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quarta-feira, 2 de março de 2016

Saibamos confiar






O Evangelista Mateus teve oportunidade de assinalar, em seu Evangelho, capítulo seis, versículo trinta e um: Não andeis, pois, inquietos.

Muitos andamos inquietos nestes dias. Inquietos com a economia, com a política, com a família. Inquietos em relação ao futuro; inquietos em relação ao passado; inquietos com nós mesmos.
A inquietude da criatura revela, no âmago, a falta de confiança, a falta de fé e, também a falta de conhecimento.
A recomendação de Jesus não incentiva a indiferença nem a irresponsabilidade.
O Mestre, que preconizou a oração e a vigilância, não aconselharia a despreocupação do discípulo ante o acervo do serviço a fazer.
Ele nos pede o combate ao pessimismo crônico.
Ser pessimista é estar condenado a perder a batalha antes dela mesmo começar. Ser pessimista é boicotar a si mesmo e aos outros, pois nossas palavras e pensamentos transformam o mundo à nossa volta para o bem ou para o mal.
Ainda vivemos os tempos de nos defrontar, inúmeras vezes, com pântanos e desertos, espinheiros e animais daninhos. São os tempos de transição.
Urge, porém, renovar atitudes mentais na obra a que fomos chamados, aprendendo a confiar no Divino Poder que nos dirige.
Em todos os lugares há derrotistas intransigentes.
Sentem-se nas trevas, ainda mesmo quando o sol fulgura no zênite.
Enxergam baixeza nas criaturas mais dignas.
Marcham atormentados por desconfianças atrozes. E, por suspeitarem de todos, acabam inabilitados para a colaboração produtiva em qualquer serviço nobre.
Aflitos e angustiados, desorientam-se a propósito de mínimos obstáculos, inquietam-se, com respeito a frivolidades de toda sorte e, se pudessem, pintariam o firmamento com a cor negra para que a mente do próximo lhes partilhasse a sombra interior.
Nós precisamos confiar...
Não há treva que dure para sempre. Não há coração destinado ao mal. O tempo de escuridão é passageiro, é momento de aprendizagem, de provas necessárias.
A sabedoria dos mais experientes, Espíritos de escol que aqui estiveram e que ainda nos acompanham do Mundo Maior, revela que o Universo é regido por uma Inteligência dotada de justiça e bondade.
Dessa forma, como não confiar?
Assim, ao observarmos o mal aparentemente dominante ainda, escandaloso, bulhento, não colaboremos com seu estardalhaço desproporcional.
Divulgá-lo sem propósito benéfico, propagá-lo sem fim útil, apenas para causar espanto, é dar-lhe mais forças.
O otimista não é aquele que se negaa enxergar o mal à sua frente. É simplesmente aquele que dá mais valor ao bem do que ao mal que alguém promova.
O otimista é aquele que sempre vê uma saída, que sempre vê um aprendizado em toda experiência, por mais penosa que tenha sido.
Esses levam a vida com mais leveza e, muitas vezes, confiam sem saber que estão confiando. Têm fé imensa sem saber que a têm ou sem mesmo precisar dar rótulos a ela.

Lutemos. Perseveremos. Amemos e confiemos sempre.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Saibamos confiar, do livro Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 1.3.2016.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Muito humilde


A pessoa que trabalha lá em casa é muito, muito humilde.
Você já deve ter ouvido esta frase, com certeza. E com a mesma certeza sabe que quem assim fala está se referindo a alguém com poucos recursos amoedados. Ou intelectuais. Ou ambos.
De um modo geral, associamos pobreza, analfabetismo, ignorância à humildade.
Contudo, foram humildes Jesus de Nazaré, Francisco de Assis, Francisco Cândido Xavier.
E esses não se enquadram nos itens destacados. Jesus era humilde, no entanto, a ninguém ocorre imaginar que Ele fosse um iletrado.
Profundo conhecedor da alma humana, o que Lhe confere, de imediato, alta condição psicológica, era igualmente conhecedor da História de Israel, da cultura do mundo em que vivia, das escrituras.
Provam isso suas falas, seus pronunciamentos, reportando-se à Lei antiga, aos profetas, ao tempo político que se vivia então.
Ademais, era poeta, utilizando-se sabiamente de figuras de linguagem, adequando-as ao ensino que desejava oferecer e às pessoas para as quais falava.
Ninguém foi tão grande quanto Ele. E era humilde. Ele mesmo o disse: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.
Francisco Cândido Xavier não dispunha de recursos financeiros, nem diplomas.
Mas ninguém ousaria dizê-lo ignorante. Basta recordar-lhe a sabedoria nas entrevistas que concedeu a jornalistas, repórteres, cientistas que desejaram estudar-lhe as qualidades mediúnicas.
Sabia portar-se em público, utilizando-se de vocabulário adequado, demonstrando a ilustração do seu intelecto.
Francisco de Assis nasceu em berço rico e abraçou a pobreza, por opção do ensino que desejou ministrar, em plena Idade Média.
Era humilde e conhecedor do Evangelho. Foi ainda compositor. Dizia-se o cantor do Grande Rei, Deus.
No ideal de divulgar o Evangelho de Jesus em sua essência mais pura, agregou jovens ricos, homens cultos, no mesmo ideal e os liderou.
Falava ao povo simples, falava a magistrados e às autoridades eclesiásticas.
Conta-se que, certa vez, em retornando de Roma a Assis, deteve-se na cidade de Ímola. Por questão de respeito hierárquico, apresentou-se ao bispo e expressou o desejo de pregar na igreja local.
Eu prego a meu povo e isso é o bastante! – Foi a resposta do bispo.
Francisco se retirou e voltou uma hora depois, fazendo o mesmo pedido.
Ante o espanto do bispo, pela insistência, respondeu:
Meu senhor, se um pai expulsa o filho por uma porta, ele deve voltar por outra!
O raciocínio coerente lhe valeu o direito de tomar lugar no púlpito do prelado para a pregação.

* * *

Humildade é virtude que brilha nos corações dos homens de bem.
Homens de intelecto mas que a ninguém desprezam.
Homens de posses, que a todos acolhem.
Homens que sabem reivindicar seus direitos, nunca sendo omissos.
Homens de bem. Humildes.
Repensemos nossos conceitos.

Redação do Momento Espírita, com relato de fato colhido no cap. Onze (1213-1218), do livro Francisco de Assis, o santo relutante, de Donald Spoto, ed. Objetiva.
Em 18.1.2016.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Dias de solidão



Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Quando o poeta da música popular escreveu esses versos, explicitava na canção o sentimento que muitas vezes se apodera de nossa alma.
São aqueles dias onde a alma se perde na própria solidão, encontrando o eco do vazio que ressoa intenso em sua intimidade.
São esses dias em que a alma parece querer fazer um recesso das coisas da vida, das preocupações, responsabilidades e compromissos, para simplesmente ficar vazia.
Não há quem não tenha esses dias de escuridão dentro de si. Fruto algumas vezes de experiências emocionais frustrantes, onde a amargura e o dissabor nos relacionamentos substituem as alegrias de bem-aventuranças anteriores.
Outras vezes são os problemas econômicos ou as circunstâncias sociais que nos provocam dissabores e colocam sombras na alma.
A incompreensão no seio familiar, a inveja no círculo de amizades, a competição e rivalidade desmedida entre companheiros de trabalho provocam distonias de grande porte em algumas pessoas.
Nada mais natural esses dissabores. Jesus, sabiamente, nos advertiu dizendo que no mundo só encontraríamos aflições.
Tendo em vista a condição moral de nosso planeta, as aflições e dificuldades são questões naturais e ainda necessárias para a experiência evolutiva de cada um de nós.
Dessa forma, é ilusório imaginarmos que estaríamos isentos desses embates ou acreditarmo-nos inatacáveis pela perversidade, despeito ou inferioridade alheia.
Assim, nesses momentos faz-se necessário enfrentar a realidade, sem deixar-se levar pelo desânimo ou infelicidade.
Se são dias difíceis os que estejamos passando, que sejam retos nosso proceder e nossas ações. Permanecer fiel aos compromissos e aos valores nobres é nosso dever perante a vida.
Os embates que surjam não devem ser justificativas para o desânimo, a queixa e o abandono da correta conduta ou ainda, o atalho para dias de depressão e infelicidade.
Aquele que não consegue vencer a noite escura da alma, dificilmente conseguirá saudar a madrugada de luz que chega após a sombra, que parece momentaneamente vencedora.
Somente ao insistirmos, ao enfrentarmos, ao nos propormos a bem agir frente a esses momentos, teremos as recompensas conferidas àquele que se propõe enfrentar-se para crescer.
 
