para dar-Se a conhecer, era de substância muito diversa aquele corpo. Ela o sabia.

Viu-O desaparecer perante os olhos assombrados dos quinhentos discípulos, na Galileia, na Sua despedida.

E, amparada por João, seguiu a Éfeso, mais tarde. Ali, numa casinha de onde podia ouvir o mar, balbuciando cantigas, viveu o Amor que Ele ensinara. Tornou-se a mãe dos desvalidos e logo sua casa se enchia de estranhos viandantes, necessitados e enfermos que desejavam receber os cuidados de suas mãos e ouvir as delícias das recordações Daquele que era o Caminho, a Verdade e a Vida.

Numa tarde serena, ela atendeu um homem. Serviu-lhe o alimento e seu coração extravasou saudade. Quanta a tinha do filho amado!

Então, o viajor se deu a conhecer:

Minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos. 2

João Evangelista, chamado às pressas, ainda lhe pôde assistir o derradeiro suspiro e o Espírito liberto adentrou a Espiritualidade.

Ainda e sempre amorosa, seu primeiro pensamento foi visitar os cristãos que estavam em Roma, sofrendo o martírio e foi animá-los a cantar, enquanto conduzidos ao suplício, na arena circense.

Mais tarde, notícias nos chegariam de que a suave mãe de Jesus, Maria, foi por Ele incumbida de assistir aos foragidos da vida, os infelizes suicidas; detalhes do Hospital Maria de Nazaré nas zonas espirituais; do seu desvelo maternal para com tais criaturas.

Maria, Espírito excelso, exemplo de mulher, esposa e mãe.

1.PEREIRA, Yvonne A. No hospital "Maria de Nazaré". In:___. Memórias de um suicida. 5. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1975. pt. I, cap. III.
2.XAVIER, Francisco Cândido. Maria. In:___. Boa nova. Pelo Espírito Irmão X. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1963. cap. 30.
Em 18.2.2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Raças de Gato: Norueguês da Floresta – Norwegian Forest


O Norwegian Forest, ou Norueguês da Floresta é um gato nativo da região norte da Europa. Atualmente, a raça de gato Norueguês da Floresta, é muito popular na Noruega, na Suécia e também na França. A maior população da raça encontra-se hoje em dia na Suíça.

História da raça Norueguês da Floresta

Os ancestrais do gato Norueguês da Floresta podem ter sido gatos de pelagem curta e longa que foram levados da Grã-Bretanha a Noruega por volta do ano 1000 d.C. O mais provável é que esses gatos tenham se reproduzido na Noruega com gatos domésticos e selvagens locais, e evoluído com o passar do tempo até se tornarem o gato Norueguês da Floresta tal qual conhecemos hoje. Outros possíveis ancestrais da raça são os angorás e gatos russos de pelo longo.

Acredita-se que os ancestrais do gato Norueguês da Floresta serviram como caçadores de ratos nas embarcações vikings. Depois de viverem por muitos séculos nas florestas norueguesas, passaram a ser apreciados por suas habilidades de caça e acabaram sendo amplamente utilizados nas fazendas. Esses gatos ainda eram utilizados com esse fim nas fazendas norueguesas até que foram descobertos por entusiastas durante o século 20. O primeiro clube da raça Norueguês da Floresta ou Norwegian Forest foi fundado em 1938.


Descrição e aparência da raça Norueguês da Floresta

É um gato forte, de porte grande e conformação similar ao Maine Coon. É um gato que se adapta bem em regiões muito frias. Sua pelagem externa à prova d’água mantém o corpo protegido da chuva e do vento, enquanto o grosso e lanoso sub pelo ajuda a manter a temperatura. A necessidade de se abrigar durante os invernos frios da Escandinávia transformou seu manto num cobertor macio, protegendo-o do vento e da neve. Além disso, o manto mantém o calor, secando após cerca de quinze minutos. Para proteger-se do frio este gato também se serve do abundante “colarinho”. O Norueguês da Floresta requer escovação ocasional, pois, apesar de compridos, os pelos dificilmente se embaraçam. Como todos os outros gatos, ele passa por uma mudança de pelos uma vez ao ano.
Temperamento da raça Norueguês da Floresta

O Norueguês da Floresta é um gato desconfiado e independente, que adora ficar em espaços externos. Ao mesmo tempo, é uma raça afetuosa, que aprecia a companhia do dono. As necessidades de sobrevivência também tornaram o Norueguês da Floresta um gato cauteloso, inteligente e grande caçador. A personalidade desta raça apresenta traços de afetuosidade e independência. Esta raça adora grandes espaços. Uma característica curiosa deste felino é descer das árvores em espiral, de cabeça para baixo.