* * *

Se os dias que lhe surgem são desafiadores, lembre-se de que mesmo Jesus enfrentou a noite escura da alma, em alguns momentos, porém, sempre em perfeita identificação com Deus, a fim de espalhar a claridade sublime do Seu amor entre aqueles que não O entendiam.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7, do livro Atitudes renovadas, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 20.1.2016.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Caminhos



São muitos os caminhos... Caminhos tranquilos, plenos de flores, transitados sem problemas nem esforço.
Caminhos tortuosos, difíceis, cheios de pedregulhos, de aspereza e dificuldades.
Caminhos fáceis que conduzem a abismos profundos, como gargantas abertas no verde da selva.
Caminhos desconhecidos, que conduzem a alturas imensuráveis, margeando a montanha.
Caminhos de lama, após a chuva torrencial. Caminhos áridos, na terra castigada pelo sol ardente.
Caminhos ásperos, cheios de ervas daninhas e espinheiros. Caminhos curtos. Caminhos longos.
Em verdade, todos os caminhos têm algo em comum: o de permitirem ao viajante chegar a algum lugar.
Assim, o mais importante não é escolhê-lo por sua beleza, facilidade ou comprimento. O mais importante é saber onde se pretende chegar.
Na Terra, todos andamos por várias vias: as da comodidade, dos prazeres, das facilidades. São os caminhos curtos, fáceis e que conduzem o ser às bocas escancaradas dos abismos das paixões.
Existem aqueles que, de forma egoísta, preferem caminhar solitários e se perturbam após exaustiva marcha.
Os maus seguem trilhas suspeitas e se perdem em sombras.
Os que se afeiçoam ao bem seguem os caminhos da esperança e se iluminam. São vias de dificuldades, de tormentos e de dissabores. Caminhos espinhosos e difíceis, mas que dão acesso a portos de paz.
São eles que permitem ao homem alcançar as paragens superiores do bem que nunca morre e do amor que sempre dura.
Os servidores da caridade escolhem roteiros de ação constante pelo bem ao próximo e alcançam lugares de ventura.
A opção é individual e cada um a realiza de acordo com os sonhos e ideais acalentados na alma e os valores que carregue em sua intimidade.
Alcançar a felicidade breve e fugaz ou conquistar a alegria perene é decisão pessoal.
Na diversidade de tantos rumos, os homens se perturbam ou se tornam livres.
Contudo, não há ninguém que siga pelos caminhos de Jesus e que não deixe de alcançar o fim que almeja: a felicidade integral.
Hoje como ontem, Jesus, o Mestre Incomparável, prossegue convidando o Seu rebanho, desejando atrair todos para Si.
O Seu convite perene é para que nos acerquemos dEle usufruindo de paz, alcançando a esperança e trabalhando sempre.

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Ante a falta de tempo de que tanto reclamamos, face aos inúmeros quefazeres do dia a dia, é necessário parar para revisar e repensar Jesus.
Retornar aos seus caminhos e percorrê-los com ternura é tarefa inadiável ao ser humano.
Assim procedendo, com certeza haveremos de experimentar o calor da Sua presença e a presença do Seu amor.
Ninguém há que possa prescindir de Jesus, escolher outros caminhos e ser feliz.

Redação do Momento Espírita, com base no Prefácio, do livro Pelos caminhos de Jesus, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 14.1.2016.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Começando novo ano



Aproximava-se o Ano Novo.
Aquele homem, desiludido e desacorçoado frente às dificuldades da vida, busca orientações junto a um sábio:
Senhor, eu me encontro sem vontade de viver neste mundo de tantos horrores e desilusões. Espero dia após dia e nenhuma melhora acontece em minha vida.
Parece que o mundo está todo contra mim. Resolvi que se, nesse novo ano, nada mudar comigo, desistirei de viver...
O sábio o deixou desabafar para melhor conhecer seu interior. Depois se manifestou:
Meu filho, de fato, um novo ano representa nova chance, novo recomeço...
Deus é tão bom que nos permite oportunidades novas, em menores ou maiores escalas.
Todos sonhamos com mais facilidades para ascender na vida, mas ao mesmo tempo, nós mesmos criamos várias dificuldades.
Não esqueçamos que, quando o ano recomeça, recomeçam também as cobranças de antigas promessas, que não cumprimos. Por exemplo:
Se alguma ofensa nos dói na alma, isso nos indica que é hora de perdoar.
Se temos inimigos a nos espreitar com olhares de ódio, vamos aproveitar o novo ano, e nos reconciliar.
Se o desalento nos invade a mente, vamos realizar bem as nossas obrigações, e asserenar a consciência.
Se o trabalho não tem feito parte de nossas horas, vamos abraçar as obrigações, e semear a próxima colheita.
Se as indecisões nos prendem, é tempo de nos decidirmos pelo melhor.
Não esqueçamos que cada um de nós constrói o próprio destino.
As vicissitudes que nos assaltam, esperam nossas iniciativas para sua solução.
Deus nos permite tantas formas de vencermos nossos desafios. Basta que aproveitemos a nova chance para fazê-lo.
Embora os anos se renovem indefinidamente, nosso tempo na Terra é contado, não sabemos quando termina.
Nossa vontade portanto, deve ser direcionada na solução do problema que nos desafia.
Não há tempo para vacilos nem desânimos, a rotação do tempo se faz mais dinâmica, exigindo ações firmes e rápidas.
Quanto mais complicadas nossas questões, mais precisamos simplificar as nossas vidas.
Jamais desistir de viver. Sempre é tempo de novo recomeço.
Se queremos dar início a uma nova etapa, não esperemos por uma nova encarnação, basta o novo ano que começa.


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Frente às dificuldades que a modernidade nos apresenta, sejamos mais práticos e objetivos.
Frente a árduo reinício, saibamos simplificar nossas vidas.
Dessa forma, teremos mais tempo para o que realmente importa.
Simplicidade em nossa maneira de ser, em nossas moradas, em tudo o que nos rodeia.
A vida traz em si tudo o de que realmente necessitamos. Somos nós que a complicamos.
Simplicidade é valor intrínseco da humildade, uma das maiores virtudes.
Oremos e vigiemos. Trabalhemos, no limite de nossas forças. Busquemos coroar nossos esforços, perseverando sempre.
Comecemos um novo ano, com disposição de nos enriquecermos espiritualmente e venceremos os desafios da vida.

Redação do Momento Espírita.
Em 30.12.2015.

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Aos meus queridos amigos e amigas, desejo um novo recomeço cheio de Alegria, Paz, Saúde, Prosperidade, Amizade, União e mais mil energias e coisas boas do nosso Universo!!!
Ninguém é perfeito, mas tentar melhorar a cada diz, nos faz grandes pessoas!!!
Mil abraços, mil beijos e até 2016!!!!

 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Como definir saudade?


Como se pode definir a saudade? Dor da ausência de quem atravessou o umbral da porta e não mais voltou?
De quem se foi, tomado de mágoa, e disse que jamais retornaria?
Dor pela ausência de quem foi abraçado pela morte, depois de uma despedida que nunca aconteceu, porque tudo foi repentino, brusco, inesperado?
O que é isso que dói tanto e quanto mais passa o tempo mais parece machucar?
Segundo o dicionário é a lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las.
É verdade. Sentimos saudades de pessoas e de coisas já vividas, de coisas que já possuímos.
Sentimos saudade da espetacular viagem realizada, em que conhecemos lugares tão pitorescos, em que respiramos ares tão diversos, em que nos deixamos envolver pela sua magia e encantamento.
E desejamos, ardentemente, reprisar. Por isso, sonhamos. Sonhamos enquanto dormimos ou de olhos abertos, durante o dia mesmo.
Desejamos retornar àquelas localidades para tornar a sentir as mesmas emoções, que ficaram gravadas em nossa intimidade.
Temos saudades da casa da nossa infância, onde fomos felizes. A casa com o terreno tão grande, cheio de árvores, que nos conheceram muito bem.
Afinal, subíamos nelas todos os dias, fossem dias escolares ou de férias.
Quantas frutas saboreamos no pé de ameixa, de caqui, sem mesmo nos darmos ao luxo de lavá-las.
Eram nossas, do nosso quintal, portanto, no nosso entender de crianças peraltas, estavam limpas. E eram tão saborosas!
A saudade nos traz a vontade de tornar a encontrar aqueles sabores, tão peculiares, diferentes das frutas que adquirimos no mercado.
Saudade é algo estranho. Ela nos lembra de pessoas, de momentos, de fatos que desejamos se reprisem.
Nostalgia. A alma sente vontade de sentir de novo aquela mesma alegria, aquela emoção, aquele cheiro, aquele sabor.
Quando se trata de pessoas, dizem que saudade é a ausência do fluido, da energia delas, que ficou impregnado em nós, enquanto estávamos juntos.
É o residual dos tantos abraços e afetos trocados. E que, com o tempo, vai se diluindo, desaparecendo.
Aí a saudade estende laços e aperta.

* * *

Definir é difícil. O poeta a descreve de uma forma, o literato de outra, o psicólogo estabelece análise peculiar.
Enfim, não importa. O que importa mesmo é que ela nos envolve e nos machuca, desejando ser saciada.
Por isso, é muito importante que cada momento ao lado de quem amamos, seja vivido de forma intensa.
Que gravemos na memória as particularidades, que fotografemos com o coração o que desejamos rememorar, em dias de saudade.
Hoje é o dia em que devemos viver com toda intensidade, amar, abraçar com toda a intensidade, usufruir dos cheiros, dos sabores, das belezas com toda a intensidade.
Hoje, enquanto o dia é oportunidade.
Amanhã ou mais tarde, se precisarmos, acionaremos essas lembranças intensas, essas memórias profundas para alimentar a nossa infinita saudade...
Não nos permitamos perder o momento presente, rico, insuperável.

Redação do Momento Espírita.
Em 19.10.2015.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Servir sempre


Saber-se útil é essencial para um viver equilibrado.
Por isso, convém desenvolver o hábito de servir.
Não apenas em dias de arrependimento ou reparação.
Em todas as circunstâncias, o serviço é o antídoto do mal.
Talvez você tenha caído na trama de terríveis enganos e sonhe em se reabilitar.
Sendo assim, não desperdice a riqueza das horas, em inúteis lamentações.
Levante-se e sirva nos próprios lugares onde espalhou a sombra do erro.
Com essa atitude humilde, granjeará apoio infalível ao reajuste.
Quem sabe você enfrente duros problemas em sua vida particular.
Nessa hipótese, livre-se do fardo inútil da aflição sem proveito.
Reanime-se e sirva, no quadro de provações e dificuldades em que se situa.
A diligência e o labor funcionarão como preciosas tutoras, abrindo a senda ao concurso fraterno.
Quiçá você padeça obscura posição no edifício social.
Nessa situação, convém se prevenir do micróbio da inveja.
Movimente-se e sirva no anonimato.
A conduta digna e o devotamento funcionarão como luminosa escada rumo ao Alto.
É provável que você sofra o assalto de ferozes calúnias.
Esqueça a vingança, que seria aviltamento e baixeza.
Silencie e sirva, olvidando ofensas.
Ao eleger o perdão e a atividade no bem como estandartes, você forjará um invencível escudo contra os dardos da injúria.
Quem o vir trabalhador e nobre não conseguirá acreditar na maledicência.
Pode ser que você suporte o assédio de Espíritos inferiores.
Antigos desafetos de outras vidas podem estar a persegui-lo, no desejo de vê-lo recair em velhos vícios.
Abstenha-se da queixa sem utilidade.
Resista e sirva, dedicando-se ao socorro dos que choram em dificuldades maiores.
A dedicação à beneficência terminará por conquistar a simpatia de seus próprios adversários.
Ao vê-lo incansável no serviço ao próximo, eles se envergonharão de desejar seu mal.
A preguiça é ópio das trevas.
Os que não trabalham transformam-se facilmente em focos de tédio e ociosidade, revolta e desespero.
Tornam-se desequilibrados, pessimistas e ressentidos.
Como prestam muita atenção nos próprios problemas, acham-se os mais desafortunados do mundo.
Também estão sempre dispostos a fiscalizar o comportamento alheio e a apontar falhas.
Ao contrário, quem se dispõe a amparar raramente encontra tempo para criticar.
Assim, servir é um imperativo de saúde física e espiritual.
Para ser feliz e equilibrado, impõe-se adquirir esse saudável hábito.
Quem busca sinceramente servir nunca encontra motivos para se arrepender.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. LXXI, do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.

Em 23.7.2015.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

As três virtudes


Os dias se mostravam difíceis para Jaqueline, desde algum tempo.
As tormentas no lar se faziam longas e, agora, traziam agravantes.
O marido sempre ausente, alheio aos problemas que surgiam na intimidade familiar.
A educação do filho se mostrava desafiadora, exigindo cuidados e atenção.
Não bastasse isso, iniciavam-se dificuldades financeiras que se alastravam.
Estava aturdida e sem saber como agir. Parecia que perdia todas as esperanças e a coragem que a caracterizava.
Andava cabisbaixa, com a sensação de estar prestes a cair no choro, desesperar-se.
Foi nesse estado de ânimo que quase tropeçou na rua com um velho conhecido.
Amigo da família, ele acompanhava a trajetória de Jaqueline, e ela tinha por ele grande carinho, considerando-o um pai.
Rapidamente ele percebeu em seus olhos o drama que buscava esconder.
Tentando oferecer-lhe ajuda, de alguma forma, a convidou para um café ali próximo e, quem sabe, uma conversa.
A intimidade permitiu que, em pouco tempo, ela relatasse toda a história que lhe causava tantos tormentos.
O amigo, experienciado pela vida, e tomado de compaixão pela situação de pessoa tão querida, amorosamente lhe propôs:
Jaqueline, vejo que há três ferramentas que lhe são fundamentais: a paciência, a humildade e a fé.
Como assim? - Indagou-lhe sem compreender.
A paciência será sua primeira auxiliar. Haverá dias em que parecerá que tudo conspira contra você. Alguns embates apresentar-se-ão quase insuportáveis. Mas tudo isso passa. Nada dura para sempre.
Nessas horas, quando não há o que fazer, arme-se de paciência. Ela será sua sustentação para suportar pessoas difíceis, situações constrangedoras, momentos críticos.
Em outros momentos, será necessário ter humildade. Será ela quem lhe permitirá retirar aprendizado das situações mais difíceis.
A humildade a ajudará a compreender que ninguém está isento de sofrer injustiças. No entanto, o que chamamos de injustiça hoje, é nada mais do que o ressarcimento de um passado não muito feliz, de outras vidas.
A humildade lhe dirá que tudo o que nos acontece está enquadrado nas nossas necessidades de resgate e aprendizado.
E, por terceira companheira inseparável, tenha sempre com você a fé. Ela lhe servirá para aqueles momentos em que não conseguir entender o porquê de certas dificuldades e problemas que lhe baterão à porta.
Quando estiver se questionando se merece ou qual a razão de passar por determinadas situações, a fé lhe dirá para colocar a sua vida nas mãos de Deus, entendendo que Ele sempre ampara e sustenta Seus filhos.
Assim, minha filha, com paciência, humildade e fé, você conseguirá superar esses dias difíceis.
Amparada pelo carinho e as sábias palavras do amigo, Jaqueline retornou ao lar, mais forte e confiante.
A partir dali, buscou agasalhar em sua alma as três virtudes enumeradas. E foi descobrindo, a pouco e pouco, que os maiores problemas da vida são possíveis de serem superados, com paciência, humildade e fé.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 8.7.2015.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Por que tanto sofrimento?