Fonte: http://www.blogdogato.com.br/gatos/racas/noruegues-da-floresta/

terça-feira, 5 de julho de 2016

Renascer com as manhãs


Quando Jesus falou com o doutor da lei, Nicodemos, sobre nascer de novo, não estava falando apenas sobre as novas existências materiais.
É necessário renascer da água e do Espírito – disse o Mestre, com poesia.
A água representa o elemento material. Os antigos tinham a crença de que toda a vida havia surgido das águas. Assim, a água representa nosso elemento material, os renascimentos em novos corpos físicos.
Porém, Ele falou também em renascer do Espírito e, com isso abriu novos horizontes aos já vastos conhecimentos daquele chefe dos judeus.
Jesus falou em renovar-se. Não basta voltar ao palco terrestre inúmeras vezes. Faz-se necessário modificar-se, esculpir a alma, melhorar-se.
E para isso o Criador nos dá oportunidades grandiosas e mensagens muito claras.
Vejamos alguns exemplos: cada vez que reencarnamos, voltamos como se fosse nossa primeira vida, com este frescor de renovação, com novas chances, esquecendo o passado, ganhando uma nova vestimenta carnal.
Chegamos aqui como bebês, desprotegidos, inspirando amor, cuidados, tendo que reaprender tantas coisas que já sabíamos antes. Tudo em nome desse projeto de renovação.
Recebemos como familiares antigos amores, mas também desafetos, em perfeito sigilo, para que possamos nos adequar a essa nova formação familiar e tentar viver em harmonia.
Há também a proposta dos ciclos.
A existência e a natureza são repletas de ciclos justamente para que possamos, de tempos em tempos, avaliar, recomeçar e renovar.
Quando cada ano termina, fazemos o balanço do que passou, do que fomos e planejamos, e o que desejamos ser. Traçamos metas e as perseguimos. Cada ano somos novos eus,gradualmente, em busca da perfeição.
Há também os ciclos de nossos anos de vida no planeta. Nossos chamados aniversários.
Cada novo ano completo aqui é também momento de introspecção, de refletir profundo, de autoconhecimento: Quem sou eu? O que faço aqui? O que já construí? O que falta? O que virá pela frente? Quanto tempo ainda me resta?
Fechamos um capítulo do livro, abrimos outro.
Temos vidas dentro de uma mesma vida. Infância, adolescência, juventude, vida de casado, filhos, madureza, terceira e porque não, até quarta-idade.
Há pessoas que estão renascendo com seus sessenta, setenta anos! Dando a si mesmas uma nova chance de viver, de aprender, de amar. Afinal, nunca é tarde!
Por fim, dentro dos ciclos, há ainda o de cada dia.
Podemos, dessa forma, renascer com as manhãs, considerando cada nascer do sol uma nova chance que o Criador nos dá de nos reinventarmos, de fazer de novo, de fazer o certo.

* * *

Agradeçamos pelo presente da nova manhã, da nova vida dentro da vida e sigamos adiante.
A existência é feita de renascimentos. O renascer é lei do Universo.
É preciso renascer com as manhãs. É preciso renascer com os anos. É preciso renascer da água e do Espírito para alcançar a plenitude que tanto desejamos.

Redação do Momento Espírita.
Em 16.5.2016.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Raças de Gato: Munchkin


O Munchkin é uma raça de gato relativamente recente, que tem como característica mais marcante as patas curtas em relação à altura, o que faz com seja frequentemente comparada aos cães da raça Basset Hound. Embora haja documentação a respeito das raças de gatos de patas curtas desde os anos 40, a raça Munchkin foi aceita oficialmente pelas associações internacionais somente à partir dos anos 90.

História da raça Munchkin

Gatos de pernas curtas foram documentados diversas vezes ao redor do mundo desde os anos 1940. Um relatório datado do ano de 1944 observou quatro gerações de gatos de pernas curtas semelhantes em todos os aspectos aos gatos normais, com exceção do comprimento das patas. Essa linhagem de gatos de patas curtas desapareceram durante a Segunda Grande Guerra, mas outros gatos de pernas curtas foram vistos já em 1956 na Rússia e em 1970 nos Estados Unidos.

O público em geral tomou conhecimento da raça Munchkin através da transmissão pela TV da exposição de gatos promovida pela Associação Internacional do Gato (TICA), que foi realizada no Madison Square Garden, em Nova Iorque no ano de 1991.


Descrição e aparência da raça Munchkin

O Munchkin é descrito como um gato dócil, de temperamento extrovertido, amável, inteligente e bem humorado. Proprietários e criadores da raça descrevem o Munchkin como um gato tranquilo, não suscetível a problemas particulares de saúde, e ideal para a vida em ambientes internos ou casas pequenas localizadas em áreas urbanas. Trata-se de um gato de pequeno à médio porte, de pelagem felpuda, macia, e comprimento médio. Devido ao uso de outras raças para cruzamento, o Munchkin apresenta características semelhantes a qualquer outro gato domestico. Os exemplares machos da raça pesam entre 3 e 4 kg e são geralmente um pouco maiores do que as fêmeas. Outra característica desta raça é que as patas traseiras podem ser um pouco maiores do que as dianteiras, o que faz do Munchkin um gato com aparência singular.