As notícias nos chegam de roldão, pela TV, jornal, rádio, internet. No Nepal, terremoto de grandes dimensões deixou mais de sete mil mortos.

A capital, Katmandu, virou quase um cenário de guerra quando milhares de pessoas, com medo da falta de alimentos e sem suas casas, aguardavam ônibus para se retirarem do local.
Revolta, medo, desespero se uniram e levaram o povo a um confronto com a polícia, enviada ao local para tentar controlar a situação.
No Chile, depois de uma dormência de quase meio século, o vulcão Calbuco erupcionou, ocasionando degelos, que geraram o isolamento imediato de cidades vizinhas a bacias hidrográficas.
Uma nuvem de cinzas se espalhou pela região central do país e parte da Argentina, provocando o cancelamento de muitos voos. A coluna de material piroclástico alcançou dezessete quilômetros de altitude.
No oeste catarinense, um tornado deixou um saldo de dois mortos, cento e vinte feridos, mais de mil pessoas desabrigadas. Somam quase três mil as casas danificadas. Danos de tal monta que se estima em torno de um ano para a reconstrução da cidade.
Na capital de outro estado, após temporal, muita chuva, começaram os deslizamentos, que causaram a morte de treze pessoas. As perdas de vidas se somam às perdas materiais.
Tudo isso nos é informado com detalhes. As imagens televisivas mostram a destruição: a lava descendo pela encosta da montanha, a nuvem de fumaça, a chuva torrencial, os ventos que chegaram a trezentos e trinta quilômetros por hora.
Patrimônio construído em décadas reduzido a pó, em questão de poucos segundos.
E nos perguntamos por quê? Por que tantas calamidades? E, talvez porque as notícias nos chegam em tempo real, as catástrofes parecem estar ocorrendo em conjunto, explodindo dores por todo o mundo.
Jesus, em seu Sermão profético, alertou a respeito dessas dores que nos chegariam, anunciando o fim dos tempos.
Fim dos tempos de uma Terra ainda dominada pelo mal, surgindo outra, que caminha para a paz, o bem e o amor.
Por isso, exatamente como uma casa em reformas, onde o caos parece se instalar, tudo isso ocorre.
É o derrubar de um mundo velho, para a renovação.
Renovação dos seres que habitam a Terra, porque uns vão e outros retornam, pela reencarnação, substituindo aqueles.
Renovação das paisagens físicas, alterando a geografia, modificando o mundo material, como já ocorrido em outras épocas, no planeta.
Ante tudo isso, é de meditarmos: que estamos fazendo enquanto isso sucede ao nosso redor? Por vezes, até nos alcançando?
É tempo de pensar que somos perecíveis enquanto seres humanos. Que todo nosso patrimônio não é durável, senão enquanto se mantenham estáveis determinadas condições de terreno, clima.
Hoje despertamos e estamos vivendo na Terra. Amanhã, o panorama poderá ser outro. Poderemos estar no plano espiritual, arrebatados pela morte física.
Poderemos estar em outro local, nossos bens terem se dissipado como tempestade de areia, que vem, agride e passa.
Pensemos nisso. E invistamos mais em nós mesmos. Cultivemos a inteligência, o bem, a moral e a ética.
Somos frágeis demais, neste planeta, para nos arvorarmos em nos mantermos em soberba, orgulho e egoísmo.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 1.7.2015.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Mãe, simplesmente


Deus, em Sua Criação, fez no infinito, um belo jardim. Pelo Universo lançou sementes de amor. Sol a sol, luz a luz, um por um, um por vez.
Em todo o jardim encontramos o Criador. Em tudo, a divina assinatura. Feche os olhos, sinta e creia, procure.
No Universo, tudo é movimento, dinâmica, equilíbrio, perfeição. Não há pergunta sem resposta, não há efeito sem causa, conquista sem trabalho, mérito sem doação.
As sementes foram lançadas, espalhadas por onde a vista não alcança. Não há morte, não há fim. Em cada morte, um recomeço. Em cada fim, uma esperança.

* * *

Olhos atentos encontrarão a mais bela flor do jardim do Onipotente. Para ela, adjetivos diversos: ternura, vida, carinho, amor, devoção. Ou mãe, simplesmente.

* * *

Senhor, rogo a Ti por todas as mães.
Em todo gesto de amor Tu te revelas e, ainda mais te encontro, ó Pai, no amor de mãe, pois sei que a maternidade é uma de Tuas faces.
Mães, Senhor. Mães que são exemplo de doação, de sacrifício, de abnegação, de generosidade, de fé.
Rogo-te, Pai, pelas mães que, durante nove meses, carregaram em seus ventres os rebentos de amor e que, para toda a vida, continuam a lhes guiar os passos, a perdoar-lhes as fraquezas e a lhes ofertar o abraço reparador.
Peço, também, pelas mães adotivas, que amam com desprendimento e desinteresse o filho de outras mães. E por aquelas que tiveram seus filhos desaparecidos, jamais recuperados e, assim, perderam parte de seu próprio coração.
Eu te rogo, Deus do perdão, pelas mães presidiárias, que não podem estar junto dos seus e sofrem a aguda dor da saudade.
E, por aquelas que têm os filhos na prisão e que, esperançosas, depositam neles a confiança, aguardando retornem ao bom caminho que elas lhes apontaram.
Pelas mães doentes, acamadas, hospitalizadas. Que os bons Espíritos, cumpridores de Tua vontade, lhes fortaleçam os ânimos e derramem sobre elas o bálsamo de Teu consolo, misericórdia e paz.
Rogo também pelas mães abandonadas. Aquelas que, na velhice, foram deixadas em asilos, derramando as lágrimas amargas da solidão.
E pelas avós, tias, madrastas que, por amor, transformam netos, sobrinhos, enteados, em filhos do coração.
Ainda, Senhor da eternidade, te rogo pelas mães desencarnadas, esses verdadeiros anjos da guarda, que continuam a zelar pelos seus, pois compreendem que a maternidade não é mero fenômeno biológico e, sim, um laço eterno de almas.

 * * *

Doce mãe de Jesus, na singela manjedoura, Tu o acolheste em Teus braços. Teu coração, no silêncio, bateu no ritmo do dEle e Tu soubeste: era o Teu filho, também o filho de Deus.
Acolhe, mãe por excelência, todas as mães do mundo em Teu amor. Faz do coração delas manjedoura para o Cristo Jesus, a fim de que Ele nasça no Espírito de cada filho deste nosso chão.

Redação do Momento Espírita.
Em 22.6.2015.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Julgamentos precipitados


Quantas vezes já aconteceu?
Um servidor dedicado, após anos de trabalho irrepreensível, comete um deslize. Logo, todos os tantos anos de dedicação são esquecidos.
Sobre ele recaem acusações, desconfianças.
Um amigo de infância, adolescência, juventude, alguém com o qual rimos, choramos, confiamos, comete uma pequena falha.
Diz-nos um não. É o suficiente.
Anos de convivência são sepultados de um só golpe.
Um voluntário que serve dedicada e perseverantemente meses, anos, sempre sorridente, feliz, um dia, por algo que lhe ocorre e o perturba, se exaspera, fala mais alto.
Logo, tudo que fez até então é esquecido e somente aquele gesto de um momento de irreflexão é apontado, falado, julgado.
São retratos da vida. Ocorrem em muitos lugares.
E nos fazem recordar de uma história muito interessante.
A de um pai que desejava ensinar aos seus quatro filhos a respeito de julgamentos.
Assim, a cada um enviou em uma estação diferente do ano a uma terra distante para observar uma determinada árvore.
O primeiro filho chegou no inverno, o segundo na primavera, o terceiro no verão e o quarto no outono.
O primeiro informou que a árvore era feia, além de seca e toda distorcida.
O segundo disse que, ao contrário, a árvore estava carregada de botões, cheia de promessas.
O outro filho contestou aos dois irmãos e afirmou que viu a árvore coberta de flores. Que elas tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais havia visto.
Finalmente, o quarto filho falou que a árvore estava tão cheia de frutas, tão carregada de vida, que chegava estar arqueada.
O pai, ponderado, explicou que todos estavam certos, no entanto, cada um deles julgara a árvore exatamente pela época do ano em que a havia visto.
Na vida, continuou, também é assim. Quase sempre somos precipitados nos julgamentos.
Para julgar com acerto, compete-nos observar com atenção, colher informações detalhadas.

* * *

Dessa forma, não julguemos situações e pessoas por um momento apenas.
Consideremos que todos passamos pelos dias desolados do inverno. Dias de tristeza, de solidão, de problemas superlativos.
Nessa estação da vida, parecemos árvores de galhos retorcidos.
Contudo, quando a esperança faz morada na intimidade, carregamo-nos de promessas, de botões prontos a explodirem em flores.
Então, acenamos com cores vibrantes, flores perfumadas, graciosas que, logo mais, se transformarão em produção abundante de frutos.
Pensemos nisso e não façamos julgamentos precipitados de situações, de pessoas, de companheiros, de amigos.
Verifiquemos, antes, em que estação do ano estagia a alma de quem vamos julgar.
E, se descobrirmos que o inverno envolve aquela criatura, estendamos a contribuição do sol da nossa amizade, o adubo do nosso auxílio, a proteção do nosso carinho.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no texto A pereira, de autoria desconhecida.
Em 17.6.2015.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Sua vida religiosa


Como tem sido sua vida religiosa?
Tem você mantido as aparências graciosas da fé, enquanto alimenta azedumes, invejas, mágoas e rapina no coração, ou temse esforçado por ser, intimamente, o que Deus espera de você?
Vida religiosa nada tem a ver com as atitudes artificiais ou piegas por muitos adotadas.
Ela se vai concretizando, em verdade, quando passamos a compreender que a religião verdadeira não passa obrigatoriamente pelas aparências de fora, mas sempre será uma realidade vibrante no íntimo dos seres.
Manter contato mais próximo com Deus, com Cristo ou com os prepostos da Luz Divina, pela capacidade de transformar velhas inclinações perturbadoras em novas posturas de trabalho renovador, por dentro e por fora de nós, isso sim é a base para a realização religiosa.
A sua vida religiosa precisa ter o aroma das reais virtudes, que crescem aos poucos, mas que não estão ausentes da vivência dos religiosos verdadeiros.
Nas lutas e renúncias de Gandhi, vemos sua vida religiosa ativa, laboriosae útil.
Nas pelejas e renúncias de Lincoln, achamos sua vida religiosa corajosa, desafiadora e útil.
Nos esforços e renúncias de madre Teresa, encontramos os sinais inquestionáveis da sua vida religiosa dedicada, transformadora e útil.
Se, na condição de pessoa religiosa, os seus atos não forem enobrecidos e úteis a ninguém, tenha a certeza de que eles são vazios e sem qualquer valor para a vida interior.
Pense e repense acerca da sua vida religiosa.
Transforme-se para o bem o quanto possa.
Desenvolva-se no amor o quanto puder, porque somente assim a sua atuação na esfera religiosa espalhará a luz do Cristo e o fará realmente feliz.

* * *

Em O livro dos Espíritos, Allan Kardec faz um questionamento fundamental, no que diz respeito à diversidade de doutrinas e crenças.
Todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da verdade. Como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?
A resposta dos Espíritos é bela e profunda:
Será aquela que produza mais homens de bem e menos hipócritas, ou seja, pela prática da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplicação mais abrangente.
Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, pois toda doutrina que semear a desunião e estabelecer uma demarcação entre os filhos de Deus só pode ser falsa e nociva.
Notemos dois detalhes: o primeiro, associando a religiosidade à prática, à transformação moral do indivíduo, senão de nada ela lhe serve.
O segundo, deixando claro que não precisamos de umaque se sobreponha às demais. Basta que ela conduza ao bem, que ligue os homens ao Criador, e ela terá cumprido sua função primordial.
Não há mais porque escolher uma entre várias, ou tentar dizer que esta é melhor do que aquela, senão voltaremos a cair nos problemas que geramos, ao longo dos tempos, segregando pessoas por crença, cor, raça.
Cada doutrina atende a um tipo de necessidade, a um tipo de alma, num determinado estágio evolutivo, e sempre terá seu valor, desde que mantenha seu compromisso com o amor e a caridade.
Não há apenas um caminho. O amor e o bem têm diversas vias, podem estar pintados de cores diferentes, mas sempre serão o amor e o bem.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 12, do livro Para uso diário, de Raul Teixeira, pelo Espírito Joanes, ed. Fráter e no item 842, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 9.3.2015.

domingo, 22 de março de 2015

Acima de tudo, Pai


A ciência nos permite penetrar as profundezas do infinito. Lançamos nosso olhar ao espaço e, de imediato, as centenas de pontos brilhantes que vemos, nos encantam.
No entanto, graças a potentes telescópios, vimos descobrindo milhares de mundos, lançando suas esplêndidas harmonias nos celestes campos da imensidão.
Diante desses horizontes, abertos à investigação humana, maravilhados,concebemos o Criador de todas as coisas, tão acima de nós que só um esforço da razão pode fazer que O entendamos.
A ordem, a grandeza, a majestade reinam por toda a parte. Tudo demonstra a bondade, a justiça dAaquele de quem todos os esplendores são apenas pálido reflexo.
E, se lançarmos nosso olhar para o próprio globo em que nos movemos, constataremos o emocionante quadro da vida estuante, em que Deus se revela.
As estações seguem seu curso, os corpos se combinam, a vida circula sobre o planeta, juntando e desagregando as moléculas, segundo leis que se cumprem maravilhosamente.
Na natureza tudo é harmonia. Tudo vibra, em acordes harmônicos, em condições determinadas por uma Inteligência.
Inteligência suprema, uma força eficiente.
É Deus que paira acima da Criação, que a envolve com Seus fluidos, que a penetra por Sua razão.
É por Ele que os universos se formam, que as massas celestes apresentam seus esplendores deslumbrantes, nas imensidões do infinito.
É por ele que os planetas gravitam nos espaços, em torno dos focos luminosos, formando brilhantes auréolas de sóis.
É Deus a vida eterna, imensa, indefinível, o Começo e o Fim, o Alfa e o Ômega.
É Ele que, no abismo dos tempos, quis que o universo existisse e a poeira cósmica entrou em movimento.
É por Sua vontade que as admiráveis leis da matéria desenvolvem no infinito as combinações maravilhosas que produzem quanto existe.
É Sua razão sem limites que ordenou tudo fosse feito em vista de um efeito inteligente.
É Sua justiça que traçou em caracteres indeléveis as leis de fraternidade e solidariedade que se fazem sentir entre os homens e os mundos.
É Sua bondade inefável que deu ao homem, incessantemente, o meio de conseguir a felicidade.
* * *
Deus! Ainda existem os que Lhe pretendem negar a existência. Ainda há os que pensam que o acaso poderia ter feito tudo o que existe, de forma tão perfeita, tão justa.
Contudo, Ele está em tudo e em todos. Mesmo que afirmem que Ele não existe, Sua ação se faz constante e precisa.
Acima e além de tudo, dispensa o Seu amor sem cessar.
Ele rega as plantas com a chuva delicada, alimenta as fontes e os rios, providencia o orvalho generoso.
Tempera a água dos mares, acaricia as ondas e as levanta, com majestade, fazendo-as uivar nos rochedos e cantar mansamente nas praias.
Atende a singela flor do campo, balança os ramos do salgueiro e aveluda as pétalas das rosas.
Todos os dias. A cada dia. E, enxuga as lágrimas dos Seus filhos, envia mãos generosas para os sustentar na jornada, a ninguém esquece.
Se é o Criador de tudo, é igualmente o Pai amoroso e bom, sempre presente.
Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Discurso sobre Deus, de Gabriel Delanne, do livro Gabriel Delanne, vida e obra, de Paul Bodier e Henri Regnault, ed. CELD.
Em 12.3.2015.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Os Animais, por Chico Xavier


Um amigo perguntou ao Chico qual o animal mais evoluído espiritualmente e dele anotou a resposta:

– É o cão. O cão desperta muito amor e é modelo de fidelidade. As pessoas que amam e cultivam a convivência com os animais, especialmente os cães, se observarem com atenção, verificarão que os vários espécimes são portadores de qualidades que consideramos quase humanas, raiando pela prudência, paciência, disciplina, obediência, sensibilidade, inteligência, improvisação, espírito de serviço, vigilância e sede de carinho, infundindo-nos a idéia de que, quanto mais perto se encontram das criaturas humanas, mais se lhes assemelham, preparando-se para o estágio mais próximo da hierarquia espiritual.