Também há uma variedade de pelo longo, que é apresentado nas exposições de beleza em uma categoria diferente, chamada de Munchkin Longhair, ou Munchkin de Pelo Longo. A variedade de pelo curto apresenta um pelo felpudo de tamanho médio, enquanto os exemplares de pelo longo tem um pelo semi-longo bastante sedoso. A pelagem do gato Munchkin pode apresentar todos os padrões e cores.

Fonte: http://www.blogdogato.com.br/gatos/racas/munchkin/

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A origem da internet


A internet revolucionou o funcionamento tradicional das sociedades modernas como o fizeram, a seu tempo, a imprensa, a máquina a vapor, a eletricidade ou a telegrafia sem fio (rádio). Hoje parece normal fazer cursos on-line, preencher formulários administrativos a distância ou expressar opiniões em fóruns de discussão. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 67,9 milhões de brasileiros estavam conectados à internet ou seja, o número de domicílios com acesso à internet no Brasil cresceu 71% entre 2005 e 2009. No entanto, poucos conhecem sua história e as razões de sua criação.

De acordo com o dicionário Houaiss, internet é “rede de computadores dispersos por todo o planeta que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo comum”. Ela nasceu no final dos anos 1960, em plena Guerra Fria, graças à iniciativa do Departamento de Defesa americano, que queria dispor de um conjunto de comunicação militar entre seus diferentes centros. Uma rede que fosse capaz de resistir a uma destruição parcial, provocada, por exemplo, por um ataque nuclear.

Para isso, o pesquisador Paul Baran concebeu um conjunto que teria como base um sistema descentralizado. Esse cientista é considerado um dos principais pioneiros da internet. Ele pensou em uma rede tecida como uma teia de aranha (web, em inglês), na qual os dados se movessem buscando a melhor trajetória possível, podendo “esperar” caso as vias estivessem obstruídas. Essa nova tecnologia, sobre a qual também se debruçaram outros grupos de pesquisadores americanos, foi batizada de packet switching, “troca de pacotes”.

Equipe da empresa BBN Technologies que desenvolveu o servidor IMP, o que viabilizou o funcionamento da Arpanet
Em 1969, a rede ARPAnet já estava operacional. Ela foi o fruto de pesquisas realizadas pela Advanced Research Project Agency (ARPA), um órgão ligado ao Departamento de Defesa americano. A ARPA foi criada pelo presidente Eisenhower em 1957, depois do lançamento do primeiro satélite Sputnik pelos soviéticos, para realizar projetos que garantissem aos Estados Unidos a superioridade científica e técnica sobre seus rivais do leste.

A ARPAnet a princípio conectaria as universidades de Stanford, Los Angeles, Santa Barbara e de Utah. Paralelamente, em 1971, o engenheiro americano Ray Tomlinson criou o correio eletrônico. No ano seguinte, Lawrence G. Roberts desenvolveu um aplicativo que permitia a utilização ordenada dos e-mails. As mensagens eletrônicas se tornaram o instrumento mais utilizado da rede. A ARPAnet seguiu sua expansão durante os anos 1970 – a parte de comunicação militar da rede foi isolada e passou a se chamar MILnet.

Outras redes, conectando institutos de pesquisas, foram criadas nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França. Faltava estabelecer uma linguagem comum a todas. Isso foi feito com o protocolo TCP/IP, inventado por Robert Kahnet e Vint Cerf em 1974. A ARPAnet adotou essa padronização em 1976. E assim começou a aventura da web com seu primeiro milhar de computadores conectados. O afluxo de usuários engendrou um fenômeno de sobrecarga. Em 1986, uma nova rede foi lançada pela National Science Foundation. A ARPAnet se juntou a ela quatro anos mais tarde.

Uma etapa decisiva foi superada em 1990 com a criação, por um pesquisador do Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear em Genebra (Cern), Tim Berners-Lee, do protocolo HTTP (Hyper Text Transfer Protocol) e da linguagem HTML (Hyper Text Markup Language), que permitem navegar de um site a outro, ou de uma página a outra. A World Wide Web (www) lançou seu voo, e a internet se abriu ao público, empresas particulares e privadas. Uma multidão de sites apareceu.