Segundo o iluminado Espírito Emmanuel os animais são nossos parentes próximos, com sua linguagem, seus afetos e sua inteligência rudimentar.

Chico Xavier respondendo a uma pergunta sobre os animais, disse:

- Nossos benfeitores espirituais nos esclarecem que é preciso que todos nós consideremos que os animais diversos, a nos rodearem a existência de seres humanos em evolução no planeta Terra, são nossos irmãos menores, desenvolvendo em si mesmos o próprio princípio inteligente.

Se nós, seres humanos já alcançamos os domínios da inteligência desenvolvendo agora as potências intuitivas, eles, os animais, estão aperfeiçoando paulatinamente seus instintos na busca da inteligência da mesma maneira que nós humanos aspiramos alcançar algum dia a angelitude na Vida Maior, personificada em nosso mestre o Senhor Jesus, eles, os animais aspiram ser num futuro distante homens e mulheres inteligentes e livres. Assim sendo, nós podemos nos considerar como irmãos mais velhos e mais experimentados dos animais.

Deus outorgou aos homens a condição e proteção de nossos irmãos mais novos, os animais.

E o que é que esta humanidade tem agido em relação aos animais nos inúmeros séculos de nossa história?

Porventura nós, os homens, não temos nos transformado em algozes dos animais ao invés de seus protetores fiéis?

Quem ignora que a vaca sofre imensamente a caminho do matadouro?
Quem duvida que minutos antes do golpe fatal os bovinos derramam lágrimas de angústia?
Não temos treinado determinadas raças de cães exaustivamente para o morticínio e os ataques?
Que dizermos das caçadas impiedosas de aves e animais silvestres unicamente por prazer esportivo?
Que dizermos das devastações inconseqüentes do meio ambiente?

Tudo isto se resume em graves responsabilidades para os seres humanos.
A angústia, o medo e o ódio que provocamos nos animais lhes alteram o equilíbrio natural de seus princípios espirituais.

A responsabilidade maior recairá sempre nos desvios de nós mesmos, que não soubemos guiar os animais no caminho do Amor e do Progresso, seguindo a Verdade de Deus.

Cada animalzinho que passa em nossa vida, deixa um pouco do seu amor, e leva consigo o nosso carinho.
Esta é uma relação que transcende a vida terrena e perdura por toda a nossa existência.
Felizes daqueles que carregam consigo o olhar de gratidão de um caozinho feliz, recolhido do abandono das ruas, pois este amor é infinito e gratificante, e nos ensina a ser alguém melhor, um ser-humano de verdade.

domingo, 15 de março de 2015

A flecha que voa, o arco que permanece


Li, certa vez, um ditado: Ao pé do farol não há luz.
Mas o que dizer quando nos referimos não a uma proximidade geográfica, mas sim emocional, como a relação entre pais e filhos?
Somente hoje, distante dos meus pais, enxergo o suficiente para ver, com relativa nitidez, a luz de seu farol. Compreendo a liberdade acolhedora de seu amor que, à época, eu percebia como sufocante e limitador.
Foi preciso jogar-me ao mar, navegar nas águas e intempéries daquilo a que chamamos vida para vislumbrar, não somente o que me tornei, mas também para reconhecer a segurança do cais do qual parti.
Como todo jovem, clamava por liberdade. Aos pés do farol, contemplava deslumbrado o mar que à minha frente se expandia. Assim, tão cheio de possibilidades. E de perigos.
Perigos dos quais, por tantas vezes, fui alertado por meus pais que, com o farol de seu amor, iluminavam-me o caminho e a melhor rota a seguir.
Mas eu, que estava aos pés do farol, enxergava apenas a beleza do horizonte e meus olhos, teimosos e orgulhosos, não percebiam a dureza do percurso.
Hoje eu sou pai...

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Meus filhos cresceram, amadureceram, ganharam mais e maiores responsabilidades e percebo que, como muitos pais, continuo a tratá-los como se tivessem a mesma idade, a mesma mentalidade, as mesmas fragilidades.
Agora compreendo que, para aprender a navegar, é necessário desafiar as tormentas e as borrascas do mar.
É chegada a hora de aceitar um dos mais difíceis e inevitáveis desafios da vida: se nossos filhos estão ao pé do farol, eles só poderão ver a luz se adentrarem ao mar.

Fala-nos o poeta Khalil Gibran: Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável.

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Felizes aqueles que compreendem a dinâmica da vida.
Filhos, contemplem a vida em suas infinitas possibilidades, porém o façam através da luz que, zelosos, seus pais lançam sobre ela, a fim de protegê-los dos percalços do caminho.
Pais, tomem seus rebentos pelas mãos com o intuito de conduzi-los. Porém, lembrem-se de que guiar, indicar a direção a seguir, não é sinônimo de caminhar pelo outro.
Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Os filhos, do livro O profeta, de Khalil Gibran, ed. L&PM Pocket.
Em 6.3.2015.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Saudade não tem hora


Quando a barca da relação matrimonial começa a apresentar dificuldades, ameaçando soçobrar, de modo geral, os filhos percebem.
Embora os pais procurem disfarçar, mantendo o rol das discussões longe deles, o clima de desconforto do casal é percebido.
Até mesmo os bebês registram a psicosfera conjugal, que deixou de emitir vibrações de amor e harmonia. E, por não disporem da palavra para se manifestar, principiam a apresentar intranquilidade no sono, choramingos sem causa aparente, podendo evoluir para febres e infecções.
Crianças de pouca idade observam e, ante a saída rápida de um dos cônjuges para o trabalho, perguntam: Você não vai dar um beijo na mamãe?
E, quando não passa de um rápido pousar dos lábios no rosto, insistem: Não desse jeito. Beijo de verdade. Beijo de amor.
Se existem avós ou tios nas proximidades, não raro são surpreendidos com perguntas como: Posso ir na sua casa? Posso ficar com você?
Isso demonstra a inquietude quanto ao seu futuro. Se pai e mãe se separarem, para onde iremos?
E, na ausência de parentes próximos, os pequenos fazem as mesmas indagações a amigos ou vizinhos, na ânsia de garantirem, emocionalmente, um porto que lhes possa parecer seguro.
Finalmente, quando a relação se desfaz e um dos cônjuges deixa o lar, no balanço das emoções, o item perda irreparável se acentua.
Se adolescentes, as reações são as mais diversas, conforme a intensidade dos laços afetivos e de como interpretam a separação. Alguns se sentem literalmente traídos, outros se sentem abandonados, desprezados.
Dependendo dos motivos da separação, a questão se torna ainda mais nevrálgica.
Natural que se o casal descobre que não mais consegue viver sob o mesmo teto, compartilhando as dificuldades e o afeto, busque uma forma de melhor convivência.
Contudo, saudável que procure alternativas, antes da separação pura e simples. Importante que se indaguem o que os fez se unirem e conversem a respeito da possibilidade de investimento na continuidade do contrato matrimonial.
Não haverá ajustes a serem feitos, que permitirão o amadurecimento da relação e o consequente aparar das arestas?
Finalmente, se o caminho da separação se fizer inevitável, que os filhos não sejam esquecidos. Eles são a parte mais nobre e mais preciosa do inventário, na hora de se decidir quem fica com quem, em que condições.
Que, em nome da mágoa, não se criem empecilhos para o relacionamento com os filhos, que não se criem maiores entraves.
Guarda compartilhada, ajustes definidos de forma consensual ou não, os filhos são as joias que precisam ser preservadas de maiores prejuízos, nesse momento.
Lembramos de uma garotinha de seus três anos que, ante a saída do pai do lar, depressa aprendeu a digitar o número do seu telefone, para dizer: Pai,estou com saudades.
E, quando esse lhe dizia: Está bem, amor. Amanhã passo aí para lhe dar um abraço, ouvia a voz insistente: Pai, eu estou com saudades, agora!
Quem pode comandar a saudade, que é a manifestação do amor que deseja quem ama perto de si?
Pensemos nisso. E, em decisão tão importante, lembremos dos filhos, antes das deliberações da partilha do patrimônio, valores monetários e todos os demais detalhes.
Filhos – tesouro das nossas vidas. Pensemos neles!

Redação do Momento Espírita.
Em 4.3.2015.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A escolha acertada



Foi durante a guerra civil chinesa, que sucedeu ao conflito mundial da Segunda Guerra.
Wong e sua esposa Lee, com as quatro filhas, tinham urgência em sair da China, rumo a Hong Kong. Ele era um ilustre professor procurado pelas forças que oprimiam o país.
Enquanto ele tentava conseguir um meio de transporte que, a muito dinheiro, os pudesse levar para o campo, à casa de um tio, onde se poderiam ocultar, tentando salvar as próprias vidas, Lee tentava acalmar as pequenas.
Ela precisava cuidar da bagagem, porque não eram poucos os que se aproveitavam para saquear os incautos. As crianças, assustadas, em meio à movimentação intensa, choramingavam, agarradas às suas vestes.
Num tempo que pareceu eterno, o marido chegou com um jinriquixá, uma espécie de carrinho, puxado por um homem. Enquanto ele providenciava a acomodação das malas, embrulhos e valises no pequeno transporte, um outro se aproximou.
Vislumbrando a chance de um bom dinheiro, ofereceu-se para levar a família ao seu destino por um valor menor.
O professor Wong, homem prático, aceitou. Porém, a esposa disse que não era correto dispensar o homem que antes fora contratado. Afinal, ele perdera seu tempo, andara até ali puxando seu veículo e merecia respeito.
Falou de forma tão incisiva que o marido aceitou suas ponderações e lá se foram, no transporte mais caro.
Quase ao final da viagem, um impasse. O tio de Wong morava do outro lado do canal, e o condutor do jinriquixá não ousou atravessá-lo.
O casal dividiu a bagagem entre si e as pequerruchas e venceram a pé a ponte.
Chegando à casa do tio, se acomodaram, alimentaram as filhas e as deitaram. Duas horas se haviam passado. Então, Lee se deu conta de que faltava uma mala.
Exatamente aquela em que havia escondido todo o dinheiro que haviam conseguido juntar, antes da fuga.
E agora? Pôs-se a chorar, abraçada ao marido.
Como continuar a fuga? Como dar continuidade à vida, sem nada a não ser as roupas e quatro bocas famintas para alimentar?
Alguém bateu à porta. Todos se olharam temerosos. Seriam andarilhos salteadores? Talvez guerrilheiros que lhes haviam descoberto a fuga?
O tio, procurando demonstrar uma calma que longe estava de sentir, abriu a porta. A punição por acolher fugitivos era a morte.
E ali estava o condutor... com a mala. Ao ver que fora esquecida em seu transporte fizera um longo trajeto de volta, ousara atravessar a ponte, somente para entregar a uma família fugitiva a mala, com o seu conteúdo intacto.
Todos ficaram parados, sem reação, pelo inusitado do momento. Um gesto de honestidade em meio à confusão que vivia o país e onde muitos somente pensavam em tomar dos outros, à força, o que pudessem.
Lee ajoelhou-se e agradeceu a Deus, que lhe havia inspirado fazer a viagem com aquele homem, apesar do preço mais elevado.
* * *
A gratidão e a honestidade se revelam nos corações bem formados.
Mesmo em meio ao caos, o homem guarda na intimidade valores reais dos quais lança mão, em momentos precisos.
Por vezes, um simples gesto pode redundar em muitas bênçãos. Como o de Lee, em manter a fidelidade ao contrato verbal acertado com um desconhecido, em meio à angústia e quase pavor, que alcançou ressonância em outro coração, quiçá, tão perseguido e maltratado como o dela mesma.

Redação do Momento Espírita, com base em fato, narrado pela filha do Professor Wong, Shou Wen Allegretti.
Em 18.2.2015.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Mais Doloroso Adeus



Por Mário Frigéri

A partida de um ente querido para o plano espiritual é, sem nenhuma dúvida, a maior dor que um ser humano pode sentir neste mundo. Eu já passei várias vezes por esse momento difícil, principalmente quando morreram meus pais e meus sogros.

Sinceramente, com todo o conhecimento espiritual acumulado que adquiri através dos anos, pelo estudo sistematizado da nossa doutrina consoladora, era para eu ter suportado esses golpes com menos abalo. Mas não foi bem assim. Embora não o demonstrasse por fora, muitas lágrimas me vazaram pelos condutos internos da alma.

Eu sei que a morte não existe. Mas saber é uma coisa e enfrentá-la em nosso entorno, quando ocorre a ausência de um ser querido, é coisa muito diferente. Muitas vezes me peguei falando sozinho, gesticulando no ar, e até mesmo ouvindo a voz do ente que partiu chamando o meu nome.

Seu cheiro permanece na casa, nos móveis, nas roupas que usava, em toda parte. A gente olha aqueles sapatos descansando num canto e parece que o dono logo virá apanhá-los. Sua imagem continua viva em nosso inconsciente, e quando um carro vira a esquina e um lampejo de seu farol se projeta no interior da casa, é como se a pessoa querida estivesse chegando.

Procurava orar, e a oração é um socorro maravilhoso, um bálsamo que suaviza muito o nosso sofrimento, mas leva tempo para a ferida cicatrizar. O problema é que se a cura é o esquecimento, eu não queria esquecer. Essa é uma ideia que nem passava pelo meu pensamento.

Eu me apegava muito a Deus e à fé, e essa foi a minha tábua de salvação. Aqueles diálogos silenciosos com o Pai Celestial em minhas preces, rogando-Lhe que acolhesse em Seu seio amoroso aquela pessoa amada que partia, foram me restituindo o equilíbrio e eu comecei a retornar serenamente para a realidade que me envolvia.

Uma pessoa nos deixou, mas a vida não morreu. A vida continuava presente em nosso dia a dia, exigindo atenção e nos preparando para a nova realidade. As pessoas que ficaram – os familiares, os parentes, os amigos, os companheiros – também contavam com o nosso reequilíbrio e a nossa participação. Os adultos esperavam nossa volta à vida normal. As crianças aguardavam nosso sorriso de cumplicidade.

Não temos o direito de amargurar a vida dos outros com a nossa angústia. Não temos o direito de tirar a alegria dos outros com a nossa tristeza. O luto da alma é inevitável por alguns dias, mas ele tem que ir se esvanecendo e clareando com o escoar das horas.

Por tudo que já havia lido sobre o assunto eu pensei que saberia enfrentar com destemor a hora borrascosa quando ela chegasse. E, realmente, meu conhecimento da realidade espiritual me ajudou muito na hora do sofrimento. Mas não foi um salvo-conduto que me livrasse dos solavancos da passagem.

Busquei arrimo no Evangelho, na palavra do Cristo e dos mentores espirituais. Fortaleceu-me bastante a mensagem do Apocalipse, onde Jesus fala da chegada do novo Céu e da nova Terra, quando então não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E o divino Mestre enxugará de nossos olhos todas as lágrimas. Isto foi como se mãos de anjos algodoassem meu coração.

Voltando a meus familiares, minha mãe foi a primeira a partir. Foi uma surpresa para todos nós porque ela aparentava estar muito bem de saúde. Mas um colapso a levou de repente e nós ficamos fora do ar, como se o chão se fluidificasse sob nossos pés.