Com uma infraestrutura de comunicação teoricamente desprovida de autoridade central, a internet, todavia, seria gerida de um contrato com o governo americano, que havia financiado sua criação, e diversos órgãos que assegurariam seu crescimento. Foi o caso da Internet Assigned Numbers Authority (IANA), responsável pela gestão dos nomes dos domínios, o DNS (Domain Name System). Graças a ele, os endereços IP, constituídos de uma série de códigos (o endereço numérico atribuído a cada computador conectado à rede) são traduzidos em letras que compõem nomes identificáveis e memorizáveis.

Apesar de gerido pela IANA, o DNS sempre esteve sob controle do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Em 1998, sua gestão foi confiada a uma organização californiana de direito privado, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann). Em 2009, os contratos que ligavam a Icann ao Departamento de Comércio americano expiraram, e a empresa passou a ter mais autonomia. Sua missão é assegurar, dos Estados Unidos, a coordenação técnica do sistema de denominação. Deve promover também a concorrência e garantir a representação global das comunidades na internet. Os interessados em política mundial da rede podem participar de seus trabalhos, por meio de fóruns acessíveis em seu site na web.

O engenheiro da computação Leonard Kleinrock posa junto ao Arpanet
Esse controle técnico e administrativo da internet nos Estados Unidos causa, porém, tensões internacionais. Desde 2003, a Organização das Nações Unidas (ONU) reclama uma gestão “multilateral, transparente e democrática, com a plena participação dos Estados, do setor privado, da sociedade civil e das organizações internacionais”. Em 2006, em decorrência de tal demanda, foi instituída uma estrutura de cooperação internacional, o Internet Governance Forum (IGF). Mas essa instância tem apenas papel consultivo. Ela deve, também, velar pela liberdade de difusão das inovações tecnológicas e ideias. Uma questão essencial, pois a internet se baseia no princípio de neutralidade, que exclui qualquer discriminação da fonte, destinatário ou conteúdo transmitido na rede.

Já existem mais de 2 bilhões de internautas no mundo, ou seja, um terço da população planetária. Os progressos da informática, associados aos do audiovisual e das telecomunicações, permitiram a criação de novos serviços. Depois do desenvolvimento de redes de banda larga com fio (ADSL e fibra óptica) e sem fio (wifi, Bluethooth e 3G), e da internet móvel (WAP), desenvolveram-se outras tecnologias e produtos da chamada “web 2.0”. Essa segunda geração se caracteriza por suas aplicações interativas (blogs, wikis, sites de compartilhamento de fotos e vídeos ou redes sociais), que renovaram a relação entre os usuários e os serviços de internet, criando o princípio de uma cultura compartilhada em rede.

Assim como a dominação americana da regulação técnica é vista por outros Estados como uma ameaça, o estabelecimento de controles nacionais por meio de sistemas que impedem o livre acesso à internet constitui também outro perigo político para as liberdades individuais.

Há três anos, a China criou uma "sub-rede", diretamente controlada pelo governo: ações como essa contrariam a ideia de uma internet livre para todos
Em janeiro de 2007, o especialista francês Bernard Benhamou anunciou em um artigo sobre as novas questões da governança da internet que a capacidade de fragmentação da rede apresenta riscos em relação ao plano industrial e político. Ele pensava particularmente na China, que tentou criar seu próprio sistema de endereçamento, independente do DNS. Uma maneira eficaz de bloquear a consulta de seus sites aos internautas de fora e de interditar à população chinesa o acesso aos sites externos.

Isso já é realidade. Há mais de três anos o servidor de nomes de domínios chineses não passa mais pela Icann, para que, de acordo com o governo chinês, seu povo possa aprender os ideogramas, em vez de palavras do alfabeto latino. Essa “sub-rede”, de acordo com a expressão do jornalista Hubert Guillaud, do jornal francês Le Monde, que recebe o nome poético de “escudo de ouro”, é diretamente controlada pelo governo chinês. Não há dúvidas de que esse tipo de internet do Império do Meio, que associa censura e controle, pode rapidamente ser copiado por nações que não utilizam o alfabeto latino. Isso teria como consequência a fragmentação da internet em múltiplas redes incompatíveis.

A “ciberguerra” que opôs Google e Pequim no início de 2010, quando o maior site de buscas do mundo ameaçou deixar o país após ser atacado por hackers chineses e constatar a invasão de contas de e-mails de ativistas de direitos humanos, fez do livre acesso à internet uma prioridade da política externa dos Estados Unidos. A internet se converteu em uma arma política da Casa Branca na luta pela preservação de sua hegemonia comercial e estratégica.

As recentes revoluções na Tunísia e no Egito mostraram o papel determinante da web, dos blogs e das redes sociais na queda de regimes ditatoriais. A internet se tornou “um Titã que ninguém pode conter”, como disse o jornalista tunisiano Taoufik Ben Brik, e essa nova ciber-resistência pode, se não mudar, pelo menos acelerar o curso da história.
por Véronique Dumas