Meu pai, porém, foi um desenlace mais ou menos esperado porque já estava bem avançado em anos e, além disso, se encontrava adoentado no leito, recebendo cuidados médicos. Fiz uma prece pública, no velório de ambos, para confortar a mim mesmo, a meus familiares, aos amigos presentes e, principalmente, às almas dos que partiam, que nessas horas precisam ser envolvidas em eflúvios suavizantes de paz.

No caso de meu pai, enquanto o cortejo acompanhava o féretro ao campo santo para o derradeiro adeus, eu acompanhava seu espírito em pensamento e o imaginava despertando meio sonolento no mundo espiritual e se perguntando: A quem devo me dirigir agora? E eu lhe respondia, num sussurro de prece: a Deus.

Assim, descobri que existem dois tipos de despedida: adeus e a Deus. Muitos participam do primeiro tipo. Poucos participam do segundo. Eu participei de ambos na despedida de meu pai. E fiquei muito feliz.

Mário Frigéri é autor da Mundo Maior. Pulicou os livros: 100 Poemas que Amei e Brasil de Amanhã- O Futuro do Brasil á Luz das Profecias.

Fonte: Blog Mundo Maior

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Eu não sei como essa mensagem veio parar no meu e-mail...
Nunca tinha ouvido falar desse blog...
Mas, sei que chegou no momento certo...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O que as águas não refletem


O que as águas não refletem... na superficialidade não reside.

Quando estava entre nós, Ele costumava contemplar-nos e ao nosso mundo com um olhar de admiração, pois os véus dos anos não velavam Seus olhos, e tudo o que via era claro à luz da juventude.

Embora conhecesse o belo em toda sua profundidade, a paz e a majestade da beleza jamais deixaram de surpreendê-lO, e esteve diante do mundo como o Primeiro Homem estivera diante do primeiro dia.

Nós, com os sentidos já embotados, ficamos à plena luz do dia, mas não vemos.

Aguçamos os ouvidos, mas não ouvimos; estendemos as mãos, mas não chegamos a tocar.

Não vemos o lavrador em seu retorno do campo ao findar o dia; nem ouvimos a flauta do pastor que conduz seu rebanho para o curral; nem estendemos os braços para tocar o pôr do sol, e nossas narinas não mais anseiam pelas rosas...

Não, não veneramos um rei que não tenha um reino; nem ouvimos o som de uma harpa sem que haja uma mão a dedilhar-lhe as cordas; tampouco vemos uma pequena oliveira na criança a brincar em nosso olival.

E é preciso que cada palavra surja dos lábios carnais de uma boca, senão julgamo-nos mudos e surdos.

Na verdade, fitamos, mas não vemos; atentamos, mas não ouvimos; comemos e bebemos, mas não saboreamos.

E é aí que reside a diferença entre nós e Jesus de Nazaré.

Todos os Seus sentidos se renovavam continuamente, e o mundo para Ele era sempre novo.

Para Ele, o balbucio de um bebê não era menor do que o clamor de toda a Humanidade, enquanto para nós nada mais é do que um balbucio.

O que as águas não refletem é que para Ele, a raiz de um botão de flor era um anseio por se aproximar de Deus, enquanto para nós não passa de uma raiz...

* * *

Temos muito a aprender com Esse Exemplo maior das nossas vidas...

Jesus não é um ídolo qualquer, um depósito de nossas frustrações e incertezas, como os ídolos fúteis deste mundo.

Não, Ele é um Guia seguro para nossos passos, um Guia que precisa descer dos crucifixos que penduramos em nossas paredes brancas na aparência, e habitar nossos atos e nossos pensamentos diários.

Como Ele agiria se estivesse em nosso lugar?

Como Jesus falaria com esta pessoa? Como Ele trataria esse alguém que nos feriu profundamente? Como Ele reagiria a impropérios, a acusações improcedentes?

Estudando Sua vida em profundidade, fazendo estas perguntas e seguindo Seus exemplos, estaremos modificando, significativamente, nossas vidas.

Simplesmente cumprir as obrigações religiosas não é suficiente.

Não fazer o bem, nem o mal, não é suficiente.

Agir é necessário...

Revolucionar o coração é necessário...

Erradicar costumes viciosos é urgente...

Amoldarmo-nos aos ensinos dEle se faz de urgência, para a nossa e a felicidade do mundo.

Precisamos sentir o calor das Suas palavras em nossos corações. Precisamos atender ao chamado insistente que ecoa de século a século.

O que as águas não refletem, na superficialidade não reside: é necessário repensar a vida, e ir fundo nas mudanças que sejam necessárias...

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Um filósofo, do livro Jesus, o Filho do Homem, de Gibran Khalil Gibran, ed. Associação Cultural Internacional Gibran.
Em 10.1.2015.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Honestidade incondicional


A educação informal acontece no lar, nas situações mais inesperadas. Sábios são os pais que delas tiram o melhor proveito.

Mildred era uma garotinha, quando o mundo mergulhou na Primeira Grande Guerra.

Seu pai havia construído um imenso apiário, que era a maior fonte de renda da família.

Todo apicultor sabe que uma colmeia pode morrer de fome durante o inverno, se a sua provisão de mel não durar até o florescimento das plantas.

Por isso, constitui rotina que ele ajude as abelhas, nos meses de frio, alimentando-as com um xarope feito de água e açúcar.

No período da Primeira Guerra Mundial, vários alimentos ficaram escassos. E um deles foi o açúcar, que foi racionado pelo governo.

O pai de Mildred, como apicultor, recebia uma cota extra de açúcar, especialmente para as abelhas. E tal ração passou a ser criteriosamente guardada no porão da casa, separada da cota familiar.

Certo dia, a família recebeu a notícia de que parentes distantes viriam para uma visita, no dia seguinte.

A mãe desejava fazer um bolo, mas não havia açúcar suficiente. As crianças queriam o doce, mais que tudo, e acabaram por convencer a mãe que, se ela apanhasse a medida necessária no barril das abelhas, o governo jamais ficaria sabendo.

E assim foi feito. O bolo amarelo, assado no forno à lenha, ficou maravilhoso. Principalmente depois de coberto artisticamente com merengue.

Todos se deliciaram. As crianças estavam exultantes, como se tivessem ganhado um grande prêmio.

Quando chegou o dia da família receber a sua ração mensal de açúcar, o pai foi ao armazém, entregou os seus cupons e trouxe para casa um saquinho marrom, que colocou sobre a mesa.

A mãe o olhou por alguns instantes. Pegou-o e com o mesmo medidor que usara para o açúcar do bolo, separou exatamente a quantidade que utilizara.

Então, ante o olhar estarrecido das crianças, que a acompanharam, ela se dirigiu ao porão e despejou a quantia no barril das abelhas.

O que sobrou no saquinho teve que ser muito economizado naquele mês, por aquela família de sete pessoas. Para Mildred, que adorava doces, foi uma lição extra de sobriedade.

No entanto, a mãe não fez o menor discurso sobre o acontecido. Nada disse sobre honestidade.

Para ela, aquele fora um ato natural, de acordo com a integridade com a qual seu marido e ela viviam as suas vidas.

Aos noventa anos de idade, tendo deixado de ser aquela criancinha que olhava por cima da mesa da cozinha, na pontinha dos pés, já contara a história sobre a honestidade incondicional de sua mãe inúmeras vezes, para seus filhos, seus netos e até mesmo para os bisnetos.

Comparava sua mãe a uma abelha que traça uma reta, quando se encaminha para sua colmeia, após os seus voos em busca do néctar.

Sua mãe, dizia, sempre tomava o caminho mais honesto, uma linha reta, precisa como uma flecha.

E foi por isso que moldou, sem alardes, a consciência de quatro gerações de uma mesma família.

* * *

O coração da mãe é a sala de aula de uma criança.

As lições mais profundas nascem dos momentos preciosos de dificuldades, quando é preciso ofertar o ensino, com ampla visão de quem semeia para o futuro.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Uma doce lição de Mildred Bonzo, do livro Histórias para aquecer o coração das mães, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e Marci Shimoff, ed. Sextante.

Em 9.1.2015